segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Games: Enslaved - Odyssey to the West

Quando O Senhor dos Anéis - As Duas Torres  estreou em 2002 causou um alvoroço a impressionante aparição da criatura Gollum/Sméagol. Totalmente digital, o personagem tinha vida além dos pixels, interagia com o elenco, era importante dentro da trama e era organicamente dramático e profundo. Mas o segredo era que ao contrário da rejeição de Jar Jar Binks em Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma, Gollum era interpretado por um ator real, que fazia todos os movimentos e voz com uma roupa especial para captura de movimentos, e somente na pós-produção se transformaria numa criatura digital. Andy Serkis era desconhecido até então, e passou a ser ventilado para uma polêmica indicação ao Oscar de ator coadjuvante que infelizmente não aconteceu, mas seu trabalho incrível de voz e corpo ainda não terminou. Logo depois ele fez os movimentos igualmente impressionantes do King Kong, e ajudou a revolucionar a arte da interpretação com animações em computação gráfica. Em breve o ator estará no novo Planeta dos Macacos e em As Aventuras de Tintim fazendo o mesmo trabalho.


O exemplo de seu trabalho e toda a teconologia envolvida chegou à nova geração de videogames, que para ganhar o máximo de realismo passou a produzir jogos onde atores reais interpretassem os personagens digitais previamente. Não demorou muito para que Andy Serkis fizesse sua parte nos videogames, e foi a pequena Ninja Theory quem o convidou para fazer uma participação como um dos vilões de um dos primeiros e mais belos jogos do PlayStation3, o God of War de saias Heavenly Sword de 2007.
Serkis e sua atuação mais famosa
Logo depois ele foi convidado para um projeto mais ambicioso pela própria Ninja Theory, o do primeiro longa-metragem de animação em computação gráfica feito na plataforma motora Unreal 3 (que é utilizada na maioria dos jogos de hoje em dia), mas o projeto acabou sendo recusado pelos estúdios, e acabou se tornando mesmo um jogo de videogame.


O roteiro de Alex Garland (Extermínio, Sunshine - Alerta Solar, A Praia, Não Me Abandone Jamais e o vindouro novo O Juiz) se baseia no romance mitológico e fantástico de Wu Chengen "Jornada ao Oeste", que conta a história do poderoso "Rei Macaco" que acompanha e protege o monge Tang Xuanzang em busca dos escritos sagrados do budismo. A história e os feitos do "Rei Macaco" são consideradas lendas na China até hoje, e muito respeitadas. A história inspirou diversos mangás e animes no oriente, entre eles Dragon Ball, que tem entre os personagens macaco e porco. Alex Garland, Tameem Antoniades e o próprio Andy Serkis levaram a lenda para a América num belíssimo futuro pós-apocalíptico dominado por máquinas e robôs, e tiraram algum exagero fantástico dos poderes do "Rei Macaco", para deixá-lo mais realista.


O jogo começa com o único personagem controlável Monkey (Andy Serkis) preso numa câmara em uma nave-prisão das máquinas (chamados de 'mechs'), mas a sua frente está presa Trip (Lindsey Shaw do seriado teen Guia de Sobrevivência Escolar do Ned aqui fazendo um trabalho impecável) que hackeia a porta da câmara, sai, hackeia um computador de bordo próximo e foge deixando a nave se explodindo. Interessado nas motivações da moça, Monkey a persegue na nave num tutorial interessante que já revela as fraquezas do jogo em relação a resposta de movimentos. Quando finalmente a alcança ela já está numa cápsula de fuga, mas mesmo com ele pendurado do lado de fora, ela aperta o eject. Eles sobrevivem, mas quando Monkey acorda está usando uma bandana-coroa usada pelos guardas como forma de escravidão. Foi Trip quem hackeou e colocou nele para obrigá-lo a acompanhá-la e protegê-la até sua casa ao oeste, uma vila de humanos que tentam se manter livres das máquinas. As regras são simples, se ela morre, ele morre, e eles não podem se afastar muito. Aí já temos uma boa idéia de como será o jogo. São movimentos de le parkour ao estilo Prince of Persia, escaladas como em Uncharted, tiroteios de raios, armadilhas, quebra-cabeças melhores que os de God of War 3 e batalhas corpo-a-corpo simplórias, mas tudo isso com um bom sistema de melhorias.
Monkey e sua "nuvem"


Num mundo pós-pós-apocalíptico todo verde e com muita ferrugem, o jogo se destacou em 2010 pelo visual incrível e por colocar nos personagens um peso importante, dando a eles um desenvolvimento dramático excelente que fará os jogadores defendê-los carinhosamente. A lenda original dizia que o "Rei Macaco" podia voar montado em nuvens e névoas, e no jogo Monkey tem uma prancha tecnológica que ele chama de "nuvem" e traz algumas fases interessantes muito bem executadas. E Trip vai se revelando cada vez mais alguém mais forte do que parece, e é o centro de uma surpresa emocionante ao finalmente chegarem ao oeste. E Andy Serkis em pessoa aparece em alucinações que Monkey "coleciona" ao longo do jogo. Assim os problemas pontuais de câmera, resposta de movimentos lentos do parrudo Monkey e principalmente a queda de frames e distorções na imagem acabam sendo relevados por causa de como esta história vai sendo contada. Aliás acredito que o fato do jogo ter sido feito para o PS3 e X360 tenha causado estes problemas na imagem, já que um aparelho não é capaz de fazer o que o outro faz, e o jogo exagera nas cores, luzes e detalhes.
Pigsy


Num certo momento do jogo o personagem porco da lenda original finalmente aparece, é o bizarro aliado Pigsy, que vive num grande ferro velho cheio de armadilhas contra os 'mechs' e sofrendo com a solidão em que vive acaba tendo um interesse amoroso não correspondido por Trip, e tem várias cenas que variam de hilárias e cruéis até o fim do jogo. O jogo ganhou no final do ano passado um pacote de expansão para download pago chamado "Pigsy Perfect 10", onde você controla Pigsy, que é muito mais estratégico e lento que o grandalhão e brutal Monkey, numa jornada pela companheira robótica perfeita.


A Ninja Theory mostrou que tem talento para jogos que devem ser cada vez melhores, o que justifica sua contratação pela Capcom para renovar a série Devil May Cry, e já causou barulho com o novo visual do personagem principal Dante, mas agradou com as possibilidades de jogabilidade. É esperar pra ver.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Direto da Telona: Amor e Outras Drogas

Depois de vê-los juntos e em O Segredo de Brokeback Mountain, que apesar de não os apresentar como casal principal, tinham uma ótima química, Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway voltam a formar parceria nesse filme difícil de classificar seu gênero, Amor e Outras Drogas (Love and Other Drugs, USA, 2010).

Gyllenhaal é Jamie Randall, um cara inteligente que abandona a faculdade de medicina pra mostrar ao pai que tem controle sobre sua vida e torna-se vendedor de produtos eletrônicos em um magazine do ramo. A sequencia inical que nos mostra a facilidade de Jamie se relacionar, por ter ter um grande carisma é bem vibrante e hilária. Também ficamos sabendo que se trata de um "casanova", que alia o bonitinho e ordinário com boa lábia e consegue facilmente conquistar e se envolver com qualquer mulher.

Justamente um desses envolvimentos, acabam lhe custando o emprego e novamente o rapaz inteligente está sem emprego "de respeito" conforme dita sua familia.
Seu irmão Josh (Josh Gad), um nerd que ganhou muito dinheiro com ações de empresas de tecnologia, mas um fracasso total com as mulheres (e garante algumas risadas), o oposto do irmão bonitão, arruma um emprego para o Jamie como representante de vendas no ramo farmacêutico, na toda poderosa Pfizer

Uma nova ótima sequencia se põe na tela, com o super treinamento da gigante farmacêutica. Frases motivacionais, técnicas para falar rapidamente aos médicos sempre apressados, sobre as vantagens de receitar aos seus pacientes drogas produzidas pela Pfizer, as estatísticas que provam que os produtos Pfizer são melhores e mais eficientes. E dessa forma, um espectador mais atento, notará na verdade que por trás das piadas, está uma crítica a indústria farmacêutica interessada apenas no lucro de bilhões de dólares anuais e em que o bem estar do paciente ocupa um lugar bem menos importante.

É nesse momento que o filme dá uma guinada, pois até então, imagina-se que a película irá tratar da guerra das indústrias farmacêuticas, que desejam mais e mais pessoas dependentes de suas drogas para continuar aumentando suas vendas. Jamie, tentando achar meios de aumentar sua cota, tem ajuda de um médico de quem quer conquistar a confiança (Hank Azaria, de Godzilla), e assiste uma consulta da paciente Maggie Murdock (Anne Hathaway) e fica interessado na paciente que tem diagnostico precoce de Parkinson.

O tom continua de comédia, pois os dois entram num acordo de terem um relacionamento baseado apenas no sexo casual, rendendo situações engraçadas, até que o que era casual, torna-se importante e necessário para ambos. O filme ainda reserva boas piadas por conta do lançamento da droga que revolucionou a vida sexual de muita gente: Viagra. O "bonachão" Jamie, torna-se o representante da droga e as vendas acontecem sem esforço. Depois de mais algum tempo, o filme toma uma nova roupagem e se veste de sério. Mostra as dificuldades de se relacionar com uma pessoa portadora dessa doença. O tema da guerra entre as indústrias farmacêuticas, que vinha sendo abordado até então, é substituído pela busca de uma solução para o problema, o inconformismo com a aceitação de conviver com um mal que não tem cura.

Quase próximo do fim, o filme tenta jogar na tela um pouco de otimismo e chegamos a um final morno, mas que não é de todo ruim.

A qualidade desse filme, está talvez justamente no que muitos poderão pensar ser vulgar: a nudez. Com exceção de alguns filmes franceses, a nudez em Amor e Outras Drogas está teatral, tranquila e em harmonia com o momento. Os protagonistas estão confortáveis com a situação e não ficam o tempo todo tentando se esconder. Não espere ver nu frontal, mas a nudez foi trabalhada de modo a ser algo natural, sem ofender, como deve ser entre duas pessoas que se amam.

Por outro lado, o filme decepciona um pouco e chega a deixar a quem assiste confuso, justamente por não definir se será uma crítica a indústria farmacêutica, assim como Obrigado por Fumar o foi para a indústria do tabaco (o filme é baseado no livro Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman), ou se será um exemplo para como tratar os portadores de Parkinson ou se será um comédia romântica água com açúcar. Por isso no início do post disse ser difícil classificar o filme.

De qualquer modo, Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway ficaram ótimos juntos e é sempre bom ver bons atores em papéis que parecem descompromissados, mas mesmo assim, dando show de interpretação. Por isso, digo que vale a pena conferir.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O retorno dos "Gatos do Trovão"


Quem foi criança nos idos dos anos 80 e nunca ouviu falar de Thundercats definitivamente não teve infância. Talvez um dos melhores desenhos já produzidos, o cartoon contava a história dos sobreviventes do planeta Thundera, destruído logo no primeiro episódio. A nobreza de Thundera, os Thundercats, são perseguidos por seus maiores inimigos, os mutantes de Plun-Darr, que querem a todo custo por suas mãos na Espada Justiceira, que tem o Olho de Thundera incrustado em si. E, sim, ela dá a visão além do alcance. Os felinos caem no Terceiro Mundo, onde se estabalecem e passam a enfrentar, além dos mutantes, uma nova ameaça: Mumm-Ra, o de vida eterna.

A história se desenrolou ao longo de 4 temporadas, sempre trazendo ótimas histórias e personagens. As atitudes, os poderes, o porte de Lion-O, Panthro, Tygra, Cheetara, WilyKat, WilyKit inspiravam todas as brincadeiras em vários pátios de diversos prédios espalhados pelo mundo. A inocência e "covardia" de Snarf eram cômicas e cativantes. A malvadeza atrapalhada de Escamoso, Chacal, Simiano e Abutre contrastavam com a mente doentia de Mumm-Ra. Quem conseguia piscar quando o ser decrépito começava a entoar o bom e velho "Antigos espíritos do mal, transformem esta forma decadente em MUMM-RA! Que tem vida eteeeeeeeeerna!"? Eu não...



Pois bem. Eles estão de volta. Ou melhor, estão se preparando para retornar. A produção, a cargo de Michael Jelenic, está em desenvolvimento e deve estrear em 2011. Mas as primeiras imagens foram divulgadas. E a ansiedade chegou junto. A promessa do produtor é simplificar a mitologia, mas não deixar de lado o dinamismo da produção dos anos 80. Na primeira imagem oficial percebe-se que os traços, bem como as cores dos personagens, continuam semelhantes ao original. Um bom banho de modernidade, mas nada que assuste.

Eu, particularmente, gostei do que vi. É difícil opinar somente em cima de imagens, mas fica a vontade de rever personagens que tanto povoaram a minha infância. Agora é só esperar pelo momento em que Lion-O voltará a empunhar a Espada Justiceira e gritar:

THUNDER - THUNDER - THUNDERCATS HOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Rio e os Estereótipos


Ao co-dirigir o primeiro A Era do Gelo, o brasileiro Carlos Saldanha chamou a atenção da Fox e do estúdio de animação Blue Sky por ter criado o personagem mais  emblemático da série, o esquilo Scrat. Também autor de efeitos visuais do filme Clube da Luta, na época que o estúdio fazia trabalhos de efeitos visuais, não demorou pra ele ser promovido a diretor de A Era do Gelo 2, e chegando ao ápice técnico e narrativo em A Era do Gelo 3D. Pois agora em 2011 ele pôde realizar seu sonho, e fazer um projeto todo seu, uma homenagem ao Brasil no longa metragem de animação Rio.

Mas tem muita gente aqui no mundo virtual questionando se o longa é benéfico ou depreciativo ao nosso país e talvez principalmente ao nosso orgulho próprio. Por questões óbvias o filme precisa mostrar certos estereótipos para deixar bem claro no imaginário do espectador se passa no Brasil, então pelo trailer podemos ver mulheres "popozudas" em biquinis, macacos que roubam coisas, Carnaval, samba, praia e até maracas (que nem tem tanto a ver com Brasil).

Mas a questão é se isto realmente é importante. Não acredito que o diretor tenha concebido um filme que faça uma imagem negativa do país. Pelo contrário! Esse lance de nos ofendermos com estereótipos talvez seja coisa de gente estereótipada. Em todo o mundo há povos estereótipados, mesmo no cinemão americano você os vê estereotipando certas regiões, e eles não se sentem ofendidos por isto, afinal faz parte da cultura de cada região. Nós realmente temos lindas mulheres de biquini, temos muitas praias incríveis e lotadas, temos macacos (e todo macaco é ladrão, ou melhor dizendo, curioso) assim como países da América do Norte têm ursos, temos samba de qualidade e de nem tanta qualidade, temos Carnaval, pássaros, alegria e acho que só não temos maracas. Enfim, isto faz parte de nossa cultura, e seria interessante aceitarmos ela, porque ela não vai se tornar uma cultura estadounidense só porque não queremos ser estereotipados de qualquer forma.

O filme em si tem tudo pra ser um sucesso. A dona da arara azul Blu (com voz de Jesse Eisenberg de A Rede Social) descobre que ele é uma espécie em extinção e resolve levá-lo de Minnesota para o Rio de Janeiro pra acasalar com Jewel (voz de Anne Hathaway de O Diabo Veste Prada), também de sua espécie. Mas atrapalhado, e sem saber voar, ele e Jewel partem para uma aventura de descoberta da cidade maravilhosa e deles mesmos. E há cenas engraçadas, divertidas e românticas de montão. E um dos pontos fortes é a trilha sonora instrumental assinada por John Powell, que tem assinado a trilha da maioria das animações dos últimos anos, mas com a ajuda de Sergio Mendes, que compôs até músicas de carnaval e chamou o amigo Will.i.am do Black Eyed Peas (que dubla um personagem no filme) pra cantar alguma coisa. Rodrigo Santoro dubla um ornitologista na versão original. O filme estreia no Brasil dia 8 de abril, logo depois no resto do mundo, mas o lançamento mundial, quando começam as divulgações mais intensas será em março no Rio de Janeiro. O filme foi produzido em assossiação com a Fox do Brasil e O2 Filmes de Fernando Meirelles.