quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Band of Brothers: A Gota d'Água e A Última Patrulha

No episódio 7 da premiada série Band of Brothers (2001), acompanhamos a história através do relato do Sargento Carwood Lipton (Donnie Wahlberg). A Companhia Easy (E Company) saiu de Bastogne e agora está na floresta congelante aos redores da cidade de Foy. Eles continuam com pouca munição, sem roupas suficientes para enfrentar as baixas temperaturas do rigoroso inverno Europeu e sob fortes bombardeios dos alemães.

Lipton sabe o quanto é importante manter a moral dos soldados, pois em condições adversas, a mente se torna um perigoso inimigo, ainda mais quando se tem um líder que não sabe tomar decisões. O Tenente Dike ficou encarregado como CO (Commander Officer) por ser indicado de alguém no alto escalão do exército, que viu a necessidade de dar-lhe experiência no campo de batalha. Na guerra porém, não é um lugar para experimentar, afinal, as palavras do Sargento Lipton traduz o sentimento que a E-Company tinha de seu CO - "O Tenente Dike não era um mal líder por tomar decisões ruins, mas sim, por não tomar decisão alguma!".

Donnie Wahlberg e o Sargento Carwood Lipton
Temos nesse episódio um acontecimento inusitado, pois se é trágico uma morte na guerra, que dirá quando ela acontece devido o descuido com uma arma. É o que acontece com o soldado Donald Hoobler, que após conseguir seu prêmio que perseguia desde que invadiu a Normandia - uma Luger, arma alemã muito cobiçada pelos soldados americanos - um disparo acidental que atinge a artéria principal.

Os ataques alemães são ferozes e num primeiro momento faz lembrar ao Sargento Lipton os fogos de artifícios de 4 de julho. Parece engraçado. Só parece. Principalmente quando Lipton se dá conta de que vários de seus homens estão feridos ou mortos.

Durante esses ataques, bons homens que estavam juntos desde os treinamentos em Taccoa, acabam feridos ou mortos. Quem diria que o retorno da enfermaria de Joe Toy mesmo sem permissão médica, seria para ele a volta definitiva pra casa. Além dele, Willian "Wild Bill" Guarnere (que muito contribuiu posteriormente com o historiador Stephen E. Ambrose com os relatos dos feitos da E-Company), Lynn "Buck" Compton, Alex Penkala e Warren "Skip" Muck são algumas das baixas mais sentidas por todos, inclusive para quem assisti ao seriado, já que os acompanhamos desde os primeiros momentos. O Sargento Guarnere é sem dúvida um dos homens mais admirados da E-Company, por seu carisma, sua dedicação, companheirismo e preocupação com os amigos.

Foram muitas baixas na E-Company entre Bastogne e Foy. Alguns homens mortos, outros gravemente feridos e outros com feridas não no corpo, mas na mente e na alma, que provavelmente nunca cicatrizam.

Na tomada da cidade de Foy, se destaca uma personagem que a maioria dos fãs de Band of Brothers
Sargento Malarkey e Scott Grimes
tem em alta estima: o Tenente Ronald Speirs (Matthew Settle de Gossip Girl). Ele tem uma ação espetacular ao avisar a companhia I que está isolada dos outros soldados do batalhão e literalmente deixa todos boquiabertos ao atravessar as linhas alemãs, conversar com o comandante e voltar para conduzir a companhia E.

A Gosta d'Água termina com o reconhecimento de um dos sargentos que ajudaram Stephen E. Ambrose a reunir essas fantásticas histórias de homens que lutaram de forma pela liberdade da Europa, Carwood Lipton, que nas palavras de Speirs, foi o responsável por manter as tropas unidas, motivadas e sempre preocupado com a auto estima de todos os seus soldados!

No episódio 8 - A Última Patrulha - a companhia E estava na cidade de Haguenau, cidade que abrangia as duas margens do Rio Moder. De um lado, os aliados, do outro, os alemães - com um poder de fogo aparentemente superior. Nesse episódio, acompanhamos os relatos do soldado Webster, que tinha sido ferido na Holanda e não acompanhou a Easy em Bastogne e por isso, foi tratado por seus companheiros como um substituto mesmo estando no grupo desde o Campo Toccoa.

O ator Eion Bailey como David Webster
Junto com ele, chega ao regimento o Tenente Henry Jones (Colin Hanks) - que se formara na conceituada academia de West Point em 6 de junho de 1944 - O Dia D. Jones chega ao regimento sabendo que o Coronel Sink ordenou ao Capitão Winters que atravesse o rio para trazer prisioneiros para interrogatório a fim de obter informações que ajudassem os americanos a transpor o rio.

Os soldados convocados para a missão, do 2º batalhão, até então comandados pelo sargento Malarkey, não gostaram de ter um novato na liderança da patrulha. Após a insistência de Jones com o apoio de Webster, o Tenente Jones seguiu com a patrulha como observador.

David Webster, cujo livro
também foi usado como
inspiração para a série
Nesse seguimento, vemos o que pode acontecer quando os homens em situação de estresse e mesmo após tendo treinado para uma abordagem no campo inimigo, podem cometer erros que em segundos, custam a vida de pessoas.

Após o sucesso da captura dos prisioneiros alemães, o Coronel fica contente com o resultado da patrulha, porém os prisioneiros não deram informações que fossem consideradas relevantes, e por isso, solicita uma nova patrulha. Porém, como a 1ª patrulha havia colocado explosivos para destruir o ponto de observação atacado, isso significaria adentrar ainda mais na cidade para conseguir encontrar prisioneiros, o que colocaria a vida desses soldados em um risco maior.

Os soldados ouviram a orientação do capitão Winters e logo em seguida ficaram surpresos ao ouvirem o que eles deveriam reportar ao capitão na manhã seguinte - que a patrulha atravessou o rio, chegou em um posto avançado e não encontraram nenhum alemão. E assim aconteceu. Winters achava que uma segunda patrulha para capturar prisioneiros que em nada contribuiriam para informações era suicídio. Desse modo, a 2ª patrulha nunca aconteceu e vidas foram poupadas.

Colin Hanks como Tenente Henry Jones
O episódio termina com a promoção do 2º Tenente Jones e também com a promoção do Capitão Winters, que agora é promovido ao posto de Major.

Webster, que interveio na convocação de Liebgott para a patrulha, já que os falavam alemão e ele não via a necessidade de dois tradutores se arriscando na missão - acaba o episódio reconquistando a confiança de seus companheiros.

O próximo passo da Companhia Easy, é entrar, finalmente, em território alemão!  

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Globo e a polêmica Lei de Incentivo à Cultura (via Serra Pelada)


Hoje estréia na Globo a minissérie "Serra Pelada". Dirigida por Heitor Dhalia (revelado em "Nina", descoberto por um público maior em "Cheiro do Ralo", flertado com grande produção em "À Deriva" e internacionalizado com "12 Horas"), a obra conta a história de dois amigos de infância (vividos por Julio Andrade e Juliano Cazarré), que se mudam pro interior do Pará no ano de 1980 em busca de uma vida (muito) melhor em Serra Pelada, o maior garimpo dos últimos tempos, e acabam vivenciado o que ficou conhecido como a "febre do ouro", já que amizade e cumplicidade acabavam corrompidas pela ambição e obsessão num garimpo que mais lembrava um campo de batalha. Ainda estão no elenco as comentadas presenças de Wagner Moura (que teve de desistir de viver o protagonista, para ficar apenas com uma rápida participação), Matheus Nachtergaele e Sophie Charlotte. 



Mas não estamos aqui pra entrar no mérito da produção, porque antes de ser uma minissérie televisiva, "Serra Pelada" também foi um filme pra cinema. E é isso que queremos discutir. Com custo de R$ 8,4 milhões, o filme foi um fracasso visto por menos de 400 mil espectadores, arrecadando apenas R$ 4,1 milhões. Se mesmo com o apoio da Globo, pelo braço GloboFilmes, o filme não se pagou, nada anormal que ele ganhe um público mais amplo como minissérie. Isso se 81% do custo do filme não tivesse sido financiado por incentivo fiscal (ou seja, um dinheiro que não foi arrecadado pelo governo).



A Lei de Incentivo à Cultura (conhecida por Lei Rouanet) é o mecanismo de incentivo à cultura por renúncia fiscal, onde uma pessoa jurídica ou física pode ter até 100% do incentivo (desde que não ultrapassando os 4% pra empresa e 6% pra pessoa física) deduzidos no Imposto de Renda devido ao governo. Em troca do patrocínio, a empresa tem seu nome ligado e divulgado pelo projeto, que usualmente não se enquadra em programas do Ministério da Cultura.



O problema está no critério pra liberação da captação de valores destes projetos. Se a idéia é promover a cultura com projetos que possam agregar algo à comunidade, por que muitos dos projetos aprovados cobram ingressos exorbitantes? É o caso, por exemplo, da cantora Claudia Leitte que conseguiu aprovação pra captar quase 6 milhões de Reais pela Lei Rouanet, pra realização de cerca de 12 shows. Também foi o caso do musical teatral "O Rei Leão", que captou R$ 11 milhões pra um espetáculo com ingressos de, no mínimo, R$ 50.




"Serra Pelada" não é um caso isolado. Exibido como programação de Natal em 2012, "Xingu", outro fracasso do cinema nacional ganhou nova edição com cenas inéditas dividida em capítulos, além de "Gonzaga - De Pai pra Filho" no começo de 2013. Na primeira semana deste 2014 também tivemos a adaptação do clássico romance "O Tempo e o Vento", que segundo a Ancine custou R$ 14 milhões, sendo R$ 6,5 milhões financiados por incentivos fiscais. 



A Globo não concorda que o dinheiro público tenha financiado as minisséries, afirmando que foi a GloboFilmes, como co-produtora dos filmes, quem captou os valores via incentivos fiscais aplicados por empresas estatais (geralmente Petrobrás e Caixa), e o acordo prevê exclusividade da emissora na exibição dos filmes. Mas ficou evidente que tenham vendido o material como algo inédito, e produzido pela casa. E talvez pior, lucrando com, por exemplo, duas cotas de patrocínio de R$ 750 mil apenas em "O Tempo e o Vento".



Forçando o pensamento positivo (ou apenas constatando), temos produções cinematográficas que não atingiram toda a sociedade, mas que contam um pouco da história do país por ações políticas, sociais, musicais ou literárias. E também temos produções que valorizaram e utilizaram mão de obra e artistas brasileiros. Como comparação temos a principal rival da emissora carioca, a paulistana Record, que adquiriu os direitos da inegável obra-prima "Breaking Bad", que é uma produção televisiva americana e totalmente importada, pra rivalizar com as minisséries financiadas pela Lei Rouanet.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Aprenda como um simples 'OK' pode ser algo mais!

Hazel - 16 anos, sobrevive graças a uma droga revolucionária - conhece Augustus Waters (Gus) - 17, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma - em um Grupo de Apoio para crianças com câncer. Achou a sinopse muito simples? Rasa? Mas é basicamente disso que vai tratar o excelente A Culpa É Das Estrelas, de John Green. A circunstância da doença é um diferencial, mas, ainda assim, o que importa é conhecer e conviver com as personagens, todas interessantes, profundas e multifacetadas.

Temos Hazel, uma menina inteligente e descolada que não tem papas na língua e adora ler. Ela tem uma adoração especial pelo livro Uma Aflição Imperial, obra essa que termina no meio de uma frase, algo que deixa a menina cheia de indagações. Do outro lado encontramos Gus, possuidor de um ótimo senso de humor e que gosta muito de ousar, brincando com os clichês do mundo do câncer. Na verdade, essa é a principal arma dos dois para lidar com essa doença que age inexoravelmente na vida das pessoas que acomete.

Temos uma obra ambiciosa e emocionante que narra de forma irreverente o turbilhão de emoções que envolvem viver e amar. Mais do que isso, embarcamos em uma montanha russa, ora com um olhar inspirador, ora brutal. O autor demonstra coragem ao tocar em assuntos espinhosos de forma casual: a aceitação de determinado destino, a alegria mesmo nos momentos difíceis, o companheirismo acima do sentimento de pena, etc, etc, etc.

É uma leitura cativante, pois nos coloca não só como observadores, mas quase como que amigos das personagens. Por isso da sinopse que escrevi no início: simplesmente duas pessoas se conhecem... 

E não é assim que (quase) tudo começa???

Permeada por humor ácido e ótimas doses de ironia, a narrativa nos prende até o seu final. As diversas situações que ilustram o dia a dia da estória são contadas com uma simplicidade que induz o leitor a partilhar as vitórias e derrotas, tornando aquela realidade algo bem próximo.

Tudo isso resulta em uma ótima experiência!



"É claro que eu tinha esperado que o Peter Van Houten (autor de Uma Aflição Imperial) fosse mentalmente são, mas o mundo não é uma fábrica de realização de desejos." Hazel Grace

domingo, 19 de janeiro de 2014

daPoltronaCast: Frozen - Uma Aventura Congelante

Atrasou, mas o episódio do daPoltronaCast dedicado a discutir o atual longa de animação da Disney "Frozen - Uma Aventura Congelante" já está no ar! Tem música, argumentações fervorosas e de quebra, humor.
Deixem seus comentários!



Para fazer o download do podcast (74.2 MB) clique aqui.