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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Direto da Telona: As Aventuras de Tintim

Provavelmente, em alguns anos, a Academia deverá criar um prêmio para distinguir uma categoria que vem crescendo em Hollywood – a de filmes feitos com captura de movimentos dos atores. Esse tipo de filme vem crescendo, aumentando o realismo das cenas, já que um ator as fez, e facilitando a vida os responsáveis pela animação, que pode usar o movimento dos atores para dar vida aos personagens, já que não precisará inventar a maneira de andar ou até mesmo os trejeitos.

Desde a trilogia “O Senhor dos Anéis” em que a personagem Gollum herdou os movimentos de Andy Serkis e a finalização de arte com os técnicos da empresa de Peter Jackson, a Weta Digital, discute-se na Academia se um ator que atuou para a captura de movimentos pode concorrer ao Oscar de Melhor Ator, afinal, houve atuação, mas a finalização não é do ator, e sim de um cara especializado em informática. Enfim, isso ainda renderá boas discussões até que se chegue a um veredito.

Tudo isso para falar que filmes com captura de movimentos são mais comuns a cada ano, e talvez tenha chegado ao seu ápice atual com “As Aventuras de Titntim – O Segredo do Licorne” (The Adventures of  Tintin, 2011) filme dirigido por Steven Spielberg com produção executiva de Peter Jackson.

O filme é baseado em duas obras do repórter aventureiro Tintim, criado pelo cartunista belga Hergé – O Caranguejo das Tenazes de Ouro e O Segredo do Licorne. As peripécias de Tintim ganharam forma a partir dos relatos que Hergé tinha acesso na época em que trabalhava no jornal Le XXe Siècle e nas próprias viagens que fez por alguns países da Europa. Hergé conheceu Spielberg meses antes de falecer e expressou sua preferência que se Tintim fosse parar no cinema, que fosse pelas mãos de Spielberg.

Os anos se passaram e Spielberg diz ter esperado o momento certo para trazer à tela grande a personagem que é admirada e lida por várias pessoas ao redor do mundo. É aquela velha história de que ainda não havia disponível uma tecnologia que fosse capaz de traduzir o que ia na mente do diretor. Pelo visto, valeu mesmo esperar.

Aliado às excelentes atuações de Jamie Bell (Tintim), Andy Serkis (Capitão Haddock) e de Daniel Craig (Rackham) e a perfeição da pós-produção do pessoal da Weta Digital, o filme parece estar ligado no 220V desde o início! Quase não há momentos em que o espectador fique sem momentos grandiosos e de intensa ação para assistir. O 3D do filme funciona muito bem, oferecendo uma sensação de realismo como que inserindo a plateia na tela. É claro que algumas das melhores e mais divertidas cenas ficam por conta do cachorro e fiel amigo de Tintim, Milu, e possivelmente se na plateia houver muitas mulheres, você ouvirá alguns “ahhhh” nas cenas em que o fox terrier banco aparecer.

O filme é divertido, ágil e empolga a cada dez minutos, com sequências de tirar o fôlego. A parceria Spielberg-Jackson, dois apaixonados pela obre de Hergé,  proporciona um dos melhores filmes das férias e que atende à todos os públicos.

Talvez você notará algumas cenas em que pensará – já vi isso antes! – e como não sou leitor das obras e me lembro vagamente dos desenhos que assistia na infância, não sei dizer se elas foram tiradas de alguns filmes ou se faziam parte das histórias originais. Mas você verá na abertura uma bonita sequência que lembrará Prenda-me se for Capaz, um encontro de navios que parece ter sido tirado de Piratas do Caribe – No Fim do Mundo, e uma perseguição de moto que lembra Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.


Tomara que a fraca arrecadação nos Estados Unidos – após um mês em cartaz, o filme chegou a US$72 milhões – não atrapalhe os planos de uma possível sequência, pois o restante do mundo está sabendo apreciar o filme mais divertido de Spielberg desde Jurassic Park. Se for conferir nos cinemas, prefira a exibição da Sala Imax (no Shopping Bourbon Pompéia, a única em São Paulo), fará toda a diferença! 




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Breve na TV: Smash

Em 1886, uma peça de teatro de mais de 5 horas de duração estreou em Nova Iorque usando dança e músicas originais pra contar sua história. A região do Distrito do Teatro, que acabou denominada 'Broadway' por estar na hoje na mais agitada área da rua Broadway na Ilha de Manhattan, já existia a todo vapor, mas depois deste primeiro musical, o teatro americano se destacou e se diferenciou de seu irmão londrino. 

Em 1881, um cara chamado Tony Pastor (que mais de 60 anos depois daria nome a um prêmio importante) fez uma série de musicais ainda mais originais, e principalmente profissionais que definiu o que conhecemos como "musical da Broadway" hoje. Desde então cantar, dançar e atuar virou uma tradição no teatro americano, e uma grande jornada pros atores que fazem este caminho. Tradição esta que tomou conta do cinema após a Segunda Guerra Mundial, e bem mais tarde começou a aparecer esporadicamente nas séries televisivas também. 

"I am beautiful..."
Mas a partir de 1985, com o fim da União Soviética, os musicais na tv e cinema precisaram passar por uma reforma pra tratarem de temas que falassem menos da sociedade americana, mas as paródias que pouco agregam se proliferam, e "Evita" se torna um grande fracasso nos cinemas em 1996. O cinema só voltaria a produzir musicais depois de "Moulin Rouge" em 2001. E a tv tenta fazer um seriado musical em 2007 com "Viva Laughin" produzido por Hugh Jackman, mas que fracassa pela história fraca e números dublados. Mas em 2009 estréia "Glee" criado por Ryan Murphy, e com os prêmios e audiência parece ser bem viável fazer musicais na televisão tão profissionais quanto no teatro.

Provavelmente pensando nisso Steven Spielberg (sempre ele) e alguns nomes acostumados com adaptações de musicais pro cinema resolveram produzir a série dramática "Smash" que mostre os bastidores de um musical na Broadway. A série conta a história de dois amigos (Debra Messing de "Will & Grace" e Christian Borle, com experiência de musicais) que querem fazer um musical sobre Marilyn Monroe, aproveitando os 50 anos de morte da atriz. Cada um tem seus próprios problemas pra resolver, além de precisarem da produção executiva da personagem vivida por Anjelica Houston, que está passando por um financeiramente turbulento divórcio, e a direção do genial mas complicado Derek (vivido pelo inglês Jack Davenport). Mas a série tende a ficar focada na morena Karen, personagem vivida pela ex-participante do "American Idol" Katherine McPhee, que disputa o papel de Marilyn com a platinada experiente Ivy (Megan Hilty). São as duas que mostrarão quão difícil é se dedicar a um musical da Broadway, e ter que abrir mão de muitas coisas e conceitos.
O ótimo número do baseball

A série estréia apenas dia 6 de fevereiro nos EUA, mas está tendo seu episódio piloto distribuído há algumas semanas pra tentar conquistar o público. O que se vê por este piloto é que a série não pode ser muito comparada com "Glee", que tem o humor corrosivo e altamente crítico de Ryan Murphy, pois fica bastante na superfície dramática da trama e de seus personagens. E as sequências musicais deste piloto são poucas, mas deve-se considerar que das músicas cantadas, apenas "Beautiful" da Christina Aguilera não era original. A série deve então se apoiar em músicas criadas para o musical fictício de Marilyn Monroe, deixando pouco espaço para músicas populares.

Pode parecer perseguição, mas Steven Spielberg estar na produção não me inspirou muita confiança em termos algo no mínimo original em qualquer aspecto. Tanto que não sou apenas eu a dizer que "Smash" é um "Glee" sem humor com o recente filme "Cisne Negro" sem a paranóia aterrorizante. Mas pode surpreender pela enorme quantidade de referências e participações que terá aos musicais da Broadway turística. E homenagear Marilyn Monroe não é nada deselegante.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Direto da Telona: Cavalo de Guerra

O novo filme do grande diretor Steven Spielberg, “Cavalo de Guerra” (War Horse, 2011) é um filme feito para emocionar e te levar às lágrimas. Ponto. Baseado na obra de Michael Morpurgo, antes de Spielberg se apaixonar pela obra, ela já foi encenada nos palcos de Londres, da Broadway e irá estrear em fevereiro em um teatro de Toronto, Canadá.

Meus companheiros da “Liga da Poltrona”, Carlos (@homemdosdados) e Juliano (@Juliano_S_Viana), sempre tentam me convencer que Spielberg não é um grande diretor como se ventila mundo afora e como pensava Dawson Leery, mas seu sucesso deve-se à equipe que ele reúne e que sempre produzem bons filmes. Pois acho que o mérito dele está justamente aí: dirigir, e no meu ponto de vista muito bem, os melhores em suas especialidades para nos brindar com obras cinematográficas que logo se tornam novos clássicos.

Entrar no cinema sabendo que o filme é dirigido por Spielberg, é sabido que em algum momento, o diretor vai colocar uma cena ou uma sequência acompanhada da trilha sonora do mago John Willians que irá te levar a embargar e aparecer aquela lágrima no canto do olho. Se o filme tiver um animal então, é melhor levar ao cinema um lenço para enxugar as certeiras lágrimas que correrão solta. Sabendo disso, não entendo o estardalhaço de alguns críticos que chegam a colocar “Cavalo de Guerra” como um dos piores filmes já feitos por Spielberg. Baseado em um livro dirigido ao público infantil e que leva o rótulo de “filme família”, o diretor não iria reinventar uma fórmula que sempre funcionou e funciona muito bem.

Talvez estejamos ficando mal acostumados com superproduções que envolvam uma montanha de dinheiro e muitos efeitos especiais e deixando coisas simples como a amizade e perseverança para o plano da fantasia. É bom ver um filme que tenta chamar a atenção para valores que realmente importam e nos levar a refletir um pouco mais sobre isso. Se vier acompanhado de belas imagens, uma fotografia impecável – do sempre colaborador de Spielberg, Janusz Kaminski, de “O Resgaste do Soldado Ryan, Amistad, entre outros, e que meus amigos atribuem grande parte do sucesso de Spielberg – e da trilha sonora do sempre gênio John Willians, porque não se deixar emocionar? Afinal, os seres humanos ainda são capazes de agir com a emoção às vezes. Pelo menos é que quero acreditar.

O filme se passa na Inglaterra, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial. Com belas cenas de uma paisagem idílica, vemos a amizade de um garoto, Albert Narracott (o novato Jeremy Irvine) com seu potro Joey. Sua tarefa não é nada fácil – domar o animal para que ele sirva para arar o campo da fazenda que a família arrenda do impiedoso Lyons (David Thewlis, o Professor Lupin da série “Harry Potter”). Apesar da amizade entre o animal e o garoto, o pai do rapaz (Peter Mullan) é forçado a vender o potro para o exército inglês e assim saldar as dívidas da fazenda.

Acompanhamos então a saga do animal nos campos de batalha, em uma guerra cruel em que se vê a ânsia do homem pela morte. A Primeira Grande Guerra Mundial foi um ponto importante de mudança na história das guerras, pois foi o início da industrialização da matança, com tanques, canhões poderosos e metralhadoras. Deixa-se de usar espadas e cavalos; o número de soldados não importa mais, apenas quantas metralhadoras e munição se possui. Uma sequência lindíssima da cavalaria avançado pelo campo é brutalmente cortada pelo poder de fogo do exército alemão.

O cavalo Joey então, passa para o exército alemão e assim vai trocando de mãos. Com maestria, o diretor consegue closes dos olhos do animal, que parece nos indagar o que está a acontecer; afinal, esses olhos viram seu dono se despedir, seu novo cavalheiro – o capitão Nicholls, interpretado muito bem por Tom Hiddleston, o Loki de “Thor” – cair em batalha, um pajem ser executado por deserção, uma garotinha ficar aos prantos, umas máquinas que causavam um tremendo barulho seguido de muita fumaça e uns arames que se enroscavam pelas patas causando bastante dor. Resumindo: “Cavalo de Guerra” é um filme violento, que revela uma pequena parte de como a Primeira Guerra Mundial foi brutal e selvagem.

Após esses grandes fatos, prepare o lenço, pois vem uma sequência de cenas que te deixarão com um nó na garganta, afinal, manipular sentimentos, é uma arte que Spielberg domina bem. Destaco a sequência do encontro entre o soldado inglês (Toby Kebbell, de “Aprendiz de Feiticeiro) e o soldado alemão (Hinnerk Schönermann) – que mostra o quão estúpido são os motivos que levam os países e as pessoas as guerras.

Talvez alguns ficarão incomodados com a “homenagem” que Spielberg quis fazer à “... E o vento levou”. Apesar de bonita, me pareceu um tanto exagerada e totalmente destoante das cores e tons utilizados durante o filme. Parece que de repente, você está assistindo à um outro filme. Exceto por esse deslize, “Cavalo de Guerra” é o tipo de filme para admirar e assistir com a família reunida.




domingo, 8 de janeiro de 2012

Vale Assistir: SUPER 8


Não é por acaso que, cada vez mais, Hollywood busca inspiração para remakes nos anos 80. Ao longo dessa década, diversos filmes alegraram e marcaram muitas pessoas que, posteriormente, se tornaram fãs fiéis até os dias de hoje. Filmes como Caçadores da Arca Perdida, E.T., Gremlins, Os Goonies e assim por diante. É um sem número de filmes bons e muitos bons diretores da nova safra curtiram muitos desses, como nós. Entre eles temos J.J. Abrams. E bastou um "empurrãozinho" de um certo Steven Spielberg (que dirigiu muitos desses grandes dos anos 80) para que surgisse um dos melhores filmes de 2011: SUPER 8 (Super 8, 2011).

Dirigido e escrito por J.J. Abrams, produzido por Spielberg, é um filme que mistura ação e ficção em uma cidade pacata de Ohio - daquelas que tem uma única indústria onde todos trabalham - nos idos de 1979. Somos apresentados a um grupo de garotos, amantes de cinema, que assumem (cada um) seu papel na produção de um filme. Temos o diretor, o ator, o responsável pela parte técnica e o maquiador e "maqueteiro". Este último, Joe - que será nosso personagem principal - perdeu a mãe e tenta equilibrar sua vida ao lado do pai. Eles filmam usando uma câmera super-8 e, durante a noite, em uma de suas incursões, acabam por filmar um acidente de um trem, liberando algo desconhecido que mudará a rotina da pacata cidade.

Como tudo em que toca J.J. desde o sucesso de Lost, esse filme foi acompanhado com olhos atentos por toda a imprensa e pelos fãs. Qualquer nota que surgia gerava um certo rebuliço, mas a produção soube proteger muito bem os seus segredos e, mesmo sabendo de detalhes do filme pela sinopse, a expectativa era grande. E o que vemos em tela corresponde completamente a esse sentimento.


Abrams sabe utilizar com coerência o papel que o suspense tem nos dias atuais. Dito isso, SUPER 8 merece mais a comparação com Tubarão ou Cloverfield (pelo suspense ao redor da criatura) do que com o óbvio E.T. Diversas técnicas são empreendidas para acalentar a curiosidade do público, com reflexos em espelhos ou água, ou mesmo com copas de árvores que se mexem repentinamente. Tudo muito bem calculado e executado. A trama envolvendo os garotos e sua investigação prende como Richard Donner outrora o fez em Os Goonies.

O filme é autêntico e dá mostras de alguém apaixonado por cinema e influenciado pela filmografia que o acompanhou. O elenco infantil está muito bem, em especial Elle Fanning. A cena em que a menina ensaia na estação do trem, antes da gravação efetiva, e de quedar o queixo, não só da audiência, mas também dos próprios companheiros de projeto. Projeto esse, aliás, que nos é mostrado logo ao final do filme, durante os créditos. Toda a sequência final impressiona. Mas não são os efeitos que se sobressaem e sim o momento entre Joe e seu pai (um policial vivido por Kyle Chandler, a figura de autoridade), tocante e embalado pela brilhante trilha sonora de Michael Giacchino.

Tecnicamente, não posso deixar de mencionar o acidente do trem, de uma grandiosidade típica de Abrams (basta lembrar do início de Lost e a queda do Vôo 815 da Oceanic). Além disso, certas metáforas visuais são brilhantes, como o plano em que um tanque de guerra destrói um parquinho de crianças frente aos olhos incrédulos dos garotos, que tem sua infância arrancada de forma bruta pelos militares. E, sem querer me repetir, a interpretação de Elle Fanning é daquelas que te fazem acessar o IMDB para descobrir outros filmes com ela, só para poder prolongar a intensidade com que ela se entrega.


Esse filme toca em memórias afetivas para quem vivenciou o cinema nos anos 80. Aproveite para viajar e relembrar os seus filmes inesquecíveis. É quase como adentrar o delorean e viajar para o passado, lembrando de mais uma grande produção da época. Para quem estiver disposto a vivenciar o mundo espetacular do cinema, Super 8 vira Super 80!