segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Direto da Telona: Gato de Botas


Quando lançado em 2001, a animação "Shrek", da até então pouco empolgante divisão de animação da DreamWorks, fez um estrondoso sucesso por todo o mundo e tirou o primeiro Oscar de longa de animação da história da Pixar com seu "Monstros S/A". Três anos depois veio a divertida continuação que brincou não apenas com os personagens dos contos de fada, mas com a estrutura dos contos de fada sem precisar escrachá-la como no primeiro. E nessa continuação veio a garantia de sobrevida da franquia nos cinemas: o Gato de Botas. Com a voz hispânica e sensual de Antônio Banderas, o personagem tinha tanto ou mais personalidade que qualquer um dos protagonistas, e conquistou o público e crítica com as cenas dos grandes olhos pedintes de gato. Como o personagem cai de paraquedas na trama, sem revelar sua origem clássica e conhecida, era uma questão de tempo que ele ganhasse um filme solo.

O que ninguém esperava era que o seu longa-metragem solo tivesse tanta personalidade. Sem usar os truques de paródia dos filmes do ogro verde, o filme do felino se aproxima mais dos clássicos westerns. E aí ganha qualidade. Com roteiro parecido o primeiro "Carros" da Pixar fez um razoável sucesso que garantiu uma muito inferior continuação. É a velha (e infalível) história do forasteiro que apesar do bom coração vai ter que reavaliar suas más ações, e quando parece tudo bem, será mal interpretado e terá de provar seu valor a (quase) todo custo.
Oh Coitado!

Na trama, o Gato está atrás dos feijões mágicos em posse de Jack e Jill (Billy Bob Thornton e Amy Sedaris) que o levarão ao castelo do gigante onde está a Gansa dos Ovos de Ouro. Atrapalhando seus planos aparece a gata Kitty (Salma Hayek), e por fim o parceiro dela Humpty Dumpty (Zach Galifianakis, de "Se Beber, Não Case"), que têm o mesmo objetivo. O Gato não aceita a parceria, e aí o filme ganha novo fôlego com o longo e ótimo flashback da origem do Gato e sua amizade (e por fim inimizade) com Humpty, que é essencialmente um ovo que anda e fala. E a aventura está apenas começando, pois o Gato terá de enfrentar seu passado, e resolvê-lo para sempre, e assim se tornar o felino que conhecemos na franquia do ogro verde.

Humpty Dumpty
A excelência em contar a história, e principalmente na qualidade da animação e do 3D garantiram boas cifras, críticas e indicações a prêmios importantes. Mas não deixa de ser estranho o uso de referências tão diferentes dos filmes do Shrek, pois Jack, Jill e o ovo Humpty Dumpty são personagens conhecidos por antigas canções de ninar em língua inglesa, e mesmo assim sem grande visibilidade por não terem uma história definida como a dos contos de fada. Humpty Dumpty, por exemplo, é citado por Lewis Carroll  em Alice Através do Espelho, continuação de Alice no País das Maravilhas. 
Estranho sim, mas muito positivo ao usar personagens pouco conhecidos num propósito mais original.
E não deixe de prestar atenção na ótima trilha sonora de Henry Jackman, com duas faixas compostas pelo casal Rodrigo y Gabriela, que arrasam nas cordas.

Era uma vez.... Hollywood!

A notória falta de criatividade de Hollywood já virou clichê, mas eis que ela sempre nos surpreende. Estamos acostumados a assistir contos de fada e histórias infantis adaptados em longas animados desde que a Disney é Disney, e o último que vimos desenterrar histórias muito antigas foi o longa solo do "Gato de Botas" feito pela DreamWorks, que usou o conto do próprio gato, do João e o Pé de Feijão e do nada famoso por aqui Humpty Dumpty.

Mas em 2012 teremos uma avalanche de contos de fada adaptados para o público adulto, se considerarmos que a idéia seria absurda há alguns anos atrás. No final do parágrafo de cada filme ou série você poderá clicar na palavra trailer, e tirar suas próprias conclusões com o vídeo.

Espelho, Espelho Meu
O primeiro que veremos será "Espelho, Espelho Meu", um misto de comédia e aventura que traz uma Julia Roberts irônica como a Rainha Má, e a sem graça Lily Collins como a Branca de Neve, mas o visual incrível do diretor indiano Tarsem Singh ("A Cela" e o recente "Imortais") pode salvar o filme. TRAILER
Apesar de ainda não ter nenhuma divulgação, provavelmente tendo o lançamento adiado teremos "João & Maria: Caçadores de Bruxas" com Jeremy Renner ("Missão: Impossível 4") e Gemma Arterton ("Príncipe da Pérsia") como os protagonistas virando caçadores de bruxas anos após seu sequestro.
No meio do ano teremos Kristen Stewart ("Saga Crepúsculo") como uma Branca de Neve guerreando ao lado do caçador vivido pelo Thor Chris Hemsworth contra o exército da Rainha Ravenna de Charlize Theron no épico violento "Branca de Neve & o Caçador". TRAILER
Branca de Neve & o Caçador
E o diretor Bryan Singer dos primeiros X-Men transforma num épico medieval cheio de efeitos visuais a história de João e o Pé de Feijão, que deve se chamar "João, o Matador de Gigantes". TRAILER
E ainda tem uma versão policial bem obscura de Peter Pan chamada apenas de "Pan", onde o garoto que voa é na verdade um serial killer caçado pelo policial vivido por Sean Bean ("Senhor dos Anéis") chamado de Gancho.
João, o Matador de Gigantes
Na lista dos super independentes temos uma versão bastante provocativa e contemporânea da "Bela Adormecida", onde a "princesa" vivida por Emily Browning ("Sucker Punch - Mundo Surreal") é na verdade uma prostituta que trabalha inconsciente, ou seja, o cliente faz o que quiser enquanto ela dorme. O filme é produzido por Jane Campion de "O Piano". TRAILER
E a França também produz uma versão bastante estilizada, bonita e pervertida da Bela Adormecida, num filme feito para tv, mas que rodou festivais, da polêmica diretora Catherine Breillat. TRAILER

Neverland
A lista não termina de crescer se contarmos que em 2013 ainda temos confirmados "Oz,  o Grande e Poderoso" com James Franco, Mila Kunis, Michelle Williams e Rachel Weisz dirigidos por Sam Raimi, da trilogia do Homem-Aranha.
A versão em carne e osso da "Bela e a Fera" que a Disney prepara estrelado por Emma Watson, a Hermione da saga Harry Potter.
E muitos outros projetos que ainda não passam de projetos.

Na TV a onda também chegou e já em 2011 estrearam a elogiada minissérie "Neverland", que mostra como Peter Pan e Capitão Gancho foram parar na Terra do Nunca.
A série "Grimm" mostra um policial que tem o dom de ver criaturas sobrenaturaisobviamente todos voltados pro universo criado pelos Irmãos Grimm. TRAILER
Once Upon a Time
Mais sucesso teve a série "Once Upon A Time" onde a atriz Jennifer Morrison ("House") vive uma mulher que pode (ou não) salvar uma cidade de uma maldição que prende personagens de contos de fada como pessoas ordinárias numa guerra entre o bem e o mal que está prestes a começar. Ou algo assim. TRAILER

Ou seja, nada se cria, tudo se copia, se reinventa, e assim por diante.


Direto da Telona: Gigantes de Aço

Num primeiro momento, a impressão é que o sucesso da cinessérie "Transformers" fez os caras da DreamWorks e o próprio Steven Spielberg tentarem buscar uma nova cinessérie com robôs grandalhões, mas acredite: "Gigantes de Aço" é muito mais que isso, e aparentemente teve apenas a mão técnica de Spielberg, e nada da sua (pouca e catastrófica) criatividade.

"Gigantes de Aço" se passa no não tão longe 2020 (por uma boa razão estética), quando as lutas físicas entre humanos foram banidas em prol de mais violência, substituídas então por robôs se degladiando até a destruição em lutas oficiais cheias de regras ou rinhas clandestinas. O sempre ótimo Hugh Jackman traz humanidade a Charlie Kenton, um ex-lutador que hoje tem sérios problemas em manter inteiros os robôs que controla em lutas clandestinas, e passa a dever dinheiro pra muita gente. Sua situação poderia piorar quando ele recebe a notícia que sua ex-namorada faleceu, e que ele é o responsável legal pelo filho Max que tiveram juntos, se ele não fosse frio o suficiente pra vender o filho aos seus cunhados. Mas por uma manobra até bacana do roteiro ele precisa ficar algum tempo com o filho, mesmo que para Charlie os robôs sejam mais importantes que humanos. E o título original "Aço de Verdade" não diz apenas dos robôs, mas também do coração inicialmente resistente, mas também forte do protagonista.

o romantismo está garantido com Evangeline Lilly
Até aí o filme parece bem clichê, se Max (Dakota Goyo) não fosse maluco por robôs como o pai, teimoso como pai, e um fã desse pai que nunca viu. A relação entre pai e filho é p grande tema do filme e rende cenas dramáticas densas, divertidas e o move pra frente. A química entre Jackman e o ótimo Dakota Goyo é positiva pra um filme que poderia perder exatamente por essa relação, e confesso ter chorado ao final por conta disso. E a parte dos robôs, igualmente essencial, é a mais surpreendente, pois não coloca os robôs no mesmo patamar dos humanos e não ocupa a trama com desnecessárias cenas de ação, como acontece em "Transformers".

Rockem Sockem Robots
O filme cita o Brasil em diversos momentos como o último reduto das lutas humanas, inclusive citando a família Grace! Mas também sugere aquele famoso brinquedo dos anos 80 onde dois robôs lutavam num ringue, e faz algumas menções à cinessérie "Rocky".

Mas esqueça Steven Spielberg! O mérito do filme é em grande parte de Shawn Levy, diretor dos dois "Uma noite no Museu", ele viu neste longa uma oportunidade de mostrar que não é apenas um diretor de contratos comerciais, e que tem muitas idéias. Toda a composição visual e a direção dos atores mostra que Levy tem capacidade pra grandes trabalhos dramáticos, principalmente pelo fato do filme praticamente não ter nenhuma cena de ação. Todas as cenas movimentadas são curtas e nos levam de volta aos personagens. As cenas de boxe dos robôs são apenas cenas de boxe, ou seja, nada que você não tenha visto em filmes como "Menina de Ouro", e sim, apesar de serem robôs as cenas são comparáveis dramaticamente.

Uma das ironias do filme é ser um filme "futurista" e mostrar uma tecnologia que já temos e conhecemos hoje. Só não temos hoje os robôs mostrados no longa porque não precisamos deles, mas a tecnologia de comando por voz e efeito sombra estão presentes no iPhone da Apple e no Kinect da Microsoft respectivamente.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Direto da Telona: NOITE DE ANO NOVO


A experiência de ir ao cinema é algo muito particular. Da mesma forma que tenho minhas preferências, sei que cada pessoa recorre a sétima arte por motivos e com intenções diferentes. Informar-se sobre o que se pretende assistir é uma forma de não se frustrar. NOITE DE ANO NOVO (New Year's Eve, EUA, 2011) não é o filme do ano, mas diverte naquilo que se propõe.

Gary Marshall (diretor) repete a parceria com Katherine Fugate (roteirista) e volta a contar uma história que envolve várias pequenas tramas. Como em IDAS E VINDAS DO AMOR, temos um emaranhado de personagens vivendo suas vidas no contexto de uma data comemorativa: antes era o dia dos namorados; agora, a virada de 2011 para 2012.

Repetesse a fórmula: temos um grande elenco, contando com Hilary Swank, Halle Berry, Jessica Biel, Abigail Breslin, Lea Michele, Ludacris, Robert De Niro, Sofía Vergara, Josh Duhamel, Zac Efron, Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer e até Jon Bon Jovi. Em meio a músicas, elevadores, hospitais e bolas de natal, temos uma mulher em crise, querendo cumprir suas resoluções do ano passado; um doente terminal querendo revisitar uma tradição familiar; a organizadora de um evento fazendo de tudo para que o mesmo aconteça; a tentativa de volta a um velho romance, enquanto outro se esforça para surgir; e até a simplicidade de um beijo adolescente no momento da virada.

São histórias simples, talvez bobas, que por vezes perdem sua carga, dramática ou cômica, por algumas escolhas do roteiro; mas ainda assim, você sai da sala de cinema com uma sensação calorosa, acolhedora, própria dessa época do ano. É fato que o tempo em cena ou mesmo a superficialidade das personagens acabam podando o trabalho de grandes atores, mas alguns momentos bem construídos valem o ingresso para essa "Sessão da Tarde" de final de ano.

Comova-se com o belo arco de Halle Berry ou deseje junto a Abigail Breslin; Sofra as dores do parto com Jessica Biel ou cante com Lea Michele e Bon Jovi; visite Bali com Michelle Pfeiffer ou procure por alguém em Times Square com Sarah Jessica Parker; e, caso essas cenas não funcionem para você, há sempre espaço para boas risadas com a bela Sofia Vergara.

Boas Festas!!!!