segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Aprenda como um simples 'OK' pode ser algo mais!

Hazel - 16 anos, sobrevive graças a uma droga revolucionária - conhece Augustus Waters (Gus) - 17, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma - em um Grupo de Apoio para crianças com câncer. Achou a sinopse muito simples? Rasa? Mas é basicamente disso que vai tratar o excelente A Culpa É Das Estrelas, de John Green. A circunstância da doença é um diferencial, mas, ainda assim, o que importa é conhecer e conviver com as personagens, todas interessantes, profundas e multifacetadas.

Temos Hazel, uma menina inteligente e descolada que não tem papas na língua e adora ler. Ela tem uma adoração especial pelo livro Uma Aflição Imperial, obra essa que termina no meio de uma frase, algo que deixa a menina cheia de indagações. Do outro lado encontramos Gus, possuidor de um ótimo senso de humor e que gosta muito de ousar, brincando com os clichês do mundo do câncer. Na verdade, essa é a principal arma dos dois para lidar com essa doença que age inexoravelmente na vida das pessoas que acomete.

Temos uma obra ambiciosa e emocionante que narra de forma irreverente o turbilhão de emoções que envolvem viver e amar. Mais do que isso, embarcamos em uma montanha russa, ora com um olhar inspirador, ora brutal. O autor demonstra coragem ao tocar em assuntos espinhosos de forma casual: a aceitação de determinado destino, a alegria mesmo nos momentos difíceis, o companheirismo acima do sentimento de pena, etc, etc, etc.

É uma leitura cativante, pois nos coloca não só como observadores, mas quase como que amigos das personagens. Por isso da sinopse que escrevi no início: simplesmente duas pessoas se conhecem... 

E não é assim que (quase) tudo começa???

Permeada por humor ácido e ótimas doses de ironia, a narrativa nos prende até o seu final. As diversas situações que ilustram o dia a dia da estória são contadas com uma simplicidade que induz o leitor a partilhar as vitórias e derrotas, tornando aquela realidade algo bem próximo.

Tudo isso resulta em uma ótima experiência!



"É claro que eu tinha esperado que o Peter Van Houten (autor de Uma Aflição Imperial) fosse mentalmente são, mas o mundo não é uma fábrica de realização de desejos." Hazel Grace

domingo, 19 de janeiro de 2014

daPoltronaCast: Frozen - Uma Aventura Congelante

Atrasou, mas o episódio do daPoltronaCast dedicado a discutir o atual longa de animação da Disney "Frozen - Uma Aventura Congelante" já está no ar! Tem música, argumentações fervorosas e de quebra, humor.
Deixem seus comentários!



Para fazer o download do podcast (74.2 MB) clique aqui.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, com seu osso roído e com o rabo entre as patas!


Conheci o trabalho de Vitor Cafaggi quando este, junto de sua irmã Lu Cafaggi, participaram do projeto Graphic MSP em que artistas prestam a sua homenagem à Maurício de Sousa através de interpretações das criações do célebre autor nacional. Coube aos irmãos Cafaggi a tarefa de uma releitura sensível e empolgante da Turma da Mônica na HQ Turma da Mônica: Laços, recomendação obrigatória para todos que cresceram com a companhia da turminha.

Um tempo depois de ter lido a gibi acima citado, em uma de minhas idas a uma livraria geek de São Paulo, vi uma coletânea de uma tirinha publicada aos domingos no jornal O Globo. E qual não foi a minha surpresa ao constatar que era mais um trabalho desse brilhante quadrinista mineiro: Valente Para Sempre (2013, Panini Comics).

Primeiro volume dessa coletânea (já existem mais dois disponíveis), a tirinha nos conta a história de um cãozinho de nome Valente e o seu cotidiano tentando interagir com os outros e, mais do que isso, tentando entender a lógica dos relacionamentos. Ansioso e tímido, Valente busca o grande amor de sua vida, com a entrega e a ingenuidade que todos já vivenciamos em algum grau quando éramos mais jovens.

Li em uma entrevista do autor que a obra é autobiográfica, o que a torna ainda mais interessante pois os traços infantis e delicados de Cafaggi trazem à tona lembranças dos primeiros passos amorosos (que são praticamente universais, rs), com a sua pureza e seu lado platônico. Impossível não se identificar com alguma das situações vividas pelo cãozinho.


Com um toque de Bill Watterson e seu Calvin e Haroldo e uma simplicidade que lembra A Turma do Charlie Brown, sentimos as emoções e as inseguranças, rimos e sofremos, em uma leitura leve e aparentemente descompromissada. Digo 'aparentemente' porque depois de algumas páginas você já se sentirá mais um amigo de Valente. E aí, é página atrás de página, até chegar ao fim e pensar 'cadê o próximo?'

Com citações espertas (John Hughes, Rocky Balboa e até mesmo big mac - essa última, simplesmente genial!), é um gibi que merece ser conferido. Li o primeiro em uma tacada e vou procurar pelo próximo ainda hoje. Não deixe de conferir também o blog de Cafaggi, onde é possível ler outro trabalho do autor que os fãs do Cabeça de Teia vão adorar!

E termino com uma citação da contracapa da obra, que diz muito do espírito de Valente:

"Eu já disse isso uma vez. Vou dizer novamente: A vida passa muito rápido; se você não parar e olhar ao redor, você pode perdê-la."
(Ferris Bueller)


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Brasil na disputa pelo Urso de Ouro 2014


O filme "Praia do Futuro" do diretor cearense Karim Ainouz foi selecionado para a competição oficial no Festival de Berlim, que acontece em fevereiro.
No filme estrelado por Wagner Moura, acompanhamos Donato, um salva-vidas na Praia do Futuro em Fortaleza, que após um salvamento fracassado se aproxima do amigo alemão da vítima, e resolve abandonar a família pra recomeçar a vida em Berlim. Anos mais tarde, seu irmão mais novo (vivido pelo arroz de festa Jesuíta Barbosa, que segundo Moura durante o ultimo Festival de Gramado é tão talentoso e jovem que "desse eu não tenho raiva, tenho vontade de matar mesmo, com uma paulada na cabeça") procura saber o que houve com o irmão que idolatrava.

Diretor (ao centro) e atores


Não é muito possível prever as chances do filme, mas vale lembrar que o Brasil já ganhou dois prêmios máximos (em 1998 com "Central do Brasil, e 10 anos depois com o polêmico "Tropa de Elite"), e neste ano não disputam aguardados longas que serão apenas exibidos como "Caçadores de Obras Primas" de George Clooney, "Grande Hotel Budapeste" com um gigantesco elenco estelar sob a batuta de grife de Wes Anderson e "A Bela e a Fera" do francês Christophe Gans com a arroz de festa francesa Lea Seydoux (de "Azul é a Cor Mais Quente") e Vincent Cassel.
"Praia do Futuro", que está há dois anos em produção, deve estrear no Brasil em maio.