terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Direto da Telona: CAÇA ÀS BRUXAS


Behmen (Nicolas Cage) é um ex-cruzado, que desertou após perceber a quantidade de sangue que tinha derramado "em nome de Deus". Seu companheiro (vivido pelo divertido Ron Pearlman) teve o mesmo momento de epifania e abandona os serviços da igreja e os dois, foragidos, acabam presos e condenados a uma masmorra a não ser que aceitem cumprir com mais um serviço: levar a causa da Peste Negra, uma bruxa, para ser julgada em um mosteiro no fim do mundo, com direito a florestas do mal pelo caminho.

Caça às Bruxas (Season of The Witch, 2010) é assim, raso e descompromissado. Toda essa premissa nos é apresentada em um começo até que interessante, onde o diretor Dominc Sena (que já trabalhou com Cage em 60 Segundos, um filme de que gosto) rapidamente nos coloca a par do que precisamos saber antes de começarmos a caminhada rumo a "Mordor". Pois é, nada de novo: herói quer exorcizar marcas do passado e se entrega a uma aventura para salvar o mundo, onde provavelmente morrerá. É o tipo de filme em que o espectador pode montar sua listinha, tentando descobrir a ordem das mortes dentro da "irmandade" que carrega o item a ser entregue.

A premissa interessante não se desenvolve, e ficamos diantes de um filme montado em capítulos. Qual será o próximo desafio? Pontes, lobos, tudo se transforma em obras do sobrenatural. A fotografia até que é bacaninha e a trilha sonora combina com o filme. Mas só. As cenas de ação, pontuadas por muitos cortes, impossibilitam um pleno entedimento do que está acontecendo. E os efeitos especiais caberiam bem em um clipe musical dos anos 80, mas não nos dias de hoje.

As falas de Ron Pearlman, muitas vezes hilárias e ditas no tom de ironia certos, e a bela atriz que interpreta a bruxa merecem um elogio. O ator Robert Shehaan, da ótima série britânica Misfits, acaba subutilizado, mas nos brinda com uma atuação razoável. Já Cage, infelizmente, traz todos os seus cacoetes e atua em ponto morto.

Enfim, um filme pipoca, totalmente de época de férias, que se comparado com as outras possibilidades, pode esperar até sair em DVD / Blu-Ray. Ou, quem sabe, Tela Quente ou Sessão da Tarde.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Direto da Telona: Santuário

É inegável que devemos a moda dos filmes em 3D a fim de conter a pirataria à James Cameron e seu barulhento Avatar, e também são inegáveis as virtudes de sua busca por uma boa tecnologia em 3D. As câmeras e o sistema que ele ajudou a desenvolver já foi visto satisfatoriamente em Resident Evil: Recomeço, e neste ano teremos muitos outros usando esta tecnologia. Como uma espécie de vitrine sobre as possibilidades do uso deste 3D, James Cameron produziu o filme Santuário, dirigido por Alister Grierson, que só tem experiência com um longa metragem desconhecido de 2006. Talvez Cameron devesse ter investido em alguém com mais experiência.

O fato é que James Cameron queria atingir um público muito maior com um filme nos moldes dos documentários que produziu entre Titanic e Avatar, mas que não fosse necessariamente um documentário, e se passasse facilmente por uma ficção. Santuário é baseado na experiência real do co-roteirista Andrew Wight, que produziu muitos documentários com Cameron e a Discovery, que ao ficar preso numa caverna com mais 14 pessoas por dois dias, teve de procurar uma outra saída.

O filme conta a história de Frank (Richard Roxburgh de Moulin Rouge  e Van Helsing), um experiente e marrento mergulhador e espeleólogo que lidera uma equipe que explora um gigantesco sistema de cavernas ainda inexplorados pelo homem na Nova Guiné. A empreitada é bancada pelo fanfarrão aventureiro Carl (Ioan Gruffudd, o Reed Richards de Quarteto Fantástico), que resolve levar sua nova namorada Victoria (Alice Parkinson) para um passeio na caverna. O passeio também coincide com o retorno do jovem e birrento Josh (Rhys Wakefield), filho de Frank, que está tendo muitos atritos com o pai pela paixão por cavernas e nenhuma pelo filho. A divertida excursão já começa em morte, e uma tempestade os deixarão presos e os farão procurar por uma ainda desconhecida saída lutando contra a cruel natureza da gigantesca rede de cavernas.

O filme em si é uma sucessão de mortes ao estilo Premonição, com um pires de roteiro para narrar tudo, e fica evidente a falta de talento do diretor com atores, já que o único que se salva é Richard Roxburgh como Frank, o que podemos atribuir a experiência do ator. Há cenas bastante tensas e claustrofóbicas, mas todas são geradas pelo óbvio bom uso do 3D, pela trilha sonora que emula Avatar e a fotografia criativa que emula  programas documentais como À Prova de Tudo da Discovery Channel. Parece certo, mas como muito do que acontece na trama parece desnecessário, fica uma sensação de vazio ao clichê e forçado final.

Uma curiosidade é que num certo momento do filme, que me lembrou o jogo de videogame Uncharted, há uma menção inútil sobre a 2ª Guerra Mundial envolvendo japoneses e tanque de guerra. O primeiro filme que ninguém assistiu do diretor se chama Kokoda, e fala sobre o conflito de soldados australianos e japoneses durante a Segunda Guerra numa trilha na Nova Guiné. Apesar de não ter assistido este Kokoda, acredito que o diretor tenha tido a intenção de cruzar informações de seus filmes, mas como ninguém percebeu, ficou mais uma informação desnecessária.

Santuário é então um thriller com pouca história, personagens mal desenvolvidos, conflitos que já vimos irritantemente muitas vezes em filmes melhores, mas belíssimas imagens. Chega a ser extravagante iluminar uma caverna com a luz de um relógio, mas fica tão bonito em 3D que você nem se importa. Mas da próxima vez James Cameron deve se concentrar também naquilo em que é bom: contar histórias. Avatar uniu tecnologia e uma história batida de maneira que este Santuário não chega nem perto.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mutantes polêmicos...


O que é ser diferente? É bom? Ruim? Como as pessoas lidam com aquilo que é diferente?

Quando, em 1963, Stan Lee e Jack Kirby criaram os X-Men, para o selo de HQs MARVEL, levantaram esse debate dentro do mundo dos super-heróis. Determinadas mutações, que normalmente se manifestavam na puberdade (ótima metáfora para as mudanças por que todos passamos nessa época), determinavam características (ou poderes, se preferir) únicos. Duas leituras surgem: serão eles a evolução ou monstros, incapazes de viver em sociedade? E essa premissa rendeu (e rende até hoje) ótimos arcos de história para a equipe de mutantes de Charles Xavier, que defende a coexistência pacífica entre as duas "raças". A característica multicultural da HQ, com personagens de todas as partes do mundo (inclusive Brasil) foi decisivo para angariar uma multidão de fãs.

Toda essa popularidade levou ao inevitável: expansão para TV e cinema. Primeiro com desenhos que fizeram muito sucesso nos idos de 1990, com uma das aberturas/música mais lembrada de todos os tempos...


Em 2000, o cinema assiste ao retumbante sucesso da adaptação de Bryan Singer para as telonas. X-MEN colocou a MARVEL efetivamente nos cinemas (algo que somente a DC conseguira antes) e criou a febre das adaptações de HQ que temos testemunhado nos últimos anos. X2: X-MEN UNITED veio em 2003, e Singer melhorou o que já havia feito no primeiro. Uma ótima história muito bem desenvolvida; personagens vibrantes, que pareciam ter saltado dos quadrinhos para a tela, com profundidade e atitude, e um final que comoveu até aqueles que não conheciam a história da Jean Grey. Em 2006, a controvérsia. Brett Ratner dirigiu X-MEN: THE LAST STAND, depois de a DC ter convencido Bryan Singer a fazer o reboot de Superman. Muitos fãs não gostaram do filme, mas eu, particularmente, acho muito bom. Tem a velocidade e a intensidade das melhores histórias dos mutantes na minha opinião. Enfim, uma grande franquia cinematográfica, que depois deste puxou o freio de mão... até agora!

Na semana que passou, foi divulgado o primeiro trailer de X-MEN: FIRST CLASS. A história usa o panorama dos anos 60 para nos (re)apresentar a Charles Xavier e Erik Lehnsherr e suas diferentes visões de como o mundo deve entender os mutantes. Diversos personagens dão as caras no trailer, como Moira, Mística, Fera, Emma Frost. Até o Clube do Inferno e Sebastian Shaw estão lá. Li muitos comentários sobre o trailer. Uns pediam mais ação. Outros reclamaram do clima do filme, uma espécie de X-men encontra 007. Eu gostei bastante. Achei tenso e denso, com uma premissa muito interessante de usar a crise dos mísseis em Cuba como pano de fundo. Além disso, os últimos trabalhos do diretor Matthew Vaughn (Stardust, Kick-Ass) o credenciam, tornando-o merecedor de um voto de confiança.

O filme será lançado em 3 de junho de 2011. Sei que estarei na fila, para assisti-lo. E você? O que acha do diferente? Como o trataria? Comente o trailer, o post. Deixe suas impressões!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Dublê do Diabo

O Festival de Cinema de Sundance é o maior festival de cinema independente dos EUA desde o final dos anos 70, e nos últimos anos vem abrindo cada vez mais as portas para produções internacionais. Também se tornou uma feira, onde os cineastas exibem seus filmes, concorrem a prêmios e tentam vendê-los a distribuidoras que acampam por lá em busca de trabalhos interessantes. Alguns filmes já chegam tão concorridos a ponto de terem de ser leiloados.

Provavelmente o filme mais emblemático do Festival no mês passado foi o polêmico e globalizado The Devil's Double (O Dublê do Diabo) dirigido pelo médio neozelandês Lee Tamahori. O diretor se destacou com O Amor e a Fúria, dirigiu a continuação de Beijos que Matam chamada Na Teia da AranhaTriplo X2, O Vidente com Nicolas Cage e 007 - Um Novo Dia para Morrer, mas agora tem tudo pra se mostrar um diretor que tem algo a mais para mostrar.

um dos momentos sádicos de Uday
O filme narra a história real de Latif Yahia, um tenente do exército iraquiano nos anos 80 de Saddam Hussein, que é obrigado, sob pena de ter toda a sua família morta, a ser um sósia do devasso, ganancioso e imoral Uday Hussein, filho de Saddam. E é conhecida estas histórias de sósias na família Hussein, já que Saddam costumava inaugurar obras em dois lugares ao mesmo tempo, e sua identidade ao ser capturado teve de ser comprovada via exame de DNA. O filme é baseado nos três livros de títulos singelos escritos posteriormente pelo próprio Latif, "Eu era Filho de Saddam", "O Dublê do Diabo" e "O Buraco Negro: A História Real do Homem que foi Forçado a se Transformar no Dublê do Filho Sádico de Saddam Hussein", e existe até um documentário de mesmo nome.
Dominic, Lee, Ludivine e Raad Ravi, que também está no filme

Uma das surpresas do filme é a elogiada atuação de um ator que eu não achava grande coisa. O inglês Dominic Cooper vive tanto Latif quanto Uday, chamou a atenção em Fazendo História e se destacou em filmes como Mamma Mia, A Duquesa Educação. Ainda neste ano ele aparece em Minha Semana com Marilyn como o fotógrafo favorito de Marilyn Monroe, que será vivida por Michelle Williams, e será o  jovem e visionário pai do próprio Homem de Ferro em Capitão América: O Primeiro Vingador.

O filme de produção belga (!) ainda conta com a bela francesa Ludivine Sagnier (Canções de Amor, Swimming Pool, 8 Mulheres e Uma Garota Dividida em Dois), será distribuído pela Lions Gate, mas ainda não tem data de estréia, já que ainda vai passar por outros festivais, obviamente a fim de aumentar seu prestígio.

Infelizmente neste momento o filme ainda não tem um trailer de divulgação, então vou colocar aqui um vídeo em francês com duas cenas do filme e rápidas e, pra mim indecifráveis, entrevistas com diretor e ator.