Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de março de 2014

Literatura: Só Garotos

No começo da música "Gloria", Patti Smith incorpora seu poema "Oath" que começa com "Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não os meus". Ao contrário de parecer totalmente herético, a passagem é uma declaração de existência, como um voto de responsabilidade pelos próprios atos. Segundo Patti, Cristo era alguém contra quem valia a pena se rebelar, pois ele era a rebelião em pessoa. E tudo isso tem a ver com a mais pura fé.

O livro "Só Garotos" é a deliciosa autobiografia de Patti Smith
lançada em 2010, e é resultado de uma promessa. De fé. Criada por uma simples família de valores tradicionais de Chicago nos anos 50, Patti acabou crescendo com os irmãos numa pobre Nova Jersey. Foi lá que ela destruiu o próprio futuro ao ficar grávida aos 19 anos, e descobriu que os tais valores tradicionais já não eram mais tão tradicionais ao continuar acolhida pelos pais. Tradições estas que já a amedrontavam desde criança, quando questionou a mãe sobre ter de colocar uma camiseta pra brincar com garotos, a existência de Deus e os motivos pra rezar. Ela compreendeu a parte espiritual muito cedo, quando muito cedo teve contato com o sentimento de morte, mas nunca deixou as outras questões atrapalhar seus planos. Foi assim que ela decidiu sair de casa, e encarar Manhattan. Antes, a mãe, sem saber bem como apoiar a filha, lhe embrulhou um uniforme de garçonete e disse "você não daria uma boa garçonete, mas aposto em você mesmo assim". A mãe tinha razão quanto a ser garçonete e em apostar na filha.

Mas "Só Garotos" não fala exclusivamente de Patti. Se trata da promessa que ela fez a Robert Mapplethorpe, seu companheiro por muitos anos. Ele, um típico filho de fervorosos católicos que se desgarrou do rebanho, salvou Patti de apuros em ao menos dois momentos antes deles decidirem morarem juntos pra nunca mais perderem o vínculo. Não eram amigos, nem namorados, nem noivos, nem casados, nem irmãos, mas tudo isso junto. A história de amor deles é geralmente vinculada em artigos sobre relações não-monogâmicas, mesmo que eles nunca tivessem rotulado de qualquer forma.

um dos famosos retratos de Robert
Juntos eles passaram muitos perrengues pra ter sua arte (desenhos, recortes, poesias, colagens, textos em geral) reconhecida de alguma forma. Cada um a seu modo mergulhou num mundo próprio, mesmo que de mãos dadas, com alguns muitos percalços, e descobriu suas reais vocações. Mas pra isso precisaram fazer muito contatos e focar em seus sonhos - como o de Robert em ser uma espécie de Andy Warhol e se cercar de seus amigos. Nesta jornada passaram por uma América em transformação (política, científica e intelectual) e encontraram figuras como os músicos Jimi Hendrix, Janis Joplin e o dramaturgo Sam Shepard, além de muitos figurões excêntricos que muito os ajudaram.

a famosa capa do disco de estréia de Patti
Patti se tornou uma roqueira famosa, praticamente sendo a precursora do punk-rock sem se dar conta disso, misturando sua poesia com notas musicais e parcerias corajosas. O caminho que ela segue pra chegar a este ponto é surpreendente. Robert se torna um famoso fotógrafo, muito mais conhecido pelos icônicos retratos e praticamente catalogando a cena sadomasoquista de Nova Iorque. Patti tem hoje 67 anos, ao menos 11 discos gravados, e além desta autobiografia, coletâneas de poesias do passado. Robert deixou seu legado, como queria, mas faleceu em consequência da AIDS em 1989 aos 42 anos de idade.

Auto retrato de Robert
Numa tarde tomando café numa garrafa térmica e observando as pessoas na Washington Square, Patti e Robert começaram a ser observados por um casal de turistas. Exibicionista, Robert apertou a mão de Patti com carinho, e a turista falou ao marido "tire uma foto deles, acho que são artistas", no que o marido respondeu dando de ombros "ora, vamos logo. São só garotos".

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

HQ: PROJETO MARVELS - O NASCIMENTO DOS SUPER-HERÓIS





"É um épico de espionagem moderno sobre os primeiros dias do Universo MARVEL, apresentando aquela época em uma grande história, o que nunca foi feito antes."

Com essa frase Ed Brubaker descreveu, na New York Comic Con em 2009, um dos grandes lançamentos da Casa das Ideias em seu aniversário de 70 anos: PROJETO MARVELS (The Marvels Projects - 2009). A minissérie, dividida em 8 edições, contou com os roteiros do próprio Brubaker e desenhos de Steve Epting, equipe responsável por uma grande fase na HQ do Capitão América. E é interessante notar a semelhança no tom da HQ e do filme do Bandeiroso, ainda nos cinemas.


A trama se passa nos anos 40 e claramente procura juntar, em uma única história, os vários pedaços soltos das origens de heróis no Universo MARVEL. É fato que podemos encontrar muito material na série OS INVASORES, em vários flashbacks na série OS VINGADORES e na própria CAPITÃO AMÉRICA e até na incrível MARVELS, mas nada consolidado. E essa é a proposta desta HQ, que é facilmente encontrada, em encadernado único, nas melhores lojas. Legal que as origens foram respeitadas, sem modificar nada no intuito de "melhorar" os arcos.


Tocha Humana, Capitão América, Nick Fury, Namor, todos envolvidos em uma trama durante a Segunda Grande Guerra que enfoca a corrida dos nazistas e dos americanos tentando desenvolver supersoldados. Além desses, personagens da TIMELY COMICS (antigo nome da MARVEL), como o Anjo, um combatente do crime nas ruas da Nova Iorque dos anos 30-40, são mostrados. É ele quem observa e narra todos os acontecimentos, entre espiões, vigilantes assassinados, detetives particulares, atlanteanos e planos nazistas de invasão. Destaque especial para a parte final, onde momentos históricos se misturam ao mundo ficcional, lebrando em muito o final de outro grande filme deste ano, X-MEN: PRIMEIRA CLASSE.





Brubaker faz um ótimo trabalho, revirando muito material antigo da editora e trazendo personagens que estavam no limbo e novas nuances sobre alguns dos principais aspectos do período. A escolha de Epting para a arte era óbvia, não só pela parceria já existente entre os dois mas também pela qualidade do trabalho do mesmo, que pode ser conferido em cada quadrinho deste excepcional encadernado.


Se você procura um material bem escrito ou, ainda, algo que o auxilie no entendimento desse universo e o guie no começo da leitura de HQs, mãos à obra. E tenha uma ótima leitura.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nosso bruxinho favorito: PARTE 7.1


Era uma vez 3 irmãos que queriam atravessar um rio fundo demais. Sendo exímios bruxos, criaram uma ponte e só não a atravessaram porque tiveram o seu caminho impedido por um ser encapuzado: a morte. Ao perder as 3 vítimas de afogamento, astuta, ofereceu-lhes prêmios por sua esperteza...

Daí surgiram a varinha mestra, a pedra da ressureição e o manto de invisibilidade, AS RELÍQUIAS DA MORTE que dão título ao sétimo e último livro da série que conta a saga do bruxinho que possui uma cicatriz em forma de raio. Um final digno para um conto que começou a surgir em uma viagem de trem da autora.

Finalmente nos são revelados todos os Horcruxes (objetos em que Voldemort inseriu partes de sua alma, querendo ser eterno): o diário de Tom Riddle, o anel de Marvolo Gaunt, o medalhão da Sonserina, a taça da Lufa-Lufa, a cobra Nagini, a tiara da Corvinal e o próprio Harry Potter! Sim, o menino que sobreviveu também tem uma porção da alma do Lorde das Trevas em si. Em uma visão exacerbada, podemos enxergar a ideia dos Horcruxes como uma grande esquizofrenia do Mestre dos Comensais da Morte, que personifica o mal. Mas o bruxinho chega a este livro disposto a dar um basta nessa história.

Confesso que esse é o post mais difícil de escrever. Que partes ressaltar de um fechamento, em que tudo soa importante? A redenção de Snape, talvez, em um dos capítulos mais singelos de toda a série...? Ou a abnegação de Harry, ao ver que seus aliados continuarão morrendo a não ser que ele mesmo se entregue? Os sacrifícios de Edwiges e Olho-tonto Moody? a fúria da senhora Weasley ao defender Gina de Bellatrix? a invasão de Gringotes? a invasão do Ministério? a batalha de Hogwarts...?

A autora se utiliza de cada palavra, de cada capítulo, para nos capturar e, quanto mais perto do final, queremos ler mais rápido e mais lento: queremos saber o fim, mas não queremos que acabe! Como já estamos mais do que familiarizados com os personagens e locais do mundo bruxo, Rowling nos guia por uma verdadeira viagem em Montanha Russa: somos catapultados a alturas extremas só para, logo em seguida, descermos ruidosamente, sem freios, até o ponto mais baixo. Emocionante, do começo ao fim. As mortes doem; as vitórias nos alegram; a proximidade de uma nova Horcrux nos faz suar frio; não saber como destruí-la nos deixa frustrados e acabamos sofrendo os efeitos maléficos que a porção de Voldemort tem sobre nossos heróis.

E o que falar do epílogo... o nó custou a ser desfeito na garganta quanto li a última palavra de uma aventura que durou anos e que pude acompanhar, acredito eu, como mais do que um trouxa. Sinto-me um bruxo honorário, um quase Auror, um herói em sua jornada, em que, como Harry (e Rowling) brilhantemente nos ensinou, o amor, a coragem e a abnegação podem sobrepujar qualquer obstáculo!


Quanto ao filme, primeiro precisamos elogiar a decisão de dividir esse capítulo em dois. É óbvio que o caráter "lucro" foi levado em conta, mas seria impossível resumir em pouco mais de 2 horas todos os acontecimentos desse livro. E mais, não vejo nenhum dos mesmos como supérfluo: todos tem o seu papel na catarse do leitor.

Comentando a primeira parte, preciso confessar que desde a primeira vez que a assisti no cinema até hoje quando a assisto em casa, a cena inicial traz lágrimas aos meus olhos. A genuína tristeza com que Emma Watson (Hermione) pronuncia o feitiço OBLIVIATE é visceral! David Yates (novamente na cadeira de diretor) evidencia que o que virá a partir desse momento irá envolver muito sofrimento e sacrifício. A fuga de Harry pelos céus de Londres é outro exemplo avassalador de que todos correm risco agora. Até os gêmeos Weasley. Quanto à parte técnica, elogios seriam apenas chover no molhado. O brilhantismo dos dois filmes anteriores se mantém, equilibrando ótimas atuações e cenas de ação de tirar o fôlego. Mesmo sabendo que não teremos o momento final ainda, a imersão é perfeita, catapultada às alturas com os acontecimentos na mansão dos Malfoy e a morte de um certo elfo doméstico muito querido. Mais um sacrifício por Harry. Mais do que por Potter, a entrega é pela causa, no intuito de vencer o mal que Voldemort representa. A visita a Godric's Hollow é triste e pesada, as noites solitárias, acampando em florestas e ouvindo notícias através de um rádio, temerosas e o mal que se aconchega em Hogwarts prenuncia o grande final. Percebe-se a escolha clara de privilegiar a história nessa primeira parte, para investir nos grandes (e mais esperados) momentos na segunda. Destaque para a animação do Conto dos 3 Irmãos, de uma beleza simples e apropriada.

Agora é ir ao cinema e acompanhar o grande final da saga, que chegou (é hoje a estréia, galera!!!!!). Para esquentar, um vídeo indicado pela minha ilustre irmã, para rememorar o que já aconteceu e preparar para o que está por vir. Promessa de muitos lencinhos usados nas salas de cinema nesse final de semana.



Não deixe de ler logo mais a crítica do filme aqui na LIGA. Mais uma crítica internacional, pois nosso amigo Minduim escreverá direto de Vancouver. Bom filme, e torçamos para que outras obras literárias possam surgir, para incentivar as crianças a viajar pelo mundo dos livros e inspirar novas grandes produções cinematográficas. Eu sei que eu sentirei falta dos meus amigos de Hogwarts... E vocês? Abraços...


"O último vestígio de vapor se dispersou no ar de outono. O trem fez uma curva, a mão erguida de Harry ainda acenava ADEUS.
- Ele ficará bem - murmurou Gina.
Ao olhá-la, Harry baixou a mão distraidamente e tocou a cicatriz em forma de raio em sua testa.
- Sei que sim.
A cicatriz não incomodara Harry nos últimos dezenove anos. Tudo estava bem."
(HARRY POTTER e as Relíquias da Morte)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nosso Bruxinho favorito: PARTE 6

AVISO: Inferi foram avistados! Esses cadáveres humanos foram, provavelmente, reanimados pelo Lorde das Trevas! A LIGA recomenda o uso de feitiços como Lumus Solen e Incendio, mas se eles não funcionarem, corram...

Mensagem dada, que tal afastar a mente dessas marionetes de Lord Voldemort ocupando-a com uma investigação: quem é o principe mestiço que deixou tantas dicas úteis para que Harry seja o aluno mais brilhante nas aulas de poções de Horácio Slughorn (sim, temos um novo professor de Poções porque Snape conseguiu o que queria: ser o titular de Defesa Contra a Arte das Trevas) no sexto tomo de J. K. Rowling, O ENIGMA DO PRÍNCIPE?

O Mundo Bruxo está em polvorosa. Agora, todos sabem que o Bruxo mais temido de todos voltou. A dinâmica de Hogwarts muda não somente com relação aos professores que ministram as aulas. Ao longo do ano letivo, diversos objetos amaldiçoados são endereçados à Dumbledore e Harry tem uma certeza: tudo isso é obra de Draco Malfoy que é agora (para Potter) um Comensal da Morte!!! Além disso, o bruxinho tem que acumular o posto de capitão do time de Quadribol da Grifinória, conter o ciúme, cada vez maior, que sente com relação ao romance entre Gina Weasley e Dino e comparecer ao escritório de Dumbledore que, usando a Penseira, lhe mostra a história de Tom Riddle e lhe dá uma tarefa: recuperar a última peça do quebra-cabeça, ainda na memória de Slughorn. O nível sombrio atinge seu ápice aqui, e Harry se desdobra para conseguir ajudar o velho bruxo. Aprendemos muito sobre a história, somos apresentados aos Horcruxes e entendemos finalmente a intenção de Voldemort. Pela primeira vez o livro termina sem um final aparente. Como a própria autora declarou à época, esse livro e o último parecem muito mais partes de uma mesma história.

Destaco uma passagem do livro que, creio, todos tenham sentido a mesma coisa: quando Harry executa à contento um desafio do Mestre de Poções, recebe como prêmio um frasco da poção Felix Felicis... e quem não queria ter estado no lugar dele? Sorte líquida, resolvendo tudo ao seu redor da forma mais satisfatória para você... eu quero um litro, rs.

Como já falamos no post anterior, a adaptação cinematográfica teve o mesmo diretor, David Yates, do quinto. E isso acabou por contribuir para que o clima fosse mantido, evoluindo de forma satisfatória em todos os quesitos. A fotografia (Bruno Delbonnel) desse episódio, em especial, me impressionou bastante. Além disso, a trilha sonora (Nicholas Hooper) que já pontuava com primor o capítulo anterior, aqui age de forma preponderante na hora de ajudar na imersão do espectador. Lembro-me de, após assistir ao filme, ouvir a trilha sonora e conseguir rever o filme em minha mente. Muito boa mesmo. Quanto aos momentos chave, merecem menção a fúria de Hermione ao ver Lilá beijar Rony pela primeira vez, todos os flashbacks de Voldemort, a atuação de Tom Felton (que incorpora a confusão na cabeça de Malfoy) e o embate entre Harry e Malfoy, no banheiro da Murta-que-Geme, onde aprendemos que SECTUMSEMPRA não deve ser usado sem a presença de um adulto... A cena final corta o coração e emociona, com todos erguendo suas varinhas enquanto Potter se despede de seu mentor. A decisão posterior do bruxinho, de não retornar à Hogwarts no ano seguinte visando terminar o trabalho iniciado por Dumbledore nos mostra que Potter cresceu; e as afirmativas de Rony e Hermione de acompanhá-lo, mesmo quando ele se coloca contra, o quanto a amizade é o fiel da balança na vida do jovem bruxinho.


Galera, estamos perto do final!!! Amanhã visitaremos os contos de Beedle, o bardo para entendermos melhor sobre AS RELÍQUIAS DA MORTE. Mas antes, vou lhes pedir o mesmo que Narcissa exigiu de Snape, o nosso príncipe mestiço, em sua casa na Rua da Fiação: façam o voto perpétuo de não abandonarem a LIGA, Harry e Dumbledore à merce dos Inferi... Sacar varinhas:

LUMUS SOLEN!!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Nosso bruxinho favorito: PARTE 5


Vamos visitar o Largo Grimmauld, 12?

Fique tranquilo: além de Dumbledore, eu também sou o fiel do feitiço Fidelius, e posso guiá-los por um rápido tour pela grande e antiga casa da família Black e tentar participar de uma das reuniões da ORDEM DA FÊNIX, organização que dá nome ao quinto volume da história do bruxinho.

Agora Voldemort está de volta. Os comensais estão mais ativos do que nunca, mas procuram mascarar suas ações. O ministro da magia passa a desacreditar Harry e, principalmente, Dumbledore perante a comunidade bruxa, que passa a se questionar se o "cargo" de chosen one não subiu à cabeça do jovem herói. A sensação de solidão cresce em Potter, que sente não poder contar nem com os bons amigos Rony e Hermione. O próprio diretor de Hogwarts o deixa no escuro, limitando-se a enviar observadores para protegê-lo de qualquer artimanha do Lorde das Trevas. Nesse clima, o retorno à Hogwarts é apressado por um ataque de Dementadores e, o que mais assusta os estudantes, a escola agora tem uma nova professora de Defesa Contra a Arte das Trevas (cadeira amaldiçoada do instituto de magia), Dolores Umbridge, que aos poucos passa a ingerir no comando de Dumbledore. Entre muitas peripécias surge a Armada de Dumbledore, conhecemos os Testrálios (criaturas incríveis!), mas o maior acréscimo é o da louquíssima Luna Lovegood! A nova amiguinha tem papel fundamental na trama, que tem o seu clímax no Ministério da Magia, em uma luta frenética pela profecia em que Sibila Trelawney previu a ligação entre Harry e Voldemort. Por fim, pela primeira vez temos contato direto com a perda de um personagem que amamos (desculpe Cedrico, mas você não era tão querido assim...): a perda da figura mais próxima de Harry é arrasadora e atroz.

Para alguns, esse livro grande (em páginas) é o mais arrastado de toda a série. Confesso que, na época em que o li, não senti dessa forma. Considerando o tempo que esperávamos entre um livro e outro, eu gostava de saborear ao máximo cada página, cada informação. Gostei muito deste, como dos demais. Toda a história contida na Tapeçaria da família Black, os testrálios, os momentos de treinamento da Armada de Dumbledore, o momento "sou um super-bruxo" na hora em que o diretor derrota alguns Aurores de forma rápida e fácil, tudo me fascinou e me ajudou a entender melhor as motivações de muitos personagens, além de fazer a história fluir, caminhando em direção ao seu final.


Quanto à produção cinematográfica, David Yates assumiu a cadeira de diretor para não mais deixá-la. Ao que parece, a química entre ele, os atores, produtores, roteirista e a autora foi tão mágica que não houve dúvidas quanto a sua manutenção até o final da cinessérie. E verdade seja dita: ele realmente entendeu o universo bruxo e, mais do que isso, o grande séquito de fãs que o acompanhava. É evidente que a evolução dos atores mirins era algo esperado, mas as atuações já nesse quinto filme estão muito boas. Sem falar na forma como, de maneira mais eficiente do que no filme anterior, a adolescência dos personagens aflora na telona. Nesse quesito, temos um grande momento no crescimento do jovem bruxinho: seu primeiro beijo, em Cho Chang, que é um momento bonito, não sendo exagerado e nem vulgar. Pontos para a produção! Outra sequência que merece destaque é o clímax do filme, desde o momento em que os jovens da Armada chegam ao ministério até o enfrentamento com os Comensais.


Como nota especial, vale lembrar que nesse episódio, a intenção do roteirista era deixar de lado o elfo doméstico Monstro, considerando-o desnecessário à trama. J.K. Rowling agiu rapidamente, deixando claro que, mesmo que seu papel não fosse tão grande nesse, mais em frente ele seria necessário (como sabemos todos nós que já terminamos de ler a saga, certo?... rs). Uma bela demonstração de como um autor deve cuidar da sua obra (viu C. Paolini, ausente no desastre chamado Eragon...).


Vamos lá membros da ORDEM: preparem suas varinhas e protejam-se de todo e qualquer Dementador que possa cruzar o seu caminho. Amanhã é a vez do príncipe mestiço mostrar as caras por aqui em O ENIGMA DO PRÍNCIPE... ou será que ele continuará incógnito? Abraços...

EXPECTO PATRONUM!!!!!

Obs.: Tenho quase certeza que o meu patrono seria uma Lontra, rs. E o seu?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nosso Bruxinho favorito: PARTE 4


ACCIO FIREBOLT!


Suba em sua vassoura e alce vôo em direção ao quarto capítulo de nossa semana Harry Potter: O CÁLICE DE FOGO! Se até então o mundo bruxo se resumia a Hogwarts, nesse livro descobrimos que não! Existem outras escolas, em outros locais. Durmstrang, um instituto gelado e sinistro e Beauxbatons, academia francesa e meiga.

Do instituto Nórdico surge Victor Krum, que nos é apresentado na final mundial de Quadribol, logo no início do livro, na qual defende a seleção da Bulgária contra a Irlanda. O bruxinho da cicatriz em forma de relâmpago e a família Weasley vão ao evento, que transcorre normalmente até que os Comensais da Morte (seguidores de Voldemort) aparecem e a marca do Lorde das Trevas volta a ser ostentada no céu.

O medo, nesse capítulo da série, é real e imediato. Mas atrelado ao medo gerado pelo retorno dos asseclas de Tom Riddle, temos um grande evento ocorrendo em Hogwarts: chegou a hora de mais um Torneio Tribruxo! Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang se reunem e um campeão de cada uma deve competir em três tarefas difíceis para ver quem é o merecedor do tal troféu. Victor Krum é o escolhido por Durmstrang; a bela (e meia Veela) Fleur Delacour por Beauxbatons; e Cedrico Diggory por Hogwarts... mas em uma virada que surpreende a todos (até mesmo Rony e Hermione) Harry Potter acaba apontado para a competição. Veredicto: serão quatro competidores dessa vez!

Em um enredo envolvendo tarefas incríveis (dragões, mundos submarinos e labirinto amedrontadores acontecem), um novo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas Alastor Moody e seu olho mágico (que lhe dá a alcunha de Olho-Tonto), o arroubo do lado amoroso entre os personagens e bailes de gala, tudo nos esconde o que está realmente acontecendo: Voldemort está tentando retornar... O final é triste e carregado, gerando um nó na garganta dos leitores.

Quando o filme chegou aos cinemas, todos esperavam por uma coisa: a primeira aparição de Lord Voldemort em carne e osso... e olhos de serpente e sem nariz! Ver um bom vilão personificado em algo mais real não era tão bom desde Darth Vader. Mike Newell, com Quatro Casamentos e Um Funeral, O Sorriso de Monalisa e Donnie Brasco em seu currículo, recebeu a tarefa de dirigir a produção e saiu-se bem. Talvez não com a mesma maestria de Cuarón no anterior, soube conduzir muito o grande elenco de jovens em suas incursões amorosas. Além disso, todas as tarefas ficaram perfeitas e o interesse de Harry por Cho Chang foi muito bem trabalhado. O talento do diretor em criar situações intimistas a contento foi importante na hora de criar os momentos em que HP se sente abandonado e solitário. Mais um ótimo filme para a cinessérie, que seguia arrasando nas bilheterias.

O primeiro embate entre os dois opostos, Harry e Voldemort é de cair o queixo. O renascer do bruxo das trevas é fantástico! E quando os dois duelam com suas varinhas, toda a audiência se esforça para se defender e chora ao rever os pais de Harry. Emocionante!

Ficamos por aqui hoje. Amanhã é hora de nos credenciarmos como membros da ORDEM DE FÊNIX... Quer dizer, isso se Dumbledore e a senhora Weasley permitirem... Até...

E cuidado para que ninguém te engane usando alguma POÇÃO POLISSUCO!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nosso Bruxinho favorito: PARTE 3


JURO SOLENEMENTE QUE NÃO PRETENDO FAZER NADA DE BOM!

Pegue o seu mapa do maroto e vamos continuar a saga do bruxinho mais conhecido do mundo: chegamos a O PRISIONEIRO DE AZKABAN. Nessa aventura já se encontra presente no título um novo local para o nosso mapa do mundo bruxo: a prisão de Azkaban, onde Sirius Black cumpre pena por ter entregado o paradeiro dos pais de Harry para que esses acabassem mortos por Lord Voldemort. Ou melhor, cumpria... Ele acaba de escapar e, com toda certeza, virá atrás de Harry, para terminar o serviço de seu mestre.

Considerado por muitos um dos melhores de toda a série, esse livro possui uma história que envolve do começo ao fim. Personagens marcantes aparecem, como Sirius Black, Remus Lupin (o novo professor de Defesa contra as Artes das Trevas e licantropo!), Bicuço (o hipogrifo assustador/amigo), Sibila Trelawney (professora de Adivinhação que gosta de prever a morte de HP), entre outros. Temos um Harry curioso sobre o seu passado e buscando respostas sobre o que realmente ocorreu com os seus pais.

A trama envolve um objeto super interessante do mundo bruxo: o Vira-Tempo, usado por Hermione para conseguir fazer todas as matérias que deseja, algumas ao mesmo tempo. A forma como o objeto é incorporado à trama em sua parte final é brilhante e, talvez, uma das melhores utilizações de viagem no tempo já feitas. Sem falar no maior dos plot twists de toda a saga, envolvendo um certo rato e um certo maroto supostamente morto.

O livro também possui uma das cenas mais icônicas, ao meu ver, de toda a história, traduzido a contento no filme que o adaptou: o momento em que Harry conquista Bicuço e alça voo por toda Hogwarts é de uma beleza sublime. Lembro de parar a leitura e ficar, durante alguns segundos, imaginando a sensação que o jovem bruxo sentiu nesse momento.

E já que toquei no assunto filme, talvez uma das melhores adaptações de toda a série. Para o lugar do contador de fábulas Chris Columbus, o mago Alfonso Cuarón. Engraçado que, mesmo continuando com o mesmo roteirista (Steve Kloves, que por sinal assina todos os roteiros do bruxinho) o clima da história muda completamente. Sai o colorido sorridente de Columbus e entrão os tons sinistros e um senso de urgência latente, exacerbado pela presença dos Dementadores, seres que com certeza arrepiaram a todos os leitores. Cuarón ajuda os atores mirins a incorporarem seus personagens, conseguindo ótimas atuações, as melhores até então. Nossos amigos bruxos cresceram e isso foi transposto para a tela a contento. Os efeitos sobem um degrau, apresentando os assutadores e encapuzados carceireiros de Azkaban citados acima, além de transformações competentes dos marotos e um Bicuço real, do jeito que está escrito! Esse filme também foi o primeiro em que Michael Gambon assume o papel de Dumbledore após a morte de Richard Harris, o titular dos dois primeiros filmes.


10 estrelas! E como o coral de Hogwarts entoa logo no início, esse filme deixa claro o que vem por aí: Something wicked this way comes!!!!!

Ahhhhhh! Já estava me esquecendo, mas temos nesse livro HOGSMEADE! Quem nunca se imaginou no Três Vassouras pedindo para Madame Rosmerta uma cerveja amanteigada? Ou comprando seus feijõezinhos de todos os sabores na Dedos de Mel? Pois bem, dois companheiros da LIGA, o Homem dos Dados e o Minduim, visitaram nesse final de semana o Parque Temático de Harry Potter em Orlando, e devem ter feito ambas as coisas... Apropriado, não, rs.

Amanhã voltamos com O CÁLICE DE FOGO...

MALFEITO FEITO!


terça-feira, 22 de março de 2011

O Egito de Christian Jacq


Continuando no campo da literatura e no assunto Egito, abordados no post de ontem, temos um grande autor, reponsável em muito pelo interesse na sociedade Egípcia desse que escreve o presente post. Chritian Jacq nasceu em Paris, 1947. Formado egiptólogo, escreveu diversos trabalhos sobre os faraós e seus suditos. Seu trabalho, intitulado "O Egito dos Grandes Faraós", foi agraciado pela academia Francesa com um prêmio, sendo seu trabalho muito respeitado tanto em seu país quanto ao redor do mundo.

Seu amor pelo assunto fez com que Jacq se colocasse a escrever diversos romances sobre o Egito, em que podemos, além de ter acesso a histórias intrigantes e politicamente bem desenvolvidas, ter uma lição sobre os costumes do povo do Nilo.

As origens da civilização egípcia datam de 4.000 anos a.C. A população começou a se concentrar no vale do rio Nilo, formando as primeiras aldeias (nomos), que mais tarde evoluíram para prósperas cidades agrícolas e depois se uniram formando o Alto Egito (ao sul) e o Baixo Egito (ao norte). O Egito sempre dependeu do Nilo para sua formação e seu desenvolvimento. Seus habitantes travavam uma luta constante para controlar as inundações periódicas desse rio, graças ao qual obtinham também grandes colheitas.

Por volta de 3200 a.C., o rei Menés (ou Narmer), do Alto Egito, conquistou as cidades do Baixo Egito, unificando todo o império. Floresceu então a cultura egípcia, que deixou como legado grandes invenções, como a moeda, o calendário agrícola, o arado, a escrita hieroglífica e a fabricação do papiro. Seu esplendor manifestou-se em gigantescos templos e pirâmides e revelou-se na filosofia, na arte e nas ciências.

Todos esses assuntos (e muitos outros) são trabalhados pelo brilhante autor francês de forma orgânica. É muito difícil parar a leitura, pois a vontade é grande de saber o que acontecerá em seguida. À personagens reais se juntam indivíduos fictícios, que ajudam a contar a história do Egito para nós, leitores.

É assim na série RAMSÉS, composta por cinco livros, onde acompanhamos obviamente a história do jovem faraó, mas "assistimos" também à construção do templo de Abu-Simbel, além da famosa batalha de Kadesh. Aprendemos sobre as relações conturbadas entre Egito e Núbia e a intrincada rede de espiões espalhada pelos dois lados.

Na minha preferida, a série A PEDRA DA LUZ (quatro volumes), os personagens Paneb, Nefer e a Mulher Sábia nos introduzem à história dos artesãos do Lugar da Verdade, responsáveis pela construção da última morada dos faraós. O lado espiritual/religioso aqui é tratado de uma forma bonita e emocionante.

E assim segue nas demais séries, entre elas A RAINHA LIBERDADE e O JUIZ DO EGITO, além de outros vários livros. O fato é que mergulhamos na vida dessa grandiosa civilização. Se quando falava de Rick Riordan o agradeci por sua contribuição ao tornar o assunto Egito mais pop, Jacq tem o mérito de trazer, de forma quase documental, relatos vibrantes do passado desse país. Recomendação máxima.

Que Hórus ilumine o seu caminho, rumo ao Lugar da Verdade...

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Resgate das Mitologias Antigas


Os irmãos Carter e Sadie Kane vivem separados desde a morte da mãe. Sadie é criada em Londres, pelos avós e Carter viaja o mundo com o pai, o Doutor Julius Kane, famoso egiptologista. Levados pelo pai ao British Museum, os irmãos descobrem que os deuses do Egito estão despertando. Para piorar, Set, o deus mais cruel, tem vigiado os Kane. A fim de detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa jornada - uma busca que revelará a verdade sobre a sua família e sua ligação com uma ordem secreta do tempo dos faraós.

Está é a breve sinopse de A Pirâmide Vermelha, o primeiro livro da nova série de Rick Riordan, As Crônicas dos Kane. Sim, após tratar de forma tão brilhante os mitos do Panteão Grego (Série de Percy Jackson, infelizmente destruída no cinema), Riordan se volta para os mistérios e sabedoria das divindades egípcias. Professor por 15 anos de inglês e história, para ele não foi o suficiente ensinar na escola. Sua capacidade criativa fez com que criasse universos mais simples, onde jovens e (por que não?) adultos tivessem acesso à magia que envolve as histórias de duas das mais interessantes civilizações do passado, às quais devemos tantas coisas que temos hoje em dia.

O dinamismo, já presente na série de Percy Jackson, se mantem nessa corrida ao redor do mundo. Agora, temos uma "inglesinha" com seus cacoetes britânicos e um jovem que sempre se acostumou ao mais simples, devido aos mais variados locais visitados com o pai. Sadie e Carter são opostos, mas, somente juntos, encontram a força para lidar com uma enxurrada de informações com que se deparam ao longo de sua jornada.

A interessante divisão de capítulos, sendo por vezes narrados por Sadie, outras por Carter nos aproximam mais dos personagens e cria certos laços entre o leitor e os mesmos. Por vezes concordamos com a menina, para logo na sequência entender a visão do irmão. E cada vez mais nos embrenhamos na jornada dos dois, torcendo a cada instante para que encontrem mais notícias sobre o pai desaparecido e a mãe, aparentemente morta.

Como em Percy Jackson, diversos seres mitológicos egípcios fazem suas aparições; animais, sagrados para o povo do Nilo, também tem papel importante, figurando inclusive como personagens importantes; e, no melhor estilo Dan Brown, uma ordem milenar secreta aparece para apimentar as coisas. É de fato uma leitura divertida!


Recomendo a leitura e a indicação para crianças e jovens, que gostem de ler. É o tipo de livro que cria nos mesmos a vontade de ler. Como J.K. Rowling, Rick Riordan tenta escrever o seu nome como um dos que ajudou uma geração nascida sob o estigma do video-game a reconhecer a graça de se ler um bom livro. E acho que está conseguindo.