segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Comentários sobre a (Pré-)estreia de ALCATRAZ


Agora sim, após o pontapé inicial da série, podemos tecer alguns comentários sobre o novo LOST. E a primeira constatação é a de que ele NÃO é um novo LOST. Aliás, acho que será difícil alguma série conseguir o que o piloto de LOST conseguiu. Naquele, tínhamos mistérios que aguçaram a mente dos espectadores (monstro na floresta? um urso polar em uma ilha tropical?) de forma nunca antes vista, criando todo o hype na internet. Sendo assim, é complicado - e até injusto - fazer essa comparação a cada nova série que é lançada.

ALCATRAZ, partindo do mote comentado no post de ontem, nos apresenta no primeiro episódio a Jack Sylvane que, após roubar um mercado, é preso e acorda nos dias atuais, em meio a uma visita de turistas à lendária prisão. Sem titubear ele foge da ilha, determinado a se vingar do antigo guarda da prisão, que o perseguia há tantos anos atrás.

Rebecca Madsen aparece como uma policial que perdeu seu parceiro e ainda não conseguiu substituí-lo. Esperta, é ela quem encontra as digitais de Sylvane e, contando com a tecnologia (leia-se Google), ela descobre a identidade do mesmo e, de quebra, resolve seu problema de parceria: Diego Soto, expert em Alcatraz e escritor de HQs (ponto para os NERDS, rs).

A partir daí somos apresentados aos demais personagens e, entre idas e vindas, começa a ser contado o que acontecia no passado em paralelo à investigação de nossos heróis, vigiados de perto por Emerson Hauser (testemunha ocular do sumiço dos residentes de Alcatraz).

Esse início me lembrou muito ao de Fringe: um episódio morno (quando comparado ao de LOST), mas muito bem desenvolvido e intrigante. Ainda procedural, dá a impressão de que será no formato "bandido da semana", mas, como em Fringe, é bem provável que depois engate uma linha mestra mais conclusiva. Não posso deixar de comentar a semelhança com outra série de que gostava muito: THE 4400. Só espero que não façam com ALCATRAZ o mesmo que com esta última: cancelamento antes de finalizar e responder as perguntas do público. De resto, estou apostando as minhas fichas na série. Terminei o episódio com algumas perguntas em mente, e isso é bom...

Cenograficamente perfeita (como já era esperado), a série tem em Diego Soto um personagem muito legal. Jorge Garcia executa muito bem seu papel de ser os olhos da audiência, verbalizando nossas perguntas e reagindo aos acontecimentos da forma como nós, muito provavelmente, reagiríamos. Fica a pequena ressalva de que talvez pudessem diminuir só um pouquinho a capacidade dedutiva de Rebecca. Ok, aceito que ela é a heroína, mas descobrir coisas somente com uma olhada no local do crime é algo que precisa ser conquistado, ao longo dos episódios. Não são todos que podem ser um Sherlock logo no piloto.

E você, o que achou? Ainda não assistiu? Não perca hoje, a estreia oficial, e depois comente por aqui.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pré-estreia de hoje: ALCATRAZ


Em 1963, Alcatraz foi oficialmente fechada, devido aos altos custos e às más condições das instalações. Todos os presos foram transferidos. Ou deveriam ter sido...

É assim que começa a nova incursão de J.J. Abrams na TV. Reunindo entre os produtores muitos nomes conhecidos pela já finalizada LOST, a trama se concentra na famosa ilha-prisão de segurança máxima situada na baía de São Francisco. Por motivos misteriosos (sério?), pouco antes do seu fechamento, diversos detentos e guardas somem, repentinamente. Agora, eles estão reaparecendo, um a um, nos dias atuais, para retomar seus projetos antigos. Como e por que elas desapareceram? Por que estão reaparecendo agora? Lá vamos nós, novamente tentando descobrir o que se passa com pessoas oriundos de uma ilha...

A série passou por alguns contratempos ao longo de sua produção. 13 episódios foram encomendados pela FOX, já que a série foi pensada como uma midseason. Quando 7 estavam prontos, como não havia pressa, a produção foi paralisada, para retocar algumas cenas dos já filmados. Isso foi encarado como "problemas criativos", apesar das negativas dos envolvidos. Em novembro de 2011, devido às famosas "diferenças criativas", Elizabeth Sarnoff, responsável pelo roteiro inicial vendido para a FOX, deixou o cargo de principal produtora (ela ainda receberá os créditos como consultora). Ela escreveu muitos episódios de LOST, inclusive o penúltimo.

Com um elenco de peso, capitaneado por Sam Neill e Jorge Garcia (o Hurley, de LOST), e uma equipe que já conhecemos por sua excelência em séries como Alias, LOST e Fringe (entre eles Bryan Burk, Michael Giacchino e Jack Bender), a série promete. ALCATRAZ traz a pouco conhecida Sarah Jones como a detetive Rebecca Madsen, parceira de Diego Soto (Garcia) tentando descobrir o que está acontecendo, sob a direção de Emerson Hauser (Neill), que parece saber mais do que revela. Como em Fringe, talvez surja uma nova personagem feminina forte, como Olívia (Anna Torv).

Sua exibição será às Segundas-feiras, mas hoje, domingo, haverá pré-estreia, no Warner Channel (22 h). Recomendamos, senão pela "moral" dos envolvidos, pela trama, efetivamente interessante até que se prove o contrário. Nos EUA, a série estreou na dia 16, com audiência de mais de 9 milhões. Assista e comente depois aqui. A Liga estará na poltrona, acompanhando!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Vale Assistir: CARTAS PARA JULIETA


William Shakespeare, poeta e dramaturgo, é um dos maiores expoentes da arte inglesa. Responsável por uma das frases mais conhecidas da dramaturgia (To be or not to be: that's the question! - HAMLET), criou a história romântica de todos os tempos: Romeu e Julieta. Nela, narra a vida de dois jovens italianos, filhos de famílias rivais, que se apaixonam e, devido às desventuras familiares, acabam em um final trágico. O autor já nos informa no prólogo que os dois irão sucumbir ao final da trama. Com isso, Shakespeare nos mostra que, em histórias como essa, nem sempre é um problema saber o final, desde que o desenvolvimento do romance seja satisfatório.


Muitas vezes, exigir mais de um filme do que o próprio se propõe pode influenciar na experiência. O gênero comédia-romântica se caracteriza por um encontro fortuito, por complicações para que o relacionamento ocorra e a sua resolução, invariavelmente positiva. Em alguns casos - 500 Dias Com Ela - alguma inventividade de roteiro ou de direção modifica um pouco a fórmula. Mas não há problema com a estrutura, desde que seja bem executada.

Em CARTAS PARA JULIETA (Letters to Juliet, 2010), a dupla de roteiristas Jose Rivera/Tim Sullivan e o diretor Gary Winick partem de uma premissa muito interessante: em uma viagem a Verona, cidade de Romeu e Julieta, Sophia (Amanda Seyfried) é deixada de lado por seu noivo (Gael García Bernal) e visita um muro, onde mulheres contam (através de cartas) para Julieta suas histórias românticas e esperam por sua resposta, com um bom conselho. Lá ela se depara com a história de Claire (Vanessa Redgrave), uma inglesa que nunca teve a sua resposta. Sophia resolve desfazer esse erro e dá início a uma "aventura na Toscana", passando a acompanhar a busca de Claire por seu antigo amor. É claro que Claire tem um neto. E o resto, você já pode imaginar.

Mas é interessante a forma como os clichês surgem na tela. Em uma manobra inteligente, o filme usa a história de Shakespeare como fonte inspiradora e, nos faz a seguinte pergunta: você quer um final diferente ou, simplesmente, assistir como que este(s) romance(s) aconteceram? E, em alguns momentos, o próprio neto de Claire se mostra incrédulo diante de algumas situações, verbalizando comentários do tipo: "é isso mesmo que está acontecendo?"

Não se levando a sério, o filme deixa o espectador livre para aproveitar as belas paisagens da Toscana, muito bem enquadradas e retratadas, resultando em uma belíssima fotografia. O filme, que ganha (em determinado momento) contornos de um road-movie, é bem executado e colhe os frutos por ter apostados em duas grandes atrizes para os papéis centrais. Amanda Seyfried, filme após filme, confirma ser uma das melhores e mais expressivas atrizes da atualidade. Segura, sabe conferir à personagem tanto força e competência (na busca de seus objetivos profissionais) ao mesmo tempo em que possui ingenuidade e fragilidade (na relação com o noivo e Claire). Seus belos olhos transmitem emoções muito melhor do que palavras. Vanessa Redgrave demonstra a insegurança de alguém que desenterra o seu passado, tudo de forma orgânica.

Essas duas ótimas atuações destoam das demais, fato que parece recair sobre a direção do filme. O fato do elenco masculino estar aquém (inclusive Bernal, no piloto automático) aponta para um diretor que, talvez, não consiga exigir o melhor de seu elenco. Lembra um pouco o outro trabalho do diretor (De repente 30), onde o elenco feminino também sobrepõe o elenco masculino.

Mesmo assim, o filme, enquanto comédia-romântica, funciona. Belo, é daqueles que te convidam a viajar pelo Velho Continente. Melhor ainda se estiver bem acompanhado. Bom, essa é uma boa ideia também para assistir ao próprio filme. Boa diversão!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

TV: O Brado Retumbante - O Presidente Acidental

Em tempos em que até no Jornal Nacional ouvimos notícia sobre o suposto estupro dentro do Big Brother Brasil, o conceito dos reality shows (programas de realidade) fica entre a dúvida do scritpt e o que isso agrega à sociedade. O que sabemos até agora é que o público gosta de acompanhar a intimidade alheia. E que tal um reality show sobre política?

"O Brado Retumbante" é uma minissérie em 8 episódios que estreou ontem (dia 17) na Globo, justamente após o BBB, e mostra os bastidores de Brasília. Escrita por Euclydes Marinho, com colaboração de Nelson Motta, Denise Bandeira e Guilherme Fiuza, a trama esbanja referências reais disfarçadas de ficção.
Os atores principais

"O Presidente Acidental", primeiro episódio, começa com políticos de diversas esferas se reunindo para escolher um 'laranja' com pouco poder para se tornar presidente da Câmara. Começar por uma cena que mostra políticos nessa intimidade que só conhecemos por escândalos de câmeras escondidas já mostra o que veremos por todos os episódios. Paulo Ventura, interpretado com vigor e técnica pela revelação Domingos Montagner, é o deputado federal escolhido como 'laranja'. O que vemos depois é que Paulo tem ética correndo por suas veias, e muitos problemas pessoais. Ele tem perigosos casos extraconjugais, vive uma crise com a esposa Vitória vivida com segurança por Maria Fernanda Cândido, um problema sério a resolver com o filho transexual, e descontrole no uso do álcool.

A cantora baiana Alinne Rosa vive uma das amantes
Então o presidente e vice-presidente da República fazem uma viagem de helicóptero até a Bacia de Campos, e desaparecem. O presidente da Câmara então repentinamente se torna o Presidente da República, e pretende fazer uma faxina na política do país. Claro que a política é pano de fundo pra jornada de Paulo Ventura, e será que seu brado retumbante, será mais retumbante que o dos vilões?

Repleta de diálogos espertos, como quando uma repórter pergunta pra Vitória se ela continuará a dar aulas agora que é Primeira Dama, e ela responde que Primeira Dama não é profissão, também vemos uma Brasília fantasiosa (mas nem tanto) quando descobrimos que existe o Ministério da Criança, Ministério do Adolescente, Ministério da Pesca Naval, Ministério da Igualdade Racial, Ministério da Diversidade Racial, etc. O embate político de fato começa num banheiro onde o agora Presidente Paulo Ventura deixa claro para o ministro da Justiça Floriano Pedreira (um interessante José Wilker) que pretende acabar com a farra deles.
Já vimos isso, não?

Um dos detalhes que afastam a minissérie da realidade, e ainda ajudam a equipe a economizar na replicação de lugares, é que a sede do governo está no Rio de Janeiro. Com isso o Palácio do Governo ganha uma sala presidencial com dramáticas janelas viradas pra Baía de Guanabara.

Dirigido por Gustavo Fernandez, com direção de núcleo de Ricardo Waddington, os mesmos que fizeram "A Cura", a fotografia cinematográfica, a câmera subjetiva e as cenas longas ajudam a compor uma minissérie cheia de atitude que ainda está começando.