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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Direto da Telona (em 4D): DETONA RALPH

Cada vez mais as animações ocupam lugar de destaque em Hollywood. Não apenas por causa das cifras milionárias que giram em torno delas em função de todos os produtos que podem sair de uma franquia de sucesso. Outro motivo para as animações estarem na moda, é a onda 3D, com ingressos mais caros e que ajudam ainda mais na arrecadação.

Quando assisti ao trailer de Detona Ralph (Wreck-It Ralph, 2012), confesso que fiquei empolgado com a oportunidade de ver na telona uma parte da infância tomando vida, afinal, mesmo não sendo versado nos videogames e jogando apenas nos video games de amigos, não há como os que foram crianças nos anos 1980 e início dos anos 1990, ficar indiferentes à Pac-Man, Sonic ou Street Fighter.



Partindo de uma premissa já explorada pela Disney em Toy Story - que os brinquedos têm vida própria longe da atenção das crianças, aqui os personagens de video games ganham vida depois que o fliperama fecha e último game over do dia acontece.

Nesse caso, os heróis podem celebrar suas conquistas e os vilões se reúnem como numa sessão dos alcóolicos anônimos, para repetirem o mantra "eu sou bom sendo mal" e assim aceitarem seu destino de servirem como contra ponto para o equilíbrio da vida no fliperama.



Essa rotina entretanto, muda quando o vilão do jogo Fix-It Felix (Concerta Tudo Felix Jr.) se cansa da marginalidade dos companheiros de jogo após 30 anos de vilania e sai em busca da conquista de uma medalha para mostrar aos seus compatriotas de jogo que ele pode ser diferente.

Sua busca o leva a um jogo de última geração em alta definição jogado em primeira pessoa, e cuja recompensa após matarem os insetos que tudo consomem, a tão esperada medalha.

Mas claro que as coisas acabam não funcionando conforme o planejado, e sua fuga do jogo original acaba por colocar em risco a sobrevivência do jogo, uma vez que o mocinho vai em busca do vilão, pois, sem o Ralph para quebrar, o Concerta Tudo Felix Jr, não tem o que concertar.

Ambos acabam indo parar em outro jogo, Sugar Rush, que agora está contaminado com um dos insetos que saiu do jogo de tiros em primeira pessoa e agora coloca em risco todo o fliperama. Além desse problema, nosso vilão (ou seria herói?) assume outra responsabilidade, a de ajudar o bug nesse jogo de corrida, Venellope Von Schweetz a participar de uma competição promovida pelo rei do jogo Sugar Rush, que insiste em prejudicar a participação da Venellope pois com um jogo "bugado", o usuário pode se desinteressar pelo jogo levando ao fechamento do mesmo.



É fato que o desenho irá agradar as crianças, principalmente devido ao colorido vívido dos ambientes e também agradará aos pais, que verão, ao menos por uma fração, personagens como Ryu e Ken terminando um dia de trabalho de lutas no Street Fighter e indo ao bar do fliperama tomar uma cerveja.

Mas a história em si - a de aceitação de si mesmo e pelos outros por ser o que é - não empolga muito e leva ao anunciado desfecho, coisa que outros desenhos já o fizeram de maneira mais eficaz.

É claro que o filme tem momentos engraçados e memoráveis como a respiração do Darth Vader, o "xingamento" entre Ralph e Venellope e a admiração de Felix pela "perfeição" da alta definição da capitã do jogo em primeira pessoa. Para quem se lembra das experiências envolvendo coca-cola e balas de mentos, há momentos também nostálgicos.



O filme funciona bem pois irá agradar a todos os públicos, mas para aqueles que esperavam mais interatividade com outros jogos e personagens da infância, talvez saiam um tanto decepcionados.

Nada impede que a Disney retome o tema em outras animações, pois mesmo com opções melhores, Detona Ralph garantiu ao estúdio mais uma indicação ao Globo de Ouro (que ficou com Valente - discutível) e ao Oscar.

A dublagem - sempre muito boa nas animações - não chega a incomodar, mas não é uma das melhores, com as vozes de Tiago Abravanel, Rafael Cortez e MariMoon - Ralph, Felix e Venellope respectivamente. As vozes originais de John C. Reilly (Precisamos falar sobre Kevin, Chicago), Jack McBrayer (da série 30 Rock) e Sarah Silverman (que tinha um programa de comédias com seu nome) talvez empreste um pouco mais de comicidade às personagens. Para conferir se isso é verdade, só no DVD.


4D - A experiência de ter assistido o desenho em 4D foi bacana, afinal, aliado ao 3D que dá a sensação de inserção no filme fica ainda mais completa quando em tomadas aéreas ocorre a percepção de total integração ao filme com o movimento das cadeiras. Já os jatos de vento e as vezes de água, após a surpresa da primeira vez que isso acontece, torna-se um tanto chato para os adultos já na segunda vez.

As crianças porém, divertem-se com o acontecido e brincadeira de sentir os jatos de ventos e água no rosto acaba virando a atração principal e o filme a secundária.

Saí com a convicção que não é todo o filme que agradará ao ser assistido numa sala 4D. Um filme que talvez fosse uma boa experiência em sala 4D é As Aventuras de Pi, mas infelizmente não estava mais em cartaz na única sala com essa tecnologia em São Paulo, o Cinépolis do Shopping JK. E claro que o custo do ingresso - R$72,00 - torna a experiência um tanto salgada e difícil de se repetir semanalmente. Em tempo: Clientes Santander tem 50% de desconto.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Direto da Telona: Enrolados

Como já mencionei em alguns outros posts, os tempos mudaram. Agora é preciso pensar em todo o contexto social pra levar um produto audiovisual a público, seja pra lucrar, seja pra mudar o mundo. A Disney fez a lição de casa direitinho,e mudou um bocado sua linha de princesas para os novos tempos.
Sim, Cinderelas, Brancas de Neve e Belas Adormecidas continuam fazendo sucesso e vivendo no íntimo de meninas e mulheres, mas elas são imagens de um passado que deveriam funcionar hoje, mas não funcionam mais. Esperar que o príncipe encantado apareça pra resolver todos os problemas só em sonho nos dias de hoje. As mulheres vão à luta!
Enrolados (Tangled, 2010) é um projeto bastante interessante na linha das princesas da Disney e se tornou um filme sensacional para toda a família, e quem mais quiser curtir. Rapunzel era a princesa famosa que faltava no rol da Disney, mas os longas animados baseados em contos de fada caíram em declínio com o advento das animações computadorizadas. Até que John Lasseter, o cara por trás de toda a Pixar (após ser readquirida com mais participações pela Disney) resolveu que os contos de fadas foram e deveriam continuar sendo importantes. Foi aí que ele reabriu os trabalhos de animação tradicional com A Princesa e o Sapo em 2009, e apesar do resultado ter sido um longa estupendo que conquistou a crítica, não foi considerado um grande sucesso nos cinemas. Colocaram a culpa na animação tradicional e no fato do título afastar os meninos dos cinemas.
O título antes da mudança
E antes que o projeto da Rapunzel virasse a continuação do sucesso Encantada, decidiram dar mais uma chance para as princesas, e mudaram algumas coisas. O título não poderia mais afastar os meninos, então Rapunzel virou Enrolados; e o filme precisava ter mais ação que A Princesa e o Sapo, que tinha uma princesa negra que colocava em prática todas as suas ambições e não dependia de um príncipe, colocando assim as princesas nos novos tempos com sucesso e aceitação. E o mais importante é que o filme deveria ser computadorizado e utilizando os recursos do 3D, e aí estava o desafio.
Enrolados criou uma técnica de animação computadorizada que misturada a técnicas tradicionais, se parece com uma pintura. Muitas vezes você sente estar vendo um filme de animação tradicional, e em várias outras tudo parece se misturar harmoniosamente. O interior da torre onde vive Rapunzel é um dos cenários mais incríveis num desenho animado tridimensional.
O filme começa mostrando a lenda dos cabelos mágicos de Rapunzel desde seu nascimento e seu sequestro pela bruxa má. Seus pais, tristes, soltam lanternas voadoras todos os anos por todo o reino no dia de seu aniversário para lembrar da princesa desaparecida, e Rapunzel logo já tem 18 anos e nunca saiu da torre. Mas não espere uma sofredora, a bruxa só não permite que ela saia e se finge de mãe numa boa. E então conhecemos Flynn Rider (que na dublagem nacional ficou com a voz de Luciano Huck por causa de piadas sobre nariz), um ladrão que roubou a coroa da princesa e foi se esconder justamente na torre dela. Domado pela moça dos longos cabelos, ele é chantageado a levá-la até o reino para ver as lanternas que pra ela querem dizer algo, em troca da coroa que ela escondeu (sem saber que lhe pertence), e daí pra frente é muita diversão.
A Disney acertou o tom em todos os aspectos, e fez um filme de princesa clássico, com números musicais excelentes, mas com cara de animação descompromissada. Não por acaso os animadores principais foram responsáveis por Bolt, uma animação descompromissada bem bacana do estúdio.