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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

DIRETO DA TELONA: As Aventuras de Pi

A obra de Scliar e Martel: plágio?
Um garoto que sobrevive ao naufrágio do barco que o está levando para outra terra onde existe a promessa de uma nova vida, tem que dividir o bote salva-vidas com uma fera. Se você pensou em As Aventuras de Pi, errou!

Essa é a história do livro do autor brasileiro Moacyr Scliar, Max e os Felinos, que serviu de inspiração, segundo o autor Yann Martel, para o seu Life of Pi.

Claro que as coincidências das histórias levam a pensar em plágio, o que é realmente plausível.
As Aventuras de Pi tem
 11 indicações ao Oscar
Dois garotos que sobrevivem ao naufrágio de um navio - um deles saindo da Alemanha indo para o Brasil, o outro indo da Índia para o Canadá. Ambos os navios cheios de animais: um deles vindos de um circo, o outro de um zoológico. Os garotos precisam sobreviver num bote no meio do oceano dividindo esse bote com uma fera: um jaguar no caso do alemão, e um tigre-de-bengala no caso do indiano. São coincidências demais pra não suspeitar de plágio.

Apesar da polêmica, Scliar decidiu não processar o autor canadense pelo seu Life of Pi, que acabou virando um longa na mão do diretor premiado com o Oscar por Brokeback Mountain (2005) Ang Lee e o não tão elogiado Hulk (2003).

As Aventuras de Pi é um filme para ser apreciado, apesar da mancha de plágio que cerca a obra literária, pois Ang Lee explora os efeitos especiais de maneira a nos deixar boquiabertos com um show de cores e tons. Infelizmente não pude assistir esse filme na sala 4D, mas teria sido uma experiência interessante, visto que a cena do naufrágio e das mazelas que o garoto Piscine Patel, ou apenas Pi, tem que enfrentar em seu bote são de movimentos que variam do singelo ao intenso em poucos segundos.

O uso de cores no filme é intenso!

A história que começa na Índia, uma parte colorida e com uma seqüência divertida sobre o nome do garoto Pi que se perde na tradução para o português. Assiti ao filme no idioma original e insisto que se você não quer perder esse ótimo jogo de palavras, não assista ao filme dublado - no meu ponto de vista, uma praga que tem invadido os cinemas brasileiros!

Após anos lutando para manter o zoológico da familia aberto, o patriarca decidi mudar-se com todos para o Canadá, inclusive com a bicharada. Mas no meio da viagem, uma tempestade acaba por afundar o navio e Pi se vê sozinho dividindo o bote salva-vidas com um tigre-de-bengala, ou Richard Parker.

Tolerância para a sobrevivência
A partir desse momento, ambos passam os momentos se estudando, tudo em nome da sobrevivência.
É certo que toda a magia da história, que está sendo contada por um Piscine agora estabelecido em Montreal para um jornalista incrédulo ao que ouve, também o fará pensar se toda essa experiência não é uma invenção de uma mente perturbada por tanto tempo à deriva no oceano, porém aos que gostam de filmes que não trazem respostas prontas, As Aventuras de Pi é um prato cheio.

A beleza do filme, com imagens de tirar o fôlego, não se resume apenas ao visual, mas no conflito que todos trazemos sobre o que pode acontecer quando nossa sobrevivência está em risco.

É claro que a As Aventuras de Pi, indicado ao Oscar em 11 categorias incluindo Melhor Filme e Diretor, não é apenas um filme de visual estonteante, mas de expor nossas reações diante dos "Richard Parkers" de nossa existência, seja diante da ditadura como no livro de Scliar, ou de outras feras.

Filme: As Aventuras de Pi (EUA, 2012)
Direção: Ang Lee
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Adil Hussain, Rafe Spall, Gérard Depardieu
Gênero: Aventura, Drama

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Direto da Telona: As Aventuras de Tintim

Provavelmente, em alguns anos, a Academia deverá criar um prêmio para distinguir uma categoria que vem crescendo em Hollywood – a de filmes feitos com captura de movimentos dos atores. Esse tipo de filme vem crescendo, aumentando o realismo das cenas, já que um ator as fez, e facilitando a vida os responsáveis pela animação, que pode usar o movimento dos atores para dar vida aos personagens, já que não precisará inventar a maneira de andar ou até mesmo os trejeitos.

Desde a trilogia “O Senhor dos Anéis” em que a personagem Gollum herdou os movimentos de Andy Serkis e a finalização de arte com os técnicos da empresa de Peter Jackson, a Weta Digital, discute-se na Academia se um ator que atuou para a captura de movimentos pode concorrer ao Oscar de Melhor Ator, afinal, houve atuação, mas a finalização não é do ator, e sim de um cara especializado em informática. Enfim, isso ainda renderá boas discussões até que se chegue a um veredito.

Tudo isso para falar que filmes com captura de movimentos são mais comuns a cada ano, e talvez tenha chegado ao seu ápice atual com “As Aventuras de Titntim – O Segredo do Licorne” (The Adventures of  Tintin, 2011) filme dirigido por Steven Spielberg com produção executiva de Peter Jackson.

O filme é baseado em duas obras do repórter aventureiro Tintim, criado pelo cartunista belga Hergé – O Caranguejo das Tenazes de Ouro e O Segredo do Licorne. As peripécias de Tintim ganharam forma a partir dos relatos que Hergé tinha acesso na época em que trabalhava no jornal Le XXe Siècle e nas próprias viagens que fez por alguns países da Europa. Hergé conheceu Spielberg meses antes de falecer e expressou sua preferência que se Tintim fosse parar no cinema, que fosse pelas mãos de Spielberg.

Os anos se passaram e Spielberg diz ter esperado o momento certo para trazer à tela grande a personagem que é admirada e lida por várias pessoas ao redor do mundo. É aquela velha história de que ainda não havia disponível uma tecnologia que fosse capaz de traduzir o que ia na mente do diretor. Pelo visto, valeu mesmo esperar.

Aliado às excelentes atuações de Jamie Bell (Tintim), Andy Serkis (Capitão Haddock) e de Daniel Craig (Rackham) e a perfeição da pós-produção do pessoal da Weta Digital, o filme parece estar ligado no 220V desde o início! Quase não há momentos em que o espectador fique sem momentos grandiosos e de intensa ação para assistir. O 3D do filme funciona muito bem, oferecendo uma sensação de realismo como que inserindo a plateia na tela. É claro que algumas das melhores e mais divertidas cenas ficam por conta do cachorro e fiel amigo de Tintim, Milu, e possivelmente se na plateia houver muitas mulheres, você ouvirá alguns “ahhhh” nas cenas em que o fox terrier banco aparecer.

O filme é divertido, ágil e empolga a cada dez minutos, com sequências de tirar o fôlego. A parceria Spielberg-Jackson, dois apaixonados pela obre de Hergé,  proporciona um dos melhores filmes das férias e que atende à todos os públicos.

Talvez você notará algumas cenas em que pensará – já vi isso antes! – e como não sou leitor das obras e me lembro vagamente dos desenhos que assistia na infância, não sei dizer se elas foram tiradas de alguns filmes ou se faziam parte das histórias originais. Mas você verá na abertura uma bonita sequência que lembrará Prenda-me se for Capaz, um encontro de navios que parece ter sido tirado de Piratas do Caribe – No Fim do Mundo, e uma perseguição de moto que lembra Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.


Tomara que a fraca arrecadação nos Estados Unidos – após um mês em cartaz, o filme chegou a US$72 milhões – não atrapalhe os planos de uma possível sequência, pois o restante do mundo está sabendo apreciar o filme mais divertido de Spielberg desde Jurassic Park. Se for conferir nos cinemas, prefira a exibição da Sala Imax (no Shopping Bourbon Pompéia, a única em São Paulo), fará toda a diferença!