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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Y e Torre Negra em atualização

Há cerca de 10 anos em desenvolvimento para ganhar uma versão cinematográfica, a HQ "Y - O Ultimo Homem" ganhou uma atualização que pode vir tanto para o bem quanto para o mal. Brian K. Vaughan, roteirista e autor da HQ ao lado de Pia Guerra, revelou que se a New Line, atual detentora dos direitos de adaptação, não produzir o filme nos próximos meses, perderá os direitos.

Anos atrás o filme esteve nas mãos frágeis de D.J.Caruso, aproveitando o sucesso de "Paranóia" e "Controle Absoluto", e com Shia Labeouf, astro dos dois filmes do diretor, como o jovem protagonista que é o ultimo homem da Terra, após uma inexplicável catástrofe que mata todos os machos, e muda completamente as regras na sociedade. Atualmente o filme foi colocado sob a direção do desconhecido curta-metragista e nerd Daniel Trachtenberg, sob a usualmente pouco criativa produção de David Goyer.

Se isso fará a New Line acelerar a produção, só o tempo dirá, já que tivemos há pouco tempo o exemplo da Fox, que em cima do prazo fez novo acordo com a Marvel pra continuar com os direitos do "Quarteto Fantástico", ganhando mais tempo pra iniciar sua produção, ao devolver os personagens do "Demolidor". É notório entre os fãs de "Y" que a já finalizada HQ ficaria muito melhor no formato televisivo (talvez em no máximo 5 temporadas?), que em filmes que mutilarão a obra.

Outro projeto travado ganhou nova atualização esta semana. A serie de romances de Stephen King "A Torre Negra", igualmente há anos esperando pra ser adaptada está nas mãos do irregular Ron Howard ("Apollo 13", "Uma Mente Brilhante", "O Código DaVinci") e seu produtor favorito Brian Grazer ("24"), num projeto que envolveria três filmes e uma serie de TV. O romance já foi em parte adaptado com sucesso nas HQs, e a serie televisiva poderia cobrir este trecho da história.

Javier Bardem já teve seu nome amplamente atrelado aos filmes, mas estúdios estariam se negando a bancar o projeto que mistura muita fantasia e velho-oeste (num universo tão grande que cobre até mesmo o do filme "O Nevoeiro"). Mas o festejado Aaron Paul (da serie "Breaking Bad") revelou durante o Festival de Cinema de Sundance que teve diversas conversas com o diretor sobre o projeto, e estaria disposto a viver o complexo protagonista.

Assim como "Y", ainda não se sabe se o envolvimento de Aaron Paul, que vai testar sua popularidade em março na adaptação dos videogames "Need For Speed", seja algo que vá atrair investidores e tirar o projeto da gaveta. Mas estamos torcendo pra que todos façam jus ao material fonte.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Quadrinhos: SWEET TOOTH


SWEET TOOTH, de Jeff Lemire, HQ de 2009 (EUA) acaba de chegar por aqui com o subtítulo Depois do Apocalipse. No enredo temos um garoto com chifres de cervo que nasce após um "incidente" ter atingido os EUA, destroçando sua população. As únicas crianças nascidas após o tal evento são híbridas, alteração essa que as torna imunes à peste dizimadora. Elas mesclam características humanas e animais, e são perseguidas. Gus, o garoto com chifres da capa - e que acompanhamos -, é um menino com uma alma dócil e uma queda por doces (daí o nome do gibi).


Na trama, os garotos híbridos como ele passam a ter a cabeça a prêmio, pois muitos acreditam que em seus DNAs se esconda a resposta para a peste. Quando o lar de Gus é atacado por caçadores inescrupulosos, um homem misterioso e violento aparece para lhe salvar. O nome dele é Jepperd e ele promete levar o jovem até a mítica Reserva, um local seguro para as crianças híbridas.

Percebemos logo que as cidades não são lugares aconselháveis, já que saqueadores e estupradores agora habitam suas construções abandonadas. O pai de Gus deixou para o ensinou cinco regras de ouro antes de sucumbir à praga: sem fogueiras durante o dia, confiar somente em si mesmo, orar pela proteção divina antes de dormir, lembrar de sua mãe em suas preces e, a mais importante de todas as regras, nunca deixar a mata, seu lar. Mas Gus irá quebrá-las antes mesmo de terminarmos as primeiras 30 páginas...


O criador Jeff Lemire, que escreve e desenha - e vem fazendo sucesso na DC tradicional com Homem-Animal -, terminou a pouco a série na edição 40, como havia prometido. Já indicado ao prêmio Eisner, o autor apresenta uma ousada visão pós-apocalíptica sobre o destino da humanidade. A influência e o valor da inocência face uma inesperada amizade que brota mesmo diante de situações adversas. A narrativa é cinematográfica e se encaixa perfeitamente com o clima tétrico e pesado da obra, com pequenos espaços para o humor mordaz do autor. Relativamente um novato na indústria, o canadense abandonou a faculdade de cinema, alegando que os quadrinhos eram mais apropriados à sua natureza taciturna (palavras do autor). Jeff chamou atenção pra si ganhando prêmios e, após alguns outros trabalhos, começou a jornada de Sweet Tooth para a Vertigo.

A arte de Lemire pode não cativar à todos de princípio. Seus traços são marcados e simplistas, chegando por vezes a serem um pouco rústicos, mas mantendo um charme esquisito. Charme esse que serve para ressaltar o caráter estranho da história que temos em mãos. Após algumas páginas o traçado já se torna orgânico e o ritmo da HQ já cativou o leitor. A arte do momento em que Gus se vê frente a frente com um cervo e os detalhes do olhar de ambos ressoam na página, aguçando a curiosidade sobre o caráter híbrido do personagem. Os dois olhares transmitem medo e curiosidade, sentimentos que permeiam as páginas desse primeiro encadernado.


O material não é indicado para menores de 18 anos, em virtude da violência exacerbada e dos temas pesados sobre a natureza humana. A economia de texto por parte do autor dão um ar contemplativo e minimalista ao gibi, convidando o leitor a observar os fenômenos que acontecem no papel. E não é exatamente esse um dos atrativos da leitura desse tipo de fonte? A narrativa deixa os leitores ávidos para saber o que está por vir... Talvez seja a expectativa de ver o comportamento de um indivíduo indefeso neste novo mundo que traga a vontade de ler. Sua inocência, a ponto de apenas provar um chocolate ser uma grande descoberta em sua vida, é tocante. Leia este primeiro encadernado e tente não ficar curioso com o enorme cliffhanger ao final.

Sweet Tooth – Depois do Apocalipse Vol. 01: Saindo da Mata reúne as 5 primeiras edições em uma brochura de enorme qualidade. Se gosta de quadrinhos, não deixe de conferir.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Clássicos do Cinema - TURMA DA MÔNICA: STAR TREKO

A leitura é uma atividade libertadora. Com ela, as pessoas podem soltar a imaginação e se deixar levar para um mundo ficcional. Aventura, suspense, terror, emoções que podem ser deflagradas após algumas páginas lidas. Ao longo de nossas vidas, a infância é um momento único no quesito imaginação: nossa suspensão de descrença opera no nível mais alto, propiciando uma imersão quase que total em todo e qualquer entretenimento. Os quadrinhos são uma janela para um mundo imaginário, por trazerem junto às palavras imagens que nos ajudam a sonhar. No Brasil, Maurício de Sousa é um magos que ajuda toda a criança a expandir seus horizontes com sua Turma da Mônica.


São personagens variados, com características que atraem e aproximam suas rotinas de papel das nossas realidades. Densos e, ao mesmo tempo, leves, Mônica, Cascão, Cebolinha e cia são uma extensão do círculo de amizades de todos e ajudam a povoar as tardes de férias, principalmente com o famoso Almanacão de Férias!

Pois bem, o tempo passa e nossos interesses mudam, mas no caso do aficionados por cinema lá vem Maurício trazendo nossa turminha de volta. Com sua série Clássicos do Cinema: TURMA DA MÔNICA, é possível LER, sob nova perspectiva, filmes que obtiveram sucesso na telona. Não é uma linha nova, mas que voltou com tudo agora, com exemplares bimestrais. E o último desses, agora nas bancas, é STAR TREKO.


Em primeiro lugar, ressalto a ótima decisão da produção ao se inspirar apenas no roteiro do último filme da longeva franquia. A transposição para o papel retoma, cena a cena, a película, transformando os personagens da turma em algum dos do filme. Maurício e seu pool de roteiristas demonstram conhecimento da cultura pop que gira em torno dessas superproduções, usando e abusando nas citações a outros universos próximos ao deste. Star Wars, Alien, Dr. Who, De Volta para o Futuro, está tudo lá, gerando os risos de satisfação nos fãs. Até um certo personagem bem famoso (BAZINGA!) faz sua aparição.


A produção de arte segue o padrão Maurício de Sousa de qualidade, com os desenhistas recriando os sets em cada novo quadrinho. Muito divertido também a forma como os nomes são adaptados e piadas são apropriadamente usadas ("Alerta vermelho significa que os de camisa vermelha vão morrer!" rs).

Diversão garantida, recomendo este e os anteriores (BATMENINO, MENINO-ARANHA e TRÔNICA), se é que ainda estão disponíveis. De qualquer forma, vista o seu uniforme (menos o vermelho, rs) e embarque na Leciclaize (como diria o Capitão Kilcolinha) e viaje para onde nenhum homem jamais esteve. Vida longa e próspera a Maurício e sua Turma!





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

FILMES: O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA

Desde que o primeiro filme dos X-men, ainda em 2000, foi recebido tanto pela crítica quanto pelo público de forma positiva, cinema e quadrinhos tem caminhado lado a lado. HQs são criadas já pensando na transposição para as telonas e quase todo o panteão de heróis desenvolvidos tanto pela MARVEL quanto pela DC Comics acabam sendo aventados para uma possível nova adaptação. Homem-aranha foi um dos primeiros a fazer tamanho sucesso que conseguiu uma trilogia e agora, em 2012, teve um recomeço com O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA (The Amazing Spider-Man, 2012).



Muito se falou a respeito da necessidade ou não de um reinício, mas o fato é que ele aconteceu: a) por um motivo financeiro, pois a Sony Pictures nunca perderia um dos seus grandes produtos e b) por que o final da trilogia anterior deixou desgastado o diretor Sam Raimi, a ponto de este não retornar para a franquia. Dessa forma, vou me ater ao filme em si, deixando essa discussão para a mesa de bar.

A escolha de Marc Webb, do ótimo 500 Dias Com Ela, desde o seu anúncio pareceu acertada. A ideia do projeto era um enfoque mais voltado para a linha Ultimate, em que Peter ainda frequenta a escola e sua vida privada colide de forma constante com sua vida de vigilante, uma das coisas mais interessantes do aracnídeo. Além disso, a decisão de abandonar Mary Jane (pelo menos no início) e trazer Gwen Stacy como interesse amoroso do herói agradou a muitos, que preferem a loira à ruiva também nos quadrinhos (sem falar que ela é muito importante na linha Ultimate).

Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone) tem em suas interações na escola um dos pontos altos do filme. Seja num elogio envergonhado ou em um convite sem jeito, os dois mostram seus lados nerds e frágeis e o real interesse de um pelo outro fica crível, desde a primeira vez em que aparecem. Gosto muito do trabalho de Tobey Maguire nos filmes de Raimi, mas acredito mais em Garfield como Peter, mesmo que o roteiro o traga um pouco mais amargurado do que de costume, reflexo (talvez) do sucesso da trilogia Batman, de Nolan, nos cinemas. Outros personagens, como Flash, foram melhor trabalhados, culminando em uma bela cena quando este conforta Peter após a morte de Tio Ben (sendo seguido na atitude por Gwen).

Mas espera aí: o tio Ben morre? Sim, ele morre... novamente. Talvez aqui resida um grande prolema (para mim) no roteiro: não há necessidade para mostrar essa passagem na vida de Peter. O outro filme ainda é muito recente. Talvez se ele já inicia-se o filme como Aranha ninguém reclamaria. A cena ficou bonita e, talvez, melhor do que no filme de Raimi, mas ainda assim soa repetitiva. Falando em roteiro, James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves são responsáveis pelo texto e, muitas vezes, quanto mais mãos retocam a história essa acaba sem uma identidade própria. Percebe-se claramente um roteiro que tem a dinâmica de uma HQ, com resoluções fáceis que, no papel, tem a suspensão de descrença favorecida. Mas estamos falando de cinema, e em tela, certas decisões soam imprecisas, como Gwen sendo uma estagiária com acesso a tudo na Oscorp ou a forma como Peter vai invadindo o local sem nenhuma segurança ou mesmo o fato de Gwen achar normal um garoto subir 20 andares (!) pela escada de incêndio para bater em sua janela... São vários pequenos detalhes que, no final das contas incomodam um pouco.

Os sucessos desse tipo de filme já evidenciaram que um grande vilão é muito importante no processo e, infelizmente, não é o caso dessa produção. O Lagarto é pouco desenvolvido. Não entendemos sua motivações e seu plano só não é pior do queo de Lex Luthor tentando lotear uma ilha de kriptonita. Além disso, seu design ficou desinteressante e em nenhum momento ele parece ser uma ameaça real ao cabeça de teia. A história de sua família, importante nas HQs, sequer é mencionada.

Falando em família, o roteiro aproveita bem o Capitão Stacy, policial e pai de Gwen, no enredo. Em determinado momento uma discussão entre ele e Peter mostra a ousadia do jovem contra o ceticismo do pai, tentando ensinar algo. Isso só acentua o impacto do sumiço dos pais de Peter quando este ainda era criança.

As cenas de ação são interessantes, em especial quando Peter vai procurar o vilão nas galerias subterrâneas de esgoto, entretanto não ousam. O primeiro trailer prometia cenas em primeira pessoa, algo que acontece em poucos segundos. O design do herói me agradou mais no que nos outros filmes. O perfil franzino do ator favoreceu para que os traços lembrassem os de Todd McFarlane, inclusive na elasticidade e nas poses que o herói adota. O fato de retomarem o lado cientista de Peter, com a invenção dos lançadores de teia, foi outro acerto da produção.



Enfim, é um filme irregular mas divertido, como uma boa sessão da tarde, que é capaz de te apresentar cenas inspiradas como quando Peter salva um garoto e observa a alegria do pai (rima narrativa com a falta que ele sente do seu) e outras despropositadas, como os guardas que são infectados para não mais aparecerem no filme. Assista e veja quais te cativam mais! Ah, quase me esqueci: esse filme possui a melhor participação de Stan Lee até agora!!!


O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man - EUA , 2012 - 136 min. - Ação / Aventura)
Direção: Marc Webb
Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen, Sally Field, Irrfan Khan, Campbell Scott, Embeth Davidtz, Chris Zylka, Max Charles

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

HQs: CAPITÃO AMÉRICA - O SOLDADO INVERNAL

Os quadrinhos podem ser definidos como o livro tentando se tornar cinema. Enquanto nos romances usamos a nossa imaginação para criar ambientes ao redor de personagens que interagem, nos quadrinhos temos duas pessoas (não somente, mas principalmente) responsáveis por isso: o roteirista e um artista. Enquanto um bola a história, o outro recebe as coordenadas e materializa a imaginação, a criação.

Sempre fui atraído por tramas de investigação. Talvez esse interesse explique gostar muito das histórias envolvendo Batman e Capitão América. Sim, eles possuem personalidades diferentes, mas, no fim do dia, buscam resolver os problemas que se colocam em seus caminhos. Batman sempre esteve na crista da onda, seja em desenhos animados, gibis ou cinema, mas o Capitão demorou bem mais tempo para atingir o seu reconhecimento. Em 2011 tivemos o filme solo do Sentinela. Seu grande sucesso aliado ao estrondoso impacto de Os Vingadores em 2012 garantiram uma continuação, para 2014, que já recebeu o título de O Soldado Invernal e é, exatamente, essa HQ o assunto desse post.


CAPITÃO AMÉRICA - O SOLDADO INVERNAL é um encadernado que traz todo o arco escrito por Ed Brubaker. Criador de outras HQs de teor investigativo (como Criminal e Incógnito), o autor sabe abordar o personagem no que tem de melhor: seu caráter honrado frente fantasmas do passado. Ainda se recuperando dos acontecimentos que culminaram com o desmembramento dos Vingadores e a morte de Gavião-Arqueiro, Steve Rogers tenta se encaixar nesse mundo novo para ele, ao mesmo tempo que tenta entender quem está tentando atingi-lo com vários "pequenos atentados".

O autor busca elementos do passado clássico do herói, usando-os de forma fundamentada, construindo um argumento instigante e bem amarrado. Saber usar a longa história de um ícone tradicional como este em prol do crescimento do mesmo é um dos elogios mais eloquentes ao trabalho de Brubaker. Relendo agora, consigo visualizar nesse trabalho uma tentativa vitoriosa de desconectar o personagem, que veste a bandeira americana e era uma propagando ambulante do belicismo norte-americano, de uma imagem ufanista, tornando-o um soldado universal .


Esse enredo interessante se torna ainda mais divertido graças aos traços de Steve Epting, já conhecedor desse universo por ter trabalhado muitos anos em Os Vingadores. Seu desenho não é dos mais precisos, mas acerta em cheio ao detalhar as feições de todos os personagens em momentos estratégicos, tornando desnecessária qualquer legenda para a emoção que está à tona. Seu estilo de diagramar é bem "feijão-com-arroz", sem investir em nada mais arrojado ou inovador, como muitos da nova geração, mas acaba por conferir ao encadernado um caráter histórico que se encaixa perfeitamente com o roteiro, cheio de flashbacks para a Segunda Grande Guerra. A forma como o artista desenha o escudo, principal utensílio do Capitão, é outra característica a ser ressaltada, com certos momentos em que conseguimos sentir o movimento do objeto.


Ótima leitura, perfeito como "esquenta" para o filme que vem por aí, é uma boa forma de conhecer o mundo do Bandeiroso. Aventure-se, você pode (deve) gostar!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

HQs: DARTH VADER AND SON

E se Darth Vader, mesmo a serviço do Império, tivesse um papel ativo na criação de Luke Skywalker? Não, não é George Lucas tentando ganhar mais alguns trocados com sua franquia mais famosa, mas sim o celebrado ilustrador Jeffrey Brown fazendo um exercício de imaginação e produzindo a bela HQ DARTH VADER AND SON, considerada pela crítica uma das melhores de 2012.



De forma hilária e doce, vemos nos quadrinhos Darth Vader, um Lord Sith, agindo como pai. A bagagem do lado negro da força está transposta em cada página, entretanto o olhar paternal, mesmo dentro da capacete do vilão, atenua toda a carga que a figura do personagem carrega.

Com uma ilustração por página, o artista traz momentos clássicos da saga Star Wars com uma nova roupagem, apresentando as aflições e alegrias de ser pai através das lentes de uma galáxia muito, muito distante. Frases conhecidas e repetidas incansavelmente pelos fãs ganham novo sentido, incluindo a famosa "Luke, I am your father". É divertido gastar um tempo em cada ilustração, procurando os pequenos detalhes e rindo de alguma referência.


As "lições de vida" incluem tentar rebater uma bola de baseball usando um sabre de luz, pegar o pote de biscoitos através da Força, ou mesmo levar o filho visitar a Estrela da Morte no famoso "dia de levar o filho ao trabalho", rs. Todas são situações que acentuam e estreitam a ligação especial entre qualquer pai e filho.


Não sou o maior conhecedor desse universo e nem integro a turma que adora os filmes (assisti a todos os seis, mas o único a que realmente assistiria novamente é O Império Contra-Ataca, esse sim muito bom!), mas posso dizer que a leitura rápida (gastei uns 30 minutos) e leve me entreteve e, ao final da leitura, fiquei com um sorriso no rosto.


Não sei se tem e, se tem, ainda não vi a versão nacional da HQ, mas ela é facilmente encontrada na versão original, em inglês, nas grandes lojas do ramo. Se você é fã, leitura obrigatória. Caso contrário, permita-se mergulhar de cabeça em um universo de amor paternal e sabres de luz. E que a Força esteja com você!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

NAS BANCAS: HELLBLAZER - PASSAGENS SOMBRIAS


Ao ver Pedro Bial todas as noites saudar os "heróis da nave Big Brother", fica a certeza de que não havia momento mais oportuno para a Panini Comics lançar no Brasil a HQ HellBlazer: Passagens Sombrias (HellBlazer: Dark Entries, 2010). Fruto de um projeto da Vertigo de lançar histórias policiais (Vertigo Crime), essa talvez tenha sido a única a utilizar um personagem já famoso: John Constantine.

O mago inglês - criado por um trio encabeçado por Alan Moore e que teve sua primeira aparição na Graphic Novel Swamp Thing - é um mestre do ocultismo, executando exorcismos e "salvando pessoas", sempre de uma forma negligente e arrogante. Seu ambiente é o sobrenatural, enfrentando demônios e monstros, contando com o taxista Chas, com quem invariavelmente discute. Chegou a enganar o próprio Lúcifer, se livrando através deste de um câncer nos pulmões. Essa história, inclusive, foi mote para a adaptação aos cinemas. É um bom filme, mas foi muito criticado pelos fãs pelas "liberdades criativas" dos envolvidos (Keanu Reeves vive o anti-herói, que no gibi se parece fisicamente com o Sting e não é nem um pouco americano; o nome foi alterado para Constantine, para que não confundissem com Hellraiser...).

Em Passagens Sombrias, John é convocado por um produtor para investigar acontecimentos estranhos em um reality show(!). O mote do programa e colocar pessoas em uma casa e assustá-las até que uma encontre a saída. Entretanto, os sustos que tem acontecido não são fruto dos efeitos especiais da produção. Será a casa mal assombrada?

Tudo isso nos é explicado em poucas páginas da HQ. O roteirista Ian Rankin demonstra um timing correto e pacing coerente com o local onde tudo acontece. Sua experiência como escritor de romances policiais se faz evidente na forma como ele gasta o tempo correto com cada um dos seis concorrentes dentro da casa, permitindo que criemos vínculos (pelos mais variados motivos) com cada um deles. É difícil falar mais sem correr o risco de estragar as surpresas da trama.

A arte em preto-e-branco de Werther Dell'edera deixa um pouco a desejar. Ela não possui personalidade própria, flertando com o visual mangá em vários momentos. Hoje em dia, os grandes artistas de quadrinhos sabem utilizar bem o espaço que possuem. Não são só as personagens que contam, mas o ambiente também. E esse merece ser melhor retratado, algo que senti falta nessa HQ. Tudo bem que o cenário é, basicamente, o mesmo (a casa), mas um pouco mais de cuidado ajudaria no resultado final. A falta de cores não atrapalha, ajudando no tom seco e ágil da história. Fica a impressão de que a Panini também pensou assim, trazendo a HQ no formado pocket, em clara evidência de que o roteiro conta mais que a arte.

A leitura é rápida e divertida. Lembra em muito o desenrolar de um reality show: lento e explorativo no início; veloz e urgente do meio para a frente. Constantine está um pouco menos amargo e mais prestativo do que o habitual. Quem conhece o inglês talvez estranhe um pouco. Entretanto, é o final que surge como o seu calcanhar de Aquiles, um pouco apressado demais. Talvez se tivessem gastado um pouco mais de tempo com ele teríamos um final mais interessante. Mas nada que interfira na diversão.

O selo Vertigo, da DC Comics, sempre busca trazer novidades, fora do circuito dos super-heróis usuais. Recomendo a leitura deste e de muitos outros títulos desta. É uma forma "to think outside the box", como dizem os americanos. Fica a dica!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Cinema e a Criatividade...


O cinema, nos últimos anos, tem nos coberto com mais e mais adaptações. Sejam livros ou HQs, a verdade é que, cada vez mais, vemos os roteiristas somente adaptando argumentos pré-moldados, deixando de lado o espírito criativo e inovador de sua profissão, que envolve sim o lado estrutural, mas que também incentiva esse lado original. É muito legal ver algo que já imaginamos através da leitura ser transposto para a telona, não me entendam mal. Mas, eu gostaria muito de ter novas histórias sendo contadas.

O pior viés desse contexto é a forma como os produtores, ao perceberem o rincão de ouro que atingiram, insistem em garimpar e tentar adaptar toda e qualquer obra que surge. Muitos livros e HQs já tem seus direitos vendidos antes mesmo do lançamento. Isso aconteceu com o novo Sherlock Holmes, com Scott Pilgrim (não havia sido finalizado), com o livro As Ruínas (de Scott Smith), entre vários outros. Muitas vezes, a sétima arte presta um serviço ao original, como fez com O Procurado (péssima HQ, bom filme) e Kick-Ass (boa HQ, ótimo filme). O fato é que, independente das intenções, algum critério deveria ser empregado.

A HQ ATLANTIS RISING (2007/08), escrita por Scott O. Brown e desenhada por Tim Irwim, é uma dessas Graphic Novel que teve os seus direitos adquiridos pela Dreamworks Animation (Spielberg), sendo que Alex Kurtzman e Roberto Orci (que escreveram Star Trek e M:I III e cometeram Transformers e Cowboys & Aliens) tiveram anos para desenvolver a produção. Entretanto venceu o tempo contratado e os direitos retornaram para a Platinum Studios (Cowboys & Aliens), que vai desenvolvê-la, sob a batuta de Mark Canton (Imortais e 300).

E a grande pergunta é: vale a pena? A trama, dividida em cinco partes, envolve certos abalos sísmicos que levam militares (sempre eles) a investigar e, acabam "provocando" o povo das profundezas, disposto a guerrear com o povo da superfície. Mais um blockbuster que oferecerá a possibilidade de encher as cenas de grandes efeitos especiais e, com certeza, inflacionar o valor dos ingressos, com o 3D, que muitas vezes não agrega nada à película.

O roteiro não oferece nada de novo e que não tenha sido explorado em, por exemplo, Fathom (de Michael Turner e sua personagem principal tem a cara de Megan Fox) e no conhecido Aquaman (agora sob o controle criativo do grande Geoff Johns). Esses dois, por sinal, o fizeram com uma visão mais interessante. Talvez esses dois gerariam melhores filmes. Ou melhor, levando em conta o que foi colocado no início desse post, por que não investir nos grandes escritores dessas tramas para desenvolverem algo novo (em tempo, Michael Turner faleceu em 2008, depois de contribuir para Witchblade, Soulfire e Superman/Batman).


O jeito é esperar e torcer para um bom filme, mas gostaria de ver uma mudança nessa tendência do cinema. Filmes como Meia-Noite em Paris, por exemplo, partindo de um roteiro original, emociona e tem uma produção tecnicamente impecável. E olha que o mercado oferece bons nomes. Diablo Cody (Juno), os próprios Alex Kurtzman e Roberto Orci, Rhett Reese e Paul Wernick (Zumbilândia), Jonathan Nolan (os novos filmes do Batman) são nomes novos que são bastante criativos. O que falta é o investimento e voto de confiança das grande Produtoras.

A abundância de grandes séries também revelam, dia após dia, muitos bons nomes, criativos e ousados. Por que não incentivar? Somente assim, novos Woody Allens e Aaron Sorkins surgirão. E eles também são necessários...

sábado, 14 de janeiro de 2012

HQs: MILLAR & McNIVEN'S NEMESIS


O nome de Mark Millar é muito conhecido entre os leitores de quadrinhos. Entre os seus trabalhos, incluindo aí quase todas as grandes editoras, ele coleciona muitos sucessos. Responsável pelo arco GUERRA CIVIL (fantástico!), da Marvel, e por diversas contribuições na DC Comics (incluindo o selo Vertigo), na Wildstorm (The Authority), Top Cow (Witchblade), sua influência nos quadrinhos acabou levando-o ao próximo patamar: as adaptações para o cinema.

Começou com O PROCURADO (arte de J. G. Jones), que tinha uma premissa interessante (um loser total na vida acaba por se descobrir filho de um grande assassino, e muda para o lado negro da força), mas não passou de promessa. A HQ, muito fraca, vendeu seu mote para o cinema e rendeu um bom filme que, para os produtores de Hollywood acendeu outra luz: a do lucro!

Seguindo nesse caminho, o passo seguinte foi a, novamente autoral, KICK-ASS. Tendo a arte de John Romita Jr. e uma história para lá de desafiadora e polêmica (garoto decide ser um herói na vida real), vingou como uma ótima HQ e um dos melhores filmes dos últimos anos, conquistando público e crítica e alavancando Mathew Vaughn ao hall de diretores promessa (que está se confirmando, filme após filme).

Em seguida veio NEMESIS, matéria desse post. Como dizia o própria capa inicial (acima, no início do post) a ideia era fazer o Kick-Ass parecer um m*@#!. Tendo como mote o que aconteceria se existisse um Batman do lado negro, cria um ricaço que usa os seus recursos não para o bem, mas sim para o mal, e, sem ter os super-heróis habituais para importunar, vai atrás dos policiais proeminentes do mundo. Ideia legal, como sempre, o que deixou a desejar foi a execução.

Parece que Millar tomou gosto pelo cinema e, mesmo retomando a parceria com Steve McNiven (GUERRA CIVIL), o autor investiu em criar um roteiro já pensando na Sétima Arte. Parece até uma adaptação de um filme para os quadrinhos, algo muito comum nos dias atuais. É quase que um storyboard, com imagens grandiosas, mas com diálogos e desenvolvimento de personagem muito rasos. Millar também insiste em algo que tem se tornado cada vez mais comum desde O PROCURADO: criar cenas de violência extrema, quase que "agredindo" seus leitores. Certos trechos chegam a ser de extremo mau gosto (como o vilão obrigar o irmão a engravidar a própria irmã!) e não são orgânicos com o desenrolar da história, como acontecia em Kick-Ass.

Tendo sido discípulo de Grant Morrison, entende-se essa necessidade de chocar e de criar enredos mirabolantes ao ponto de ninguém compreender. Mas esse caráter totalmente mercadológico estraga o que poderia ser uma grande trama. Os direitos (adivinhem...) já foram adquiridos pela Fox. Especula-se que Matthew Michael Carnahan (roteirista de Intrigas de Estado) possa desenvolver o roteiro, que seria dirigido por Tony Scott (Incontrolável). E esperar para ver.

De bom, a HQ tem o traço sempre claro de McNiven, que apresenta cenas realmente impressionantes, como a queda do Air Force One ou mesmo impactantes, como a crueza brutal dos assassinatos perpetrados por Nemesis. Aliás, não sei de quem partiu a ideia, mas criar um uniforme branco para o mesmo é de uma ironia muito bem sacada.

Um amigo me recomendou Chosen, do mesmo autor, e pretendo lê-la o mais rápido possível, pois, nessa mídia Millar, sua história não me convenceu. Talvez no cinema... ou será que, até lá, Kick-Ass vai "dar um pau" em Nemesis?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

HQ: DAYTRIPPER (FÁBIO MOON E GABRIEL BÁ)


Brás de Oliva Domingos é um escritor de obituários. Escreve, portanto, textos sobre pessoas que faleceram, procurando confortar os que ficaram e informar, mesmo que de forma suscinta, um pouco do que aquela pessoa realizou durante a sua vida. Com esse mote, os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá obtiveram um sucesso surpreendente nos EUA em sua primeira HQ para o selo Vertigo da DC: Daytripper.

Lançada em 2010 nos EUA e em 2011 no Brasil, a série, dividida em 10 edições, apresenta em cada um de seus números um momento na vida do protagonista, Brás. Conhecemos sua família e, aos poucos, vemos ser montada em nossa frente a vida de um indivíduo: seus anseios e dúvidas, suas escolhas e, principalmente, como determinadas situações podem mudar o curso de uma existência.

A metalinguagem é de uma beleza ímpar: um jornalista preocupado com os detalhes da vida das pessoas, esparrama pelas páginas suas emoções, suas neuras e seus fantasmas, bem como suas felicidades e suas realizações. Reflexiva, essa é uma HQ que resiste em sua mente, mesmo depois do fim de um dos capítulos. A beleza da arte, já característica do trabalho dos irmãos, só oferece uma imersão ainda maior. O roteiro, brilhantemente delineado em diálogos bem escolhidos, ressoa em meio a imagens de pura contemplação. Aliás, as imagens são um capítulo à parte, principalmente se você é morador ou conhece a cidade de São Paulo. O Municipal, o edifício Martinelli, o hospital Santa Catarina, sem falar em um acontecimento em especial que foi muito abordado pela imprensa nacional, criam uma ligação afetiva com a trama.

Um trabalho autoral belíssimo, de uma competência já demonstrada antes na série 10 Pãezinhos, na adaptação de O Alienista para os quadrinhos, na tira semanal Quase Nada que eles tem na Folha de São Paulo ou mesmo na parceria de Gabriel Bá com Gerard Way na HQ The Umbrella Academy. Foram reconhecidos pela crítica e agraciados com vários prêmios, entre eles o Eisner Awards em 2011, como melhor mini-série.

Não deixe de partilhar dessa experiência única: Daytripper já está disponível no Brasil há algum tempo, com uma edição completa, contendo as 10 edições. Leia e sinta orgulho de dois brasileiros que, por seu mérito, conseguiram visibilidade e elogios à sua arte. Sim, os quadrinhos nacionais crescem cada vez mais. E isso é muito bom!

sábado, 29 de outubro de 2011

BATMAN, o multimídia!


Não há nenhuma novidade em afirmar que Batman intriga e inspira a muitos leitores de HQs. Entretanto, desde a sua criação em 1939, em uma parceria de Bob Kane e Bill Finger, o personagem estendeu sua capa e capuz por quase todas as mídias existentes. Filmes, desenhos, videogames, em tudo podemos encontrar uma incursão do homem-morcego.

A nova safra de filmes, sob a batuta de Chris Nolan, trouxeram uma leitura mais "realista" para o herói, tendo a coragem de abordá-lo com uma visão mais adulta, com seus fantasmas e sua dualidade claramente definida na tela. A pergunta fica evidente: estamos diante de um milionário que brinca de vigilante ou um vigilante que se disfarça de playboy? Além disso, a galeria de vilões do detetive foi melhor explorada, trazendo um Espantalho (que remete aos pesadelos do passado de Bruce) e um Coringa insano (mas consciente de que ele e Batman são os dois lados de uma mesma moeda). A transformação de Harvey "Duas-Caras" Dent traz, novamente, a dualidade à tona. "Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão".

Nos games, na esteira de Arkham Asylum, acaba de ser lançado Arkham City. É o tipo de jogo que dá gosto de jogar. Como Heavy Rain, Uncharted e God of War (entre outros), uma equipe criativa, preocupada em, antes de mais nada, contar uma boa história, se envolve no projeto, criando algo digno do capuz com orelhas de morcego. Ainda não terminei o jogo, mas é uma experiência fantástica. Tudo que o primeiro já tinha de bom foi amplificado. Diversão garantida (e possibilidade de jogar com a Mulher-Gato).

Também lançada recentemente, temos a animação Batman: Ano Um, elogiadíssima. Baseada em uma das mais célebres HQs do homem-morcego, é o conto com uma visão revolucionária de Frank Miller sobre a origem de Batman. Vale a pena conferir.

E tudo isso só faz aumentar a expectativa para THE DARK KNIGHT RISES, parte final da trilogia de Nolan. Desta vez, Mulher-Gato e Bane cruzam o caminho do herói. O diretor e sua equipe parecem entender bem a importância de Gotham City, como berço propício para o surgimento de tantos personagens extraordinários e incomuns. Espero muito desse filme. O teaser cumpriu o seu dever: fui fisgado!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

HQ: PROJETO MARVELS - O NASCIMENTO DOS SUPER-HERÓIS





"É um épico de espionagem moderno sobre os primeiros dias do Universo MARVEL, apresentando aquela época em uma grande história, o que nunca foi feito antes."

Com essa frase Ed Brubaker descreveu, na New York Comic Con em 2009, um dos grandes lançamentos da Casa das Ideias em seu aniversário de 70 anos: PROJETO MARVELS (The Marvels Projects - 2009). A minissérie, dividida em 8 edições, contou com os roteiros do próprio Brubaker e desenhos de Steve Epting, equipe responsável por uma grande fase na HQ do Capitão América. E é interessante notar a semelhança no tom da HQ e do filme do Bandeiroso, ainda nos cinemas.


A trama se passa nos anos 40 e claramente procura juntar, em uma única história, os vários pedaços soltos das origens de heróis no Universo MARVEL. É fato que podemos encontrar muito material na série OS INVASORES, em vários flashbacks na série OS VINGADORES e na própria CAPITÃO AMÉRICA e até na incrível MARVELS, mas nada consolidado. E essa é a proposta desta HQ, que é facilmente encontrada, em encadernado único, nas melhores lojas. Legal que as origens foram respeitadas, sem modificar nada no intuito de "melhorar" os arcos.


Tocha Humana, Capitão América, Nick Fury, Namor, todos envolvidos em uma trama durante a Segunda Grande Guerra que enfoca a corrida dos nazistas e dos americanos tentando desenvolver supersoldados. Além desses, personagens da TIMELY COMICS (antigo nome da MARVEL), como o Anjo, um combatente do crime nas ruas da Nova Iorque dos anos 30-40, são mostrados. É ele quem observa e narra todos os acontecimentos, entre espiões, vigilantes assassinados, detetives particulares, atlanteanos e planos nazistas de invasão. Destaque especial para a parte final, onde momentos históricos se misturam ao mundo ficcional, lebrando em muito o final de outro grande filme deste ano, X-MEN: PRIMEIRA CLASSE.





Brubaker faz um ótimo trabalho, revirando muito material antigo da editora e trazendo personagens que estavam no limbo e novas nuances sobre alguns dos principais aspectos do período. A escolha de Epting para a arte era óbvia, não só pela parceria já existente entre os dois mas também pela qualidade do trabalho do mesmo, que pode ser conferido em cada quadrinho deste excepcional encadernado.


Se você procura um material bem escrito ou, ainda, algo que o auxilie no entendimento desse universo e o guie no começo da leitura de HQs, mãos à obra. E tenha uma ótima leitura.

sábado, 6 de agosto de 2011

CAPITÃO AMÉRICA - O Primeiro Vingador


Existem alguns filmes tão bem executados que saímos do cinema querendo falar sobre os mesmos. Discutir com os que já o assistiram ou recomendá-lo para os que ainda não tiveram a oportunidade, tanto faz. Só queremos prolongar a experiência do filme. CAPITÃO AMÉRICA - O Primeiro Vingador (2011) levou a LIGA ao cinema e se credenciou como mais um nessa restrita lista de filmes.

Apesar de o título referenciar o primeiro dos Vingadores, essa é a última incursão da MARVEL nos cinemas antes do grande evento: o filme OS VINGADORES, a ser lançado no meio do ano que vem. Essa caminhada em direção ao filme da super equipe pesou bastante nas costas de cada novo roteirista/diretor que se aventurava no universo da Casa das Idéias. A necessidade de inserir easter eggs em cada filme, para que tanto os fãs quanto os novatos enxergassem a origem do time causavam problemas no ritmo dos filmes ou no próprio roteiro, que criava essas inserções em detrimento de um melhor desenvolvimento dos personagens. Mas isso não é sentido (de forma tão evidente) no filme do Sentinela da Liberdade.


O filme é extremamente divertido, com uma história que cativa e, efetivamente, captura logo no seu início. Steve Rogers é um rapaz franzino que, em plena guerra mundial, insiste em lutar pelo o que é certo. Em determinado momento lhe é perguntado se ele deseja cruzar os oceanos para matar nazistas e ele deixa claro que não pretende se tornar um assassino, mas sim defender o que é correto. Não sendo alistado devido a sua compleição física, ele aceita participar de um experimento e torna-se o Supersoldado. Criado por Jack Kirby e Joe Simon, o personagem surgiu efetivamente no momento da segunda guerra mundial. Sua primeira capa, inclusive, mostrava o Capitão socando o próprio Führer(!), fato que foi homenageado em uma das cenas do filme.

A atual conjuntura mundial só faz crescer o espírito anti-americano. Sendo assim, fica fácil entender a dificuldade que representou para os envolvidos na produção venderem esse personagem. Ele é praticamente uma bandeira americana ambulante. Entretanto a solução encontrada no roteiro desarma o mais ferrenho detrator dos EUA, além de prestar uma bela homenagem ao uniforme clássico do herói.

Chris Evans (que causou certo medo nos fãs quando foi confirmado no papel de Rogers) mostra maturidade e atua de forma inspirada. Vemos o próprio Steve, com sua determinação e nobreza estampadas em cada olhar do rapaz. Diferentemente de muitos filmes de heróis, essa devoção do ator confere a ele a alma do filme, não permitindo ao ótimo Hugo Weaving (que vive o vilão líder da Hidra chamado Caveira Vermelha) roubar a cena. É bem verdade que o roteiro o transforma em um vilão "galhofa", no melhor estilo Lex Luthor, mas até isso passa despercebido. Importa ver e entender mais sobre aquele que será o líder dos Vingadores.


O diretor Joe Johnston, que contribuiu com Steven Spielberg em muitos filmes, demonstra toda essa influencia positiva com cenas carregadas do espírito de Indiana Jones. O ótimo elenco dá o suporte necessário a Evans, em especial Tommy Lee Jones (que se diverte no papel do Coronel Chester Phillips) e Hayley Atwell como o interesse romântico do Capitão, Peggy Carter (com um sedutor sotaque britânico). A fotografia, com o efeito sépia, é belíssima, envelhecendo os frames, tornando as cenas levemente amareladas. O figurino também é bem cuidado, merecendo muitos elogios o uniforme do Capitão. Arrisco-me a proclamá-lo como a melhor transposição de todos os filmes de heróis até hoje. Sua aparição é tão orgânica junto ao enredo que lembra a forma como Nolan tratou o uniforme do Homem-morcego nos últimos dois filmes do Cavaleiro das Trevas.


E Os Vingadores? Existem referências? Claro, inclindo o presença de Howard Stark, pai de um certo Homem de Ferro. Acho, inclusive, que a MARVEL influenciou a montagem do final do filme, pensando na inserção do trailer de OS VINGADORES, presente ao final dos créditos. Ótimo filme, talvez o melhor dessa safra de férias, merece ser assistido na telona. O 3D cria uma sensação de profundidade bem interessante, mas não é determinante. Bom filme a todos!

CAPITÃO AMÉRICA RETORNARÁ EM OS VINGADORES.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

100 BALAS: uma HQ noir pujante



Sempre ouvi falar muito bem da HQ 100 BALAS, mas lê-la nunca foi uma de minhas prioridades. Nos dias atuais somos brindados com uma quantidade tão grande de novidades na nona arte que fica difícil acompanhar a tudo. Infelizmente demorei para por as minhas mãos no gibi... não mais! Comprei semana passada o primeiro volume, reimpresso pela Panini aqui no Brasil. Esperava poder escrever algum parecer sobre a história, mas não aguentei: bastaram duas histórias, pouco mais de 100 páginas para me conquistar.


Roteirizada por Brian Azzarello, que já escreveu títulos de Batman Superman e Hellblazer, sendo elogiadíssimo por um HQ intitulado JOKER (fantástico!!!!), e com arte de Eduardo Risso, argentino de traço firme, não tão preciso, mas de uma beleza característica das obras noir, a série é uma aventura moderna que mistura os estilos noir e pulp, no melhor estilo Tarantino.


A premissa é tentar responder a seguinte pergunta: o que você faria se lhe fosse dada a oportunidade de se vingar de alguém que fez algo que mudou a sua vida completamente? Temos o Agente Graves, que oferece a alguém uma maleta com uma arma, balas que não podem ser identificadas e provas de quem é o culpado pela péssima situação em que a pessoa está. O que fazer é uma decisão do interlocutor.


Somos apresentados a personagens moralmente ambíguos e de virtudes questionáveis. Somos apresentados a um mundo cínico e corrompido, onde assassinatos e assaltos acontecem a todo instante e detetives e investigadores tentam driblar femmes fatales para descobrir o que ocorreu.


No primeiro arco temos uma mulher que acaba de sair da prisão e volta para um mundo onde não quer mais viver, sem seu marido e filho, mortos. Graves lhe mostra quem são os verdadeiros responsáveis pelas mortes. Agora a decisão e dela. A história é pesada e o vocabulário não é indicado para menores de 18 anos. Azzarello nos brinda com grandes diálogos, intensos e pesados, sendo proferidos de forma corriqueira por seus personagens. A estética ajuda na imersão. O segundo, que me apressou a escrever esse post, demonstra que há muito mais por trás das atitudes de Graves, o que me deixou mais curioso pelo que vem depois.


Ainda nas bancas, fica a dica para todos os leitores da LIGA. Só espero que a Panini possa oferecer pelo menos um volume por mês, para que a história continue evoluindo.

sábado, 9 de julho de 2011

A saga de uma família disfuncional...


O mundo das HQs, ou nona arte (como é carinhosamente apelidado pelos fãs), sempre foi terreno para que diversos autores extravasassem sua criatividade, não se resumindo apenas aos personagens já famosos, mas também muito voltado a produções autorais. Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance sempre foi conhecido por ousar nas letras de suas músicas e era de se esperar que naquela mentre criativa repousasse uma das HQs mais interessantes da última década. Estou falando de THE UMBRELLA ACADEMY (2007).

A série, vencedora dos prêmios Eisner e Harvey em 2008, conta a história de uma "família" de super-heróis que são adotados por um certo empresário chamado Reginald Hargreeves e, com o auxílio deste, começam a desenvolver os seus poderes, preparando-se para um perigo futuro. Lembrou de alguma coisa? Sim, como eu disse no primeiro parágrafo, a obra é interessante, mas não totalmente original (como quase tudo hoje em dia, não é?), bebendo muito em X-MEN, WATCHMEN e até mesmo AKIRA (este último principalmente no visual e na personalidade de alguns personagens). O próprio Way cita essas como suas HQs favoritas.

Mas aí começa o repertório de situações incomuns que a tornam interessante: essas sete crianças são as únicas que sobreviveram de uma leva de quarenta e poucos bebês que nasceram de mulheres que não estavam grávidas. Inusitado, não?

A dinâmica da família é retratada de forma crua, visceral: o ralacionamento entre familiares já é complexo, que dirá entre super-"irmãos"... Eles nos são "nomeados" inicialmente por números. Por aí podemos inferir o quão rígido é o seu crescimento/treinamento, que acaba por moldar personas singulares e em constante conflito. O tempo passa, eles se separam e acabam por se reencontrar quando Hargreeves aparece morto, fato que vem acompanhado por muitos acontecimentos que ameaçam as "crianças" e o planeta.

O primeiro arco de história, APOCALIPSE SUITE (já disponível) conquista e surpreende ao longo das suas páginas. Enxerga-se um esboço de mais uma hitória de grupo de super-heróis salvando o mundo para, logo em seguida, sermos brindados com soluções criativas muito legais. Os poderes incomuns dos protagonistas tornam os clichês que existem nem um pouco incomodos. Gostei muito mesmo e fiquei interessado pelo que viria depois, já que na época já se falava em adaptações para o cinema e novos arcos de história. Há umas duas semanas comprei o segundo encadernado, DALLAS... Bom, mas não está à altura do primeiro.

Incrível a coincidência que, nesse mesmo ano, um filme baseado em HQs (X-MEN - PRIMEIRA CLASSE) também tenha usado em seu plot um acontecimento real para criar um clima mais intimista, algo que a HQ da equipe de heróis disfuncionais também faz. Dessa premissa eu gostei, tanto quanto do desenvolvimento dos personagens, que continua a contento. Mas senti falta de algo que transbordava nas páginas do primeiro arco: a urgência de cada um deles de se provar importante para os outros. Dessa vez perdesse muito tempo em personagens que para mim foram muito bem resolvidos na primeira parte e deixasse de lado outros que poderiam aflorar muito mais.

Independente disso, a leitura continua interessante e muito acima do que encontramos hoje em dia na nona arte. Vale a pena visitar o mundo Way, brilhantemente retratado nos traços do brasileiro Gabriel Bá. Não é de hoje que essa fera dos quadrinhos nos brinda com imagens detalhadas e animadas. A ação salta aos olhos, fazendo com que sempre gastemos um tempo a mais em cada página, só para olhar novamente.

Diálogos afiados, boas ideias e uma arte única e bela. É isso que te espera em THE UMBRELLA ACADEMY: APOCALIPSE SUITE e THE UMBRELLA ACADEMY: DALLAS. Não perca!


segunda-feira, 27 de junho de 2011

A nova Liga da Justiça

Confesso que sempre preferi a MARVEL à DC. Os heróis que mais me interessavam na casa do Superman eram, ao meu ver, deixados de lado (Lanterna Verde, Flash, Aquaman). Entretanto o desenho da Liga da Justiça sempre foi uma constante nas minhas manhãs de TV.

Desde que Geoff Johns tomou as rédeas da DC, a estrutura narrativa da mesma começou a engrenar. Numa clara tantativa de apagar todos aqueles mundos paralelos, ele soube trazer à luz (e com brilhantismo) a ideia de diversas tropas de Lanternas, criou grandes arcos de história para o Flash e agora coordena a reformulação de todos os títulos da DC.

Pois bem, dentre as 52 novas revistas de reformulação, está a da Liga da Justiça, que o próprio Johns tomará conta, como roteirista, ao lado de Jim Lee nos desenhos. Foi divulgada, nesse final de semana, a primeira imagem da nova formação da equipe. E ela foi óbvia e interessante.


Uniformes renovados à parte (calça para a Mulher-Maravilha, uma tendência entre as heroínas e vilãs nessa nova era, além do sumiço da cueca sobre a calça de alguns personagens masculinos), é uma equipe que, com o perdão do trocadilho, parece que vai dar liga...

Agora é esperar para ver, mas se levarmos em conta a obra do roteirista, algo de bom vai surgir... E isso pode ser muito positivo para um possível filme da equipe, na esteira do filme time da MARVEL, Os Vigadores, que chega às telas no ano que vem.

Quer saber mais sobre a reformulação da DC? Acesse aqui.

domingo, 26 de junho de 2011

EX MACHINA e o mundo depois do 11/09







Fade in...



Não é novidade falarmos das contribuições de Brian K. Vaughan à Nona Arte aqui na Poltrona. Depois de Y e Leões de Bagdá, chegou a vez de EX MACHINA. Iniciado em 2004, esse HQ nos conta a história de Mitchell Hundred, um nova iorquino que após um evento bizarro passa a "conversar e comandar" máquinas. Após um primeiro momento, em que se intitula The Great Machine e veste um uniforme para combater o crime, se candidata a prefeito da Big Apple e a vence graças a sua maior vitória enquanto herói: salvar uma das torres gêmeas no atentado terrorista de 11 de setembro. Corajoso o roteirista, não?



Metade sobre um herói voador, metade discussão sobre diversos aspectos políticos de NYC (e, por que não, política moderna geral), Vaughan faz uso de flashbacks para nos mostras o que foi a vida de Hundred como o The Great Machine e quais os seus novos desafios como prefeito. Há uma gama enorme de personagens instigantes e muito bem construidos e desenvolvidos, que nos mantém interessados ao longo de todos os 50 números do Gibi. A arte de Tony Harris e ótima e traz a Nova Iorque real para as páginas de maneira mais vibrante do que qualquer outro antes.



Indagado em algumas entrevistas do que o inspirou em sua criação, Vaughan, nova iorquino residente na cidade na época do atentado, respondeu que após assistir à queda das duas torres do terraço de seu apartamento, ele queria, de alguma forma, escrever sobre o episódio. Mais do que isso, queria externar o sentimento do nova iorquino com relação ao ocorrido. Além disso, para ele era interessante mesclar o mundano com o fantástico e, em EX MACHINA, o político virou o fantástico enquanto as situações de Hundred, enquanto herói, são o mundano.



E é essa a realidade que a HQ nos mostra. Idealismo, vingança, injustiça, trapaças, enlaces políticos, tudo lá. Claro que existe toda a ficção típica de uma história de super heróis e, para usar como exemplo um outro projeto do qual Vaughan participou, nem tudo é respondido de forma didática, como muitos leitores gostariam, como ocorreu com LOST. Mas como leitor assíduo de HQs, e em especial da obra de Vaughan, essa é uma das características que mais me atraem no seu trabalho: a capacidade de aguçar nossa imaginação, nos desafiando a entender/enxergar além do que está escrito/desenhado.



Recomendo a todos, que gostam da nona arte, a leitura deste comic book. Aqui no Brasil ele tem saido na forma de encadernados, sendo facilmente encontrado em quase todas as bancas de jornal. Boa Leitura.



Fade to black.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A hora e a vez de Scott Pilgrim...


Brian Lee O'Malley ainda não havia terminado de escrever a saga de Scott Pilgrim, mas o sucesso já era evidente. Como todo HQ de sucesso hoje em dia, a indústria do cinema não dormiu no ponto e Edgar Wright (Shaun of the Dead) foi incumbido de transpor para as telas a história. A escolha provou-se mais do que acertada.

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (2010) foi um dos grandes sucessos do ano passado... pelo menos entre o público nerd, que curte a cultura pop em geral. O roteiro foi escrito a várias mãos, incluindo as do próprio diretor que mostrou nas suas escolhas um grande respeito pelo material original. A verdade é que ele conseguiu até melhorar algumas decisões do autor quanto a resoluções de trama, "podou" personagens não tão necessários e, ainda assim, prestou homenagem às várias passagens da história, ora fundindo características de alguns personagens em um único, ora incluindo pequenas citações de fácil reconhecimento para os fãs.

O início do filme, com o logo da Universal estilo videogame 8 bits (e a música também) já anunciam o que virá em seguida: um jogo em que o espectador não precisa do joystick. Wright mostra a vida de Scott como uma sequência de fases, que devem ser transpostas para alcançar o objetivo maior, Ramona.

Até as onomatopéias, tão comuns na HQ e que eu, sinceramente, não imaginava como seriam inseridas no filme, estão lá. E funcionam muito bem. Ganhar 1 vida, tentar um CONTINUE, recomeçar a fase, tudo muito bem executado. O trabalho de direção é esmerado e a reconstrução de todo o universo do anti-herói, impecável.


Os atores envolvidos (Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Anna Kendrick entre outros) incorporam seus personagens e os defendem de forma brilhante. As risadas surgem normalmente, com momentos muito bem construídos e nunca gratuitos. Realmente empolgante.


O filme funciona muito bem para uma geração criada dentro de casa pelos mais variados fatores. Além disso, a forma como o relacionamento é tratado reflete exatamente a forma como os adolescentes sentem qualquer relacionamento: algo muito complicado!

Embarque nessa aventura e a cada fase, ops, minuto, apaixone-se por Ramona. Quem sabe não será você quem irá desbancar Pilgrim, na luta pelo coração dela.

A preciosa vidinha de Scott Pilgrim



Acaba de chegar às lojas brasileiras o volume 3 (e final ) de SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO. Não sei dizer ao certo o que foi que me atraiu para esse HQ. Se foram os traços estilo mangá (mas sem a carga pesada dessas histórias) ou a simplicidade do mote da história ou ainda toda o repertório de cultura pop esparramado por todas as páginas da HQ.

Escrito e desenhado por Brian Lee O'Malley e publicado entre 2004 e 2010, originalmente em 6 volumes, ela conta a história de um canadense nos seus vinte e poucos anos, preguiçoso, que mora com seu amigo gay em um apê em que quase nada lhe pertence além das roupas do corpo. É um roqueiro de garagem e se apaixona por uma bela forasteira, Ramona Flowers. Um pequeno empecilho atrapalha o casal: Scott deve derrotar os 7 ex-namorados do mal dela!!!

A história se desenrola em Toronto (cidade que conheço, outro motivo que me atraiu), sendo que os lugares são retratados como são na realidade. Tudo é motivo para referências à cultura pop, seja no cinema, na música ou no videogame. O próprio nome Scott Pilgrim é oriundo de uma música de uma banda indie formada somente por mulheres chamada Plumtree.

O roteiro é bom, tem seus altos e baixos mas diverte na maior parte do tempo. Em alguns momentos, principalmente nos volumes 3 e 4 do original (2 aqui no Brasil) a história fica um pouco lenta, mas nada que estrague o desenrolar da trama. O fechamento também é satisfatório e original.

Onomatopéias voando pelos quadrinhos, olhos esbugalhados, vidas extras e lutas extravagentes, tudo se reúne de forma orgânica, criando um mosaico psicodélico do que é o entretenimento hoje em dia.

Descubra Scott Pilgrim e sua turma e divirta-se conhecendo momentos que, talvez, você também tenha vivido. Ou algo assim. Boa leitura!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Welcome to FABLETOWN!



Assistir ao filme A GAROTA DA CAPA VERMELHA e comentá-lo para a Liga acabou criando a oportunidade perfeita para recomendar uma HQ que há muito queria indicar.

E se os vários personagens dos contos de fada vivessem no nosso mundo? Mais precisamente em Nova Iorque, em um bairro conhecido por eles como Fabletown? Pois é essa a premissa que o brilhante Bill Willingham criou para o selo Vertigo, da DC. As fábulas foram expulsas de suas terras fantásticas por um inimigo desconhecido, chamado de O Adversário, e vieram para o nosso mundo. Aquelas que não conseguem se "misturar" com os humanos (como monstros e animais antropomórficos) vivem no campo, em um local conhecido como A Fazenda.

FÁBULAS (FABLES, iniciado em 2002) é uma HQ vibrante e muitíssimo interessante, por tentar reimaginar a história de muitas figuras que povoam nossa imaginação desde sempre. Branca de Neve e o Lobo Mau ocupam papel de protagonistas, sendo a primeira a administradora de Fabletown e o segundo, o chefe de segurança. Eu poderia perder linhas e mais linhas citando os muitos personagens que surgem em diversos arcos de história, mas prefiro indicar uma leitura obrigatória antes de começar a série: FÁBULAS - 1001 noites.


Nela é possível encontrar a história da "nova" origem de vários personagens que depois serão importantes na série, que continua a ser publicada até hoje lá fora e vem sendo traduzida para nós, brasileiros, pouco a pouco. Já foram disponibilizados 7 volumes que procuram agrupar arcos de história completos.

É muito legal ler as criações do roteirista, com arcos vibrantes que fazem ótimo uso dos conceitos pré-existentes dos mais diversos personagens. A arte também é sublime, por conta de Mark Buckingham, Lan Medina, Steve Leialoha e Craig Hamilton. Ressalto, em especial, as bordas de cada uma das páginas, todas trabalhadas de forma detalhada, trazendo referência ao personagem em foco no arco em questão.

Recomendação máxima. Comece a ler e veja se não será capturado pelas aventuras dessas fábulas. Sem falar que você não irá descansar até descobrir quem é O Adversário... e não sossegará até que ele seja derrotado!