
Antevéspera de natal e a Liga de Poltrona se reuniu para assistir ao filme TRON: o Legado (2010) em 3D, na única sala IMAX de SP. O filme muito prometia, com seus belos trailers e promessas de efeitos visuais maneiríssimos, mas - como todo bom cinéfilo - sempre esperamos um pouco mais. Maldita expectativa!
O filme começa alguns anos depois do fim do primeiro. Flynn (Jeff Bridges) agora tem um filho, perdeu a esposa e enfrenta problemas na empresa, junto ao seu conselho. Acaba por desaparecer e, 20 anos depois, seu filho Sam (Garrett Hedlund) consegue adentrar A Grade, buscando por seu pai desaparecido.
As homenagens ao original estão presentes em todo o filme, seja através de cenas semelhantes às do primeiro, seja por meio de diálogos. Muitos personagens aparecem ou são mencionados e os veículos virtuais só passaram por um banho de modernidade, mas são, essencialmente, os mesmos. Os efeitos visuais, em especial os que geraram CLU, a imagem de Jeff Bridges mais novo, impressionam. A fotografia, detalhada e neon, no entanto se torna cansativa depois de algum tempo. O 3D não se justifica, sendo quase inócuo na maioria das cenas.
O roteiro é confuso, envolvendo um entra-e-sai de personagens que não são bem explicados e nem bem resolvidos. Algumas cenas são desnecessárias e alguns diálogos, risíveis. Outras cenas, de luta e perseguição, acabam ficando difíceis de acompanhar dada a grande quantidade de cortes. Talvez o fato de ter um diretor oriundo de comerciais tenha sido determinante para que a sensação ao final da projeção seja um pouco blasé. Eu, particularmente, gostei mais da corrida de Light Cycles do primeiro filme do que da deste.
Quando escrevi o primeiro post, sobre o primeiro filme, elogiei a originalidade que, curiosamente, falta a essa continuação. Por alguns momentos me peguei pensando se não assistia a Matrix: Reloaded, dada a semelhança de algumas situações. Existe até um Pseudo-Merovingian chamado Zuze no filme.
A trilha sonora é ótima, mas em alguns momentos soa um pouco exagerada (acho que mais por problemas com as cenas do que com a música em si). Exageros à parte no excesso de tempo de tela, é mais do que justa a homenagem feita ao Daft Punk. Os dois aparecem devidamente fardados com seus capacetes e controlando a festa.
Enfim, não é um dos melhores filmes do ano. Aliás, passa longe da lista dos dez ou vinte melhores. Pode funcionar para quem procura somente diversão nesse verão. Mas não espere mais do que isso. A odisséia iniciada no primeiro encontra final abrupto nesse segundo.



