quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM


Quando, em 1963, o autor francês Pierre Boulle lançou o seu "Planeta dos Macacos", livro em que criticava a sociedade européia de forma disfarçada, os tempos eram outros. Enquanto os livros de hoje muitas vezes já são lançados com contratos prevendo a transposição para as telas dos cinemas, os de antigamente só eram içados a tal patamar quando alcançavam efetivamente sucesso no ramo literário. E esse foi o caso da história onde os símios eram a raça dominante de um planeta, que foi transposta cinco anos depois com Charlton Heston liderando o elenco.

Dirigido por Franklin Shaffner, o filme foi recebido pela crítica como um discurso sobre a Guerra Fria, que ocorria entre as potências do momento. O filme tornou-se clássico ao longo dos tempos, angariando um séquito digno de Star Wars ou Star Trek. Não assisti ao original, muito menos as suas continuações. Tudo o que conhecia provinha de leituras sobre cinema até 2001, quando Tim Burton decidiu fazer o remake do primeiro filme. E não foi tão feliz...

A história era basicamente a mesma, os efeitos eram melhores, entretanto o roteiro falhava em inserir os espectadores no ambiente da história. É óbvio que o cenário é bem ficcional, mas ainda assim quando estamos no cinema esperamos que o filme nos leve a passear e conhecer um novo universo, e não me senti efetivamente inserido naquele mundo onde os macacos dominavam. Dessa forma, quando o prequel foi anunciado, a falta de publicidade não me incomodou. Esse seria um filme que assistiria em um dia em que sobrasse um tempo. E que bom ter tido pouca informação: a experiência tornou-se muito mais interessante!

PLANETA DOS MACACOS - A ORIGEM (Rise of the Planet of the Apes, 2011) nos apresenta à empresa GEN-SYS, onde os cientistas fazem ciência e os acionistas fazem dinheiro! Will Rodman (James Franco) busca incessantemente a cura para o Mal de Alzheimer, que aflige seu pai (John Lithgow, numa atuação no tom certo). Após um acidente no laboratório, Will leva para casa um filhote, César, que começa a demonstrar uma capacidade cognitiva que se desenvolve de forma surpreendente. O jovem cientista vê no pequeno macaco a possível salvação para o seu pai.


O roteiro, ao trazer os macacos para o "nosso" planeta, nos aproxima da história. Além disso, a busca por uma cura que todos desejamos na atualidade (e que vemos cada vez mais possível, através de alguns avanços da tecnologia de hoje) alcança sucesso onde o filme de Tim Burton falhou: a imersão ocorre de forma orgânica e evolui de forma harmoniosa.

O show promovido pela Weta Digital e pelo ator Andy Serkys se desenrola brilhantemente na tela. Aliás, não só César (Serkys), mas todos os símios são críveis. É uma contenda interessante: nosso senso nos diz que aquilo é inviável, mas nossa porção crível quer aceitar, a cada instante, que aquela "Revolução da Macacada" está realmente se formando. E, aqueles que conhecem a história do filme original, já esperam por um final anunciado.


Franco (que para mim não possuí uma presença de tela muito efetiva) atua de forma consistente e até mesmo os coadjuvantes de luxo Brian Cox e Tom Felton acrescentam de forma simples algo mais ao enredo que, sem dúvida nenhuma se centra em César. Sem diálogos (somente com uma pequena cena de "linguagem dos sinais", rs) os realizadores (direção de Rupert Wyatt e roteiro de Rick Jaffa e Amanda Silver) conseguem imprimir o tom de cada acontecimento dentro do centro de controle de animais a contento. As cenas de ação envolvendo os macacos também são vibrantes. A batalha na ponte Golden Gate é empolgante e arrojada, mostrando uma organização militar do símio típica do antigo imperador romano, que lhe empresta o nome.

A película possui alguns pequenos deslizes de roteiro (como uma personagem símia que, aparentemente, acabou cortada da versão final, mas que sobreviveu em algumas cenas), mas nada que incomode. A cena supracitada com a utilização da linguagem dos sinais é compreensível do ponto de vista do roteiro, mas estraga um pouco aquela característica crível de que falei.


Existem diversas citações (ou Easter eggs) inseridos ao longo do filme, mas confesso que não os percebi por completo por não ter assistido ao original ou ter lido o livro. Mas deve ser divertido, para os iniciados na saga, notar esses detalhes.

O filme diverte e, mesmo apostando em alguns clichês, consegue surpreender. Os créditos finais são excepcionais e guardam uma pequena cena que completa a obra de forma coerente, ligando-a de forma efetiva aos demais filmes e abrindo as portas para uma possível sequência. Sem falar que, ao melhor estilo Star Trek, reinventa de certa forma um universo que pode prosperar ainda.

Ótimo entretenimento, esse filme tem sido muito elogiado ao redor do mundo. E por puro merecimento. Como já se dizia antigamente, a César o que é de César...


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

HQ: PROJETO MARVELS - O NASCIMENTO DOS SUPER-HERÓIS





"É um épico de espionagem moderno sobre os primeiros dias do Universo MARVEL, apresentando aquela época em uma grande história, o que nunca foi feito antes."

Com essa frase Ed Brubaker descreveu, na New York Comic Con em 2009, um dos grandes lançamentos da Casa das Ideias em seu aniversário de 70 anos: PROJETO MARVELS (The Marvels Projects - 2009). A minissérie, dividida em 8 edições, contou com os roteiros do próprio Brubaker e desenhos de Steve Epting, equipe responsável por uma grande fase na HQ do Capitão América. E é interessante notar a semelhança no tom da HQ e do filme do Bandeiroso, ainda nos cinemas.


A trama se passa nos anos 40 e claramente procura juntar, em uma única história, os vários pedaços soltos das origens de heróis no Universo MARVEL. É fato que podemos encontrar muito material na série OS INVASORES, em vários flashbacks na série OS VINGADORES e na própria CAPITÃO AMÉRICA e até na incrível MARVELS, mas nada consolidado. E essa é a proposta desta HQ, que é facilmente encontrada, em encadernado único, nas melhores lojas. Legal que as origens foram respeitadas, sem modificar nada no intuito de "melhorar" os arcos.


Tocha Humana, Capitão América, Nick Fury, Namor, todos envolvidos em uma trama durante a Segunda Grande Guerra que enfoca a corrida dos nazistas e dos americanos tentando desenvolver supersoldados. Além desses, personagens da TIMELY COMICS (antigo nome da MARVEL), como o Anjo, um combatente do crime nas ruas da Nova Iorque dos anos 30-40, são mostrados. É ele quem observa e narra todos os acontecimentos, entre espiões, vigilantes assassinados, detetives particulares, atlanteanos e planos nazistas de invasão. Destaque especial para a parte final, onde momentos históricos se misturam ao mundo ficcional, lebrando em muito o final de outro grande filme deste ano, X-MEN: PRIMEIRA CLASSE.





Brubaker faz um ótimo trabalho, revirando muito material antigo da editora e trazendo personagens que estavam no limbo e novas nuances sobre alguns dos principais aspectos do período. A escolha de Epting para a arte era óbvia, não só pela parceria já existente entre os dois mas também pela qualidade do trabalho do mesmo, que pode ser conferido em cada quadrinho deste excepcional encadernado.


Se você procura um material bem escrito ou, ainda, algo que o auxilie no entendimento desse universo e o guie no começo da leitura de HQs, mãos à obra. E tenha uma ótima leitura.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

LIVRO: A Batalha do Apocalipse

Os romances de fantasia são, por muitas vezes, encarados como algo menor perante os demais ramos literários. Entretanto, quando nos deparamos com autores criativos e capazes, esse tipo de leitura se transforma em uma viagem a um novo mundo, povoado por personagens cativantes e histórias que merecem ser contadas. Antes restritos ao universo estrangeiro, esses romances tem, cada vez mais, encontrado voz em autores tupiniquins. Um desses é Eduardo Spohr, com o seu romance de estréia A BATALHA DO APOCALIPSE - DA QUEDA DOS ANJOS AO CREPÚSCULO DO MUNDO, lançado no Brasil pela VERUS Editora, braço do Grupo Editorial Record que publica obras de ficção.

Colaborador do podcast do site Jovem Nerd, o NERDCAST (muito conhecido no mundo pop nacional), Eduardo Spohr é escritor, jornalista e blogueiro, sendo responsável pelo blog Filosofia Nerd. Mas mais do que isso, jogador de RPG e consumidor de muita, mas muita cultura NERD. E toda essa bagagem cultural fez com que o mesmo concebesse uma obra merecedora de muitos elogios.

Qualquer fã de obras como O SENHOR DOS ANÉIS ou HARRY POTTER que se preze recita de cor e salteado o mundo de suas histórias, graças à perícia com que os dois autores (J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling, respectivamente) conseguiram descrever e inserir na mente de seus leitores todos os detalhes possíveis e imagináveis. Além disso, os dois sabem criar personagens com quem os leitores se preocupam e de quem querem saber sempre mais. E Spohr desenvolve essas duas características em sua obra com brilhantismo.

Ablon é um anjo renegado quando o encontramos, vivendo entre os humanos no Rio de Janeiro. Perdeu sua grandeza angelical ao ser condenado, junto a outros, por conjurar contra os grandes Arcanjos Miguel e Gabriel. Já não almeja mais se envolver nas brigas angélicas, e só vive dia após dia. Temos Shamira, uma feiticeira milenar, que ainda caminha entre nós e, percebemos, nutre sentimentos afetuosos com relação ao Anjo Renegado. O autor os descreve de forma tão precisa e coerente que nos sentimos amigos próximos de ambos e torcemos para que encontrem o seu momento.

Através deles somos apresentados a uma série de acontecimentos que deixam claro que o momento do Apocalipse se aproxima. Ablon sabe disso, mas é outro o fato que irá dar início à jornada do nosso herói... Por meio de flashbacks visitamos a Babilônia e seus jardins famosos, caminhamos junto ao imperío Romano e pelas florestas e planícies chinesas, aprendendo um pouco mais de Ablon e Shamira.

Ver o autor sedimentar o seu universo a cada nova página é empolgante. A clareza e o esmero com que descreve cada novo ambiente, cada fortaleza ou floresta em que a história se desenrola cria uma sensação de imersão total. A explicação de cada uma das castas angélicas e a visão do autor ante alguns fatos históricos são uma lição de como contar o caminho do querubim até a batalha do título. Inclusive, um título como esses poderia criar uma expectativa grande quanto a esse momento nas páginas. E novamente vemos um desfecho grandioso.

A batalha envolve alguns capítulos, permeada pelas trombetas do Apocalipse. A descrição das lutas é quase que um roteiro pronto: ao fechar os olhos conseguimos efetivamente visualizar cada estocada, cada soco ou a própria IRA DE DEUS, golpe poderoso do Primeiro General (Ablon).


Leitura obrigatória para todo o amante deste tipo de literatura.

E preparação para a próxima obra de Spohr, FILHOS DO ÉDEN, recém lançado. Testemunhe esse épico, onde anjos, demônios batalham com magia e muito suspense pelo futuro deste mundo, ao fim do sétimo dia...

sábado, 6 de agosto de 2011

CAPITÃO AMÉRICA - O Primeiro Vingador


Existem alguns filmes tão bem executados que saímos do cinema querendo falar sobre os mesmos. Discutir com os que já o assistiram ou recomendá-lo para os que ainda não tiveram a oportunidade, tanto faz. Só queremos prolongar a experiência do filme. CAPITÃO AMÉRICA - O Primeiro Vingador (2011) levou a LIGA ao cinema e se credenciou como mais um nessa restrita lista de filmes.

Apesar de o título referenciar o primeiro dos Vingadores, essa é a última incursão da MARVEL nos cinemas antes do grande evento: o filme OS VINGADORES, a ser lançado no meio do ano que vem. Essa caminhada em direção ao filme da super equipe pesou bastante nas costas de cada novo roteirista/diretor que se aventurava no universo da Casa das Idéias. A necessidade de inserir easter eggs em cada filme, para que tanto os fãs quanto os novatos enxergassem a origem do time causavam problemas no ritmo dos filmes ou no próprio roteiro, que criava essas inserções em detrimento de um melhor desenvolvimento dos personagens. Mas isso não é sentido (de forma tão evidente) no filme do Sentinela da Liberdade.


O filme é extremamente divertido, com uma história que cativa e, efetivamente, captura logo no seu início. Steve Rogers é um rapaz franzino que, em plena guerra mundial, insiste em lutar pelo o que é certo. Em determinado momento lhe é perguntado se ele deseja cruzar os oceanos para matar nazistas e ele deixa claro que não pretende se tornar um assassino, mas sim defender o que é correto. Não sendo alistado devido a sua compleição física, ele aceita participar de um experimento e torna-se o Supersoldado. Criado por Jack Kirby e Joe Simon, o personagem surgiu efetivamente no momento da segunda guerra mundial. Sua primeira capa, inclusive, mostrava o Capitão socando o próprio Führer(!), fato que foi homenageado em uma das cenas do filme.

A atual conjuntura mundial só faz crescer o espírito anti-americano. Sendo assim, fica fácil entender a dificuldade que representou para os envolvidos na produção venderem esse personagem. Ele é praticamente uma bandeira americana ambulante. Entretanto a solução encontrada no roteiro desarma o mais ferrenho detrator dos EUA, além de prestar uma bela homenagem ao uniforme clássico do herói.

Chris Evans (que causou certo medo nos fãs quando foi confirmado no papel de Rogers) mostra maturidade e atua de forma inspirada. Vemos o próprio Steve, com sua determinação e nobreza estampadas em cada olhar do rapaz. Diferentemente de muitos filmes de heróis, essa devoção do ator confere a ele a alma do filme, não permitindo ao ótimo Hugo Weaving (que vive o vilão líder da Hidra chamado Caveira Vermelha) roubar a cena. É bem verdade que o roteiro o transforma em um vilão "galhofa", no melhor estilo Lex Luthor, mas até isso passa despercebido. Importa ver e entender mais sobre aquele que será o líder dos Vingadores.


O diretor Joe Johnston, que contribuiu com Steven Spielberg em muitos filmes, demonstra toda essa influencia positiva com cenas carregadas do espírito de Indiana Jones. O ótimo elenco dá o suporte necessário a Evans, em especial Tommy Lee Jones (que se diverte no papel do Coronel Chester Phillips) e Hayley Atwell como o interesse romântico do Capitão, Peggy Carter (com um sedutor sotaque britânico). A fotografia, com o efeito sépia, é belíssima, envelhecendo os frames, tornando as cenas levemente amareladas. O figurino também é bem cuidado, merecendo muitos elogios o uniforme do Capitão. Arrisco-me a proclamá-lo como a melhor transposição de todos os filmes de heróis até hoje. Sua aparição é tão orgânica junto ao enredo que lembra a forma como Nolan tratou o uniforme do Homem-morcego nos últimos dois filmes do Cavaleiro das Trevas.


E Os Vingadores? Existem referências? Claro, inclindo o presença de Howard Stark, pai de um certo Homem de Ferro. Acho, inclusive, que a MARVEL influenciou a montagem do final do filme, pensando na inserção do trailer de OS VINGADORES, presente ao final dos créditos. Ótimo filme, talvez o melhor dessa safra de férias, merece ser assistido na telona. O 3D cria uma sensação de profundidade bem interessante, mas não é determinante. Bom filme a todos!

CAPITÃO AMÉRICA RETORNARÁ EM OS VINGADORES.