domingo, 9 de janeiro de 2011

Direto da Telona: INCONTROLÁVEL


O cinema é arte. E a vida imita a arte, certo? Nem sempre. Não quando um filme começa pelas palavras BASEADO EM FATOS REAIS. Essas poucas palavras sinalizam para nossos cérebros que estamos diante de algo que ocorreu. E não interessa se foi parcialmente. O fato é um só: a arte agora nos MOSTRA a vida.

INCONTROLÁVEL (2010) acaba de entrar nos trilhos de nossos cinemas. Tony Scott está brincando novamente com a mesma máquina (no último eram metrôs, mas estão no mesmo patamar que trens, certo?) e com o mesmo ator. Denzel Washigton retoma a parceria e, dessa vez, nos traz um bom filme de ação, acima da classificação "Sessão da Tarde" que o último mereceu.

Temos um trem não-tripulado e acelerado, carregando materiais inflamáveis que, nas palavras de Connie (Rosario Dawson), é um "míssil do tamanho do edifício Chrysler" e vai em direção a áreas populadas.

O filme, Unstoppable no original, realmente não para. Para quem tem uma noção do que o espera, a angústia não tarda a aparecer, com o trem desgovernado. O roteiro acelera, com o perdão do trocadilho, para não mais frear. O clímax me prendeu à poltrona. Só voltei a respirar quando os créditos finais começaram.

Denzel Washigton (O Livro de Eli) nos brinda com mais uma atuação segura, seguido de perto por Chris Pine (Star Trek), talvez alvo de excessivos closes faciais. Rosario Dawson (belíssima como sempre) transmite bem o vigor de sua personagem. A fotografia e a direção também vão bem e alguns movimentos de câmera denotam boa inspiração. Os efeitos também são bons, com pequenos incômodos no uso do CGI em algumas cenas.

Ótima diversão de verão, merece ser conferido. Mas corra, porque esse trêm não está afim de esperar por ninguém. Todos a bordo!

TRAILER:


NOTÍCIA DO FATO REAL:

Direto da Telona: Pernas pro ar, humor pra baixo.

Quando assistimos a um trailer de comédia, a maioria das pessoas, ou pelo menos aqueles com um pouco mais de visão crítica, sempre perguntam-se “essas são as melhores piadas?” Pode-se dizer que “De Pernas pro Ar” (Brasil, 2010) com Ingrid Guimarães e Maria Paula responde quase na totalidade essa pergunta, se não fosse por duas ou três outras piadas que foram deixadas para o filme.
Histórias de pessoas que são viciadas em trabalho ou tenham qualquer outra obsessão e deixam a família e a própria felicidade para segundo plano, tem aos montes no cinema. Nessa comédia, o interessante é que depois de ser demitida de uma empresa de brinquedos – numa cena aliás, clichê ao extremo – a personagem Alice (Ingrid Guimarães) acaba indo trabalhar numa Sex Shop, ambiente oposto ao anterior e de certo modo um tabu entre os brasileiros - até aí sem problemas, pois isso é revelado no trailer. Ela transforma uma loja “xexelenta” em um negócio lucrativo e acaba por obter o tão sonhado sucesso profissional. Entretanto, o filme chega ao final tentando dar uma lição de moral (lição de moral em comédia é sempre ótimo!) mas na última cena, perde totalmente o sentido. “De pernas pro ar” é um filme de comédia que “tenta” divertir e dar uma lição de moral mas mal consegue fazer uma coisa e nem chega perto de fazer outra! Culpa de um roteiro confuso que não diz exatamente a que veio.
As atuações de Ingrid Guimarães e Maria Paula são preguiçosas. Isso mesmo. Parece o tempo todo que elas estão com preguiça de atuar. Ingrid não convence que está triste quando a personagem precisa passar essa idéia e as piadas em geral saem muito técnicas. Maria Paula parecesse mais com uma travesti mal intencionada que com uma mulher sensual que almeja ganhar dinheiro com seus dotes.
O filme no geral perde a oportunidade de transformar um assunto que poderia além de render boas piadas problematizar a questão da sexualidade de maneira divertida, mas acaba por se transformar em um monte de banalidades ao expor que para a mulher ter sucesso, ela "ainda" precisa pensar na relação que tem em casa. Isso fica muito claro ao final do filme quando vem à tona ao mostrar que aquilo que se pensava estar resolvido, na verdade, está longe de se tornar realidade na vida da personagem e de milhares de mulheres.
"De pernas pro ar" é um caça-níquel de verão prometendo piadas com um assunto manjado. Pra rir, só com cócegas! E olhe lá...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Nós sentimos, vimos os sinais e agora está acontecendo!

No último dia de 2010 e nos primeiros dias deste ano, milhares de pássaros morreram mundo afora. Foram milhares no estado do Arkansas, e 500 na Louisiana, nos EUA. Dezenas na Suécia e centenas na Itália. Também no Arkansas, 100 mil peixes amanheceram mortos, assim como 60 toneladas no Paraná. Isso sem contar os casos de mortes de cardumes espalhadas durante todo o ano de 2010.
Em 2007, os EUA também viveram um grande mistério. Mais de 24 estados sofreram o sumiço de mais de 50% de suas abelhas, o que causou sérios problemas para a agricultura. Não haviam corpos ou pistas dos motivos que fizeram milhares de abelhas abandonarem as colméias e as rainhas, e o mistério ainda perdura. Hoje sabemos que o problemas atingiu parte da Europa e até mesmo o Brasil. Uma das causas apontadas hoje em dia são as lavouras transgênicas, mas ainda não se sabe como isso afeta de fato as abelhas.
Assim começa o filme que ousarei defender filosoficamente hoje. Fim dos Tempos começa com o professor de ciências vivido por Mark Wahlberg questionando seus alunos sobre o que teria acontecido com estas abelhas. A conclusão na sala de aula é que ainda é um mistério. A trama segue ele e sua esposa fugindo de uma estranha epidemia que faz as pessoas se suicidarem da primeira e pior maneira possível. O filme de M. Night Shyamalan foi lançado em 2008 no Brasil com este título de filme-catástrofe, apesar do título original ser apenas "O Acontecimento". Mas de fato o filme é um filme-catástrofe, mas não como o título pode remeter a 2012, O Dia Depois de Amanhã e Independence Day, mas muito mais filosófico e subjetivo que Sinais, o filme de invasão alienígena que o diretor lançou com sucesso em 2002. O filme tem um suspense barato, mas com engajamento, metáforas e ambiguidade.
Fim dos Tempos foi lançado ainda na esteira da polêmica do diretor com a Disney, sua parceira desde O Sexto Sentido. O diretor insistia no complicado (mas pra mim nada confuso) roteiro de A Dama na Água, e com o sucesso de A Vila tudo o que os executivos não iriam querer dele seria um conto de fadas sem tom político, então o diretor rompeu com o estúdio alegando não ter mais liberdade. A briga do diretor até rendeu um livro "O Homem que Escuta Vozes: Ou, como M. Night Shyamalan arriscou sua carreira num conto de fadas" de Michael Bamberger. A Warner bancou A Dama na Água, mas o filme foi (infelizmente) um fracasso gigante de público e crítica, e o diretor foi fazer seu próximo filme na 20th Century Fox. Inicialmente o projeto tinha o título de "The Green Effect" (Efeito Verde), e só foi aprovado após mudança do título e extensiva mudanças no roteiro. Mesmo assim o filme recebeu a tão temida classificação R (menores de 17 anos só podiam assistir acompanhadas de um adulto) nos EUA.
Então o filme trata dos temas ambientais atuais citados no começo do texto, e que muita gente acha chato. E mais do que falar de como a natureza reage as nossas intervenções, o filme fala sobre como reagimos a tudo. Não à toa o diretor queria Amy Adams no papel da esposa do professor, e sem ter esta atriz escolheu a diva indie Zooey Deschanel. Ele queria uma atriz que parecesse alheia aos acontecimentos ao seu redor. Isso fica claro no fato da personagem ter apenas uma preocupação durante quase todo o filme: seu celular e um segredo que ela guarda nele. O mundo está acabando e ela só pensa no celular? É como estamos vivendo hoje. Muita gente acha este o pior filme do diretor, talvez pelo fato do diretor ter usado uma brisa como materialização do mal, fazendo assim homenagem a clássicos do suspense e cinema B como Os Pássaros  e Anjo Exterminador; ou talvez pelos personagens não se desenvolverem como se espera num roteiro do diretor, mas como disse, os personagens estão mais preocupados consigo mesmos.
Nunca saberemos como seria o roteiro como o diretor o imaginou, sem a preocupação de deixá-lo mais comercial, mas acredito que o conceito moral que ele queria passar ainda está ali, o de que não estamos nem aí pra porra da natureza, contanto que possamos comprar nosso iPhone 4 e comemorar a virada do ano novo.
Em tempo, o filme seguinte do diretor O Último Mestre do Ar é o primeiro roteiro adaptado (de uma série animada) e é tecnicamente incrível, mas sofre do mal de ter de ser comercial e do roteiro mais preguiçoso que M. Night poderia escrever.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

REALITY IS A PRISON...


2011 promete.
E um dos filmes que desde os primeiros boatos capturou completamente minha imaginação foi Sucker Punch, nova produção de Zack Snyder. O diretor já nos brindou com filmaços como Madrugada dos Mortos (2004), 300 (2006), Watchmen (2009) e dirigirá a nova tentativa de criar um bom filme do Homem de Aço nos cinemas. Mas já agora, em 2011, pretende explodir nossas cabeças com um mundo surreal, como aponta o subtítulo que o filme recebeu aqui no Brasil.


A trama gira em torno de uma jovem garota internada por seu pai adotivo em uma instituição para pessoas “mentally insane”, como diz a placa da Lennox House. Sua forma de lidar com a situação é sublimar, refugiando-se em sua própria realidade alternativa e começando a arquitetar um plano para fugir. Insano, eu sei... Mas foi isso que me deixou tão interessado. Isso, a arte já apresentada e o fantástico trailer, que você pode conferir no final deste post.




Contando com Emily Browning, Jena Malone e Vanessa Hudgens com nomes cool como Babydoll, Rocket e Blondie, o diretor credencia o filme como digno dessa expectativa. Sendo exímio em criar ambientes graficamente irrepreensíveis, Snyder é também um dos roteiristas. Sua apresentação fez grande sucesso na Comic Con do ano passado, tendo sido acompanhada por centenas de fãs. Deve aparecer nas telonas brasileiras por volta de Março.

Ok. Estamos no aguardo...

YOUR MIND CAN SET YOU FREE!