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quinta-feira, 30 de junho de 2011

O inverno está chegando...



A GUERRA DOS TRONOS (A Game of Thrones) é o primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor americano George R. R. Martin. A semelhança entre este e o autor de O Senhor dos Anéis não fica só no nome carregado de Rs. É um mundo fantástico, onde reis e rainhas, guerreiros e assassinos, e até até mesmo bastardos vivem um jogo de traição frequente, buscando sempre controlar o trono de ferro.

Oriundo da TV, o autor sempre ouvia dos produtores que seus roteiros eram muito "populados" e que exigiriam um grande aporte financeiro. Cansado de ter que enxugar seus textos, resolveu se dedicar aos livros, onde a imaginação pode fluir de forma mais livre. E a escolha se mostrou acertada.

Galgado na política entre as diversas casas, suas alianças e desavenças, grande parte deste primeiro livro é descrita em um mundo muito próximo do que foi a Idade Média Européia. Cavaleiros defendendo sua honra e a de seus lordes, donzelas em busca de bons casamentos delineiam grande parte da ação. O sobrenatural aparece quando se fala de um muro de gelo, famoso por separar o mundo "humano" do que é etéreo e inumano. É guardado por um bando de renegados, que aceitam o posto temeroso muitas vezes em troca de escaparem de alguma pena que receberam por seus crimes.

A escolha do autor por trabalhar diferentes personagens para narrar os acontecimentos de cada capítulo se mostra muito acertada e torna o livro extremamente atraente e a leitura fluída. Quando podemos visitar os pensamentos de cada personagem em separado, fica mais fácil de nos relacionarmos com os mesmos e, quase sempre, entender suas atitudes. Torcemos por nossos preferidos, mas não colocamos em suas testas definições do tipo "BOM" e "MAU".

Temos Eddard e sua honra, tentando tomar as melhores decisões como conselheiro do rei; Sansa e Arya, com objetivos de vida e visões de mundo bem diferentes; Catelyn, desteminda e, ao mesmo tempo, incapaz de perdoar o fruto de uma indiscrição de seu marido; Tyrion e sua inteligência aguçada; Jon, que com sua coragem tenta provar que é digno do pai que tem; Daenerys, obrigada a crescer em meio do desejo do irmão de retomar uma majestade perdida; Bran e sua visão de criança frente a um mundo de intrigas; todos, ao seu modo, ajudam a narrar os acontecimentos.

De forma bem intrincada, Martin sempre nos deixa com o gosto de quero mais ao final de cada capítulo. Queremos saber mais sobre aquele personagem, para no instante seguinte nos interessarmos por um novo ponto de vista da história.


A coleção ainda está em desenvolvimento, sendo que o quinto livro (de, possivelmente, 7) saiu a pouco tempo nos EUA. Vencedor de muitos prêmios, teve um seriado desenvolvido pela HBO, cuja primeira temporada acaba de terminar, já com a segunda garantida.

Não assisti muito do programa, que já é transmitido aqui no Brasil também, mas sendo uma produção HBO é difícil duvidar do bom gosto/desenvolvimento da série. Além disso, o grande elenco, capitaneado por Sean Bean (Boromir em Os Senhor dos Anéis) e Lena Headey (a mulher de Leônidas em 300), promete uma série à altura da literatura que a inspira.

Quanto ao livro, posso dizer que gostei muito do primeiro. Pretendo começar o segundo rapidamente e saber mais da história desse povo dos Sete Reinos.

Fica a dica da LIGA para todos os nossos leitores: não percam essas duas ótimas fontes de entretenimento.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A garota da tatuagem de dragão



A trilogia de suspense policial MILLENNIUM já vendeu milhões de cópias ao redor do mundo, angariando um séquito de fãs. Como todo livro que faz sucesso, não demorou muito para que fosse adaptado para os cinemas. As adaptações foram executadas em seu próprio país de origem e tiveram uma recepção morna por parte da crítica.

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES é inspirado no primeiro livro da série e conta a história de um jornalista que, condenado por acusar sem provas um figurão sueco em uma de suas reportagens, aceita investigar um caso de sumiço de quase 40 anos em uma ilha. Paralelamente a isso, acompanhamos a história de uma hacker, com um passado/presente obscuro, que, muito inteligente, se interessa em ajudar o jornalista.

Não li o livro, mas tive assessoria enquanto assistia ao filme (thank you, Honey!) e pude comparar os dois, entender melhor a história e relacionar o que foi adaptado. Gostei do filme. Na verdade, gostei muito da história, que tem uma temática extremamente pesada. Algumas cenas foram criadas com crueza e exatidão. Muitos críticos consideraram a transposição simplória e truncada. Sinceramente, não senti isso. Talvez o filme seja um pouco extenso demais, mas nada que incomode.

Confabulando com a minha assessora-leitora, a montagem foi bastante fiel ao livro, procurando retratar todos os acontecimentos do livro. Noome Rapace tem uma beleza no mínimo exótica e, "enfeiada" de propósito, transmite a estranheza peculiar a sua personagem. Sua atuação segura transborda da tela principlamente em determinadas cenas sexuais extremamente fortes.


O que me inspirou a assistir esse filme foi a notícia de que uma nova adaptação estava a caminho, agora nas mãos de David Fincher. E a divulgação do primeiro trailer/teaser trouxe à tona algo já esperado: a história tem o nome do diretor escrito. E com todo o seu estilo e a parceria com Trent Reznor, que já fez uma trilha brilhante para A REDE SOCIAL, esse filme tem tudo para decolar e gerar os demais filmes também em Hollywood.


Um ótimo filme policial, fica a dica para os que nos acompanham aqui na Liga.


Assista também ao trailer de Fincher, e fique ansioso como nós...

terça-feira, 26 de abril de 2011

A hora e a vez de Scott Pilgrim...


Brian Lee O'Malley ainda não havia terminado de escrever a saga de Scott Pilgrim, mas o sucesso já era evidente. Como todo HQ de sucesso hoje em dia, a indústria do cinema não dormiu no ponto e Edgar Wright (Shaun of the Dead) foi incumbido de transpor para as telas a história. A escolha provou-se mais do que acertada.

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (2010) foi um dos grandes sucessos do ano passado... pelo menos entre o público nerd, que curte a cultura pop em geral. O roteiro foi escrito a várias mãos, incluindo as do próprio diretor que mostrou nas suas escolhas um grande respeito pelo material original. A verdade é que ele conseguiu até melhorar algumas decisões do autor quanto a resoluções de trama, "podou" personagens não tão necessários e, ainda assim, prestou homenagem às várias passagens da história, ora fundindo características de alguns personagens em um único, ora incluindo pequenas citações de fácil reconhecimento para os fãs.

O início do filme, com o logo da Universal estilo videogame 8 bits (e a música também) já anunciam o que virá em seguida: um jogo em que o espectador não precisa do joystick. Wright mostra a vida de Scott como uma sequência de fases, que devem ser transpostas para alcançar o objetivo maior, Ramona.

Até as onomatopéias, tão comuns na HQ e que eu, sinceramente, não imaginava como seriam inseridas no filme, estão lá. E funcionam muito bem. Ganhar 1 vida, tentar um CONTINUE, recomeçar a fase, tudo muito bem executado. O trabalho de direção é esmerado e a reconstrução de todo o universo do anti-herói, impecável.


Os atores envolvidos (Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Anna Kendrick entre outros) incorporam seus personagens e os defendem de forma brilhante. As risadas surgem normalmente, com momentos muito bem construídos e nunca gratuitos. Realmente empolgante.


O filme funciona muito bem para uma geração criada dentro de casa pelos mais variados fatores. Além disso, a forma como o relacionamento é tratado reflete exatamente a forma como os adolescentes sentem qualquer relacionamento: algo muito complicado!

Embarque nessa aventura e a cada fase, ops, minuto, apaixone-se por Ramona. Quem sabe não será você quem irá desbancar Pilgrim, na luta pelo coração dela.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

É para ver melhor!!!!


O que acontece quando uma menina, trajada com um belo capuz vermelho, decide visitar sua vovó, que vive em uma casa afastada, no meio de uma floresta?

É, eu imagino no que você está pensando: eu conheço essa história.

Sim, estou falando da Chapeuzinho Vermelho, que pretende levar doces para a vovozinha e acaba se colocando à merce do Lobo Mau, personagem corriqueiro nos contos de fadas clássicos, seja querendo devorar a velhinha ou assoprar até derrubar as casas de certos porquinhos.

Os contos de fadas existem desde sempre, povoando a infância de todos nós. São pequenas estórias que sofrem pequenas modificações com o passar dos anos e que buscam não só entreter, mas também ensinar algo às criancinhas. Em uma época povoada por releituras modernas do que já é conhecido há tempo, não seria esse conto que fugiria à nova regra.

Sarah Blakey-Cartwright foi a responsável por escrever essa visão moderna do conto da Chapeuzinho Vermelho. Intitulado A GAROTA DA CAPA VERMELHA (RED RIDING HOOD no original), o livro pinta com novas cores a estória, mostrando Valerie, que vive em uma vila assolada por um Lobisomem há décadas. Quando a irmã da garota é atacada, começa um jogo de gato e rato onde todos possuem seus segredos e são suspeitos.


A adapatação para o cinema, homônima, acaba de chegar às telas tupiniquins. Dirigido por Catherine Hardwicke (diretora do primeiro filme da série CREPÚSCULO), o filme surpreendeu-me positivamente. Como não li o livro, a trama conseguiu me capturar, perdurando a dúvida de quem era o Lobisomem.

É bem verdade que o filme bebe muito na série Crepúsculo, não faltando o seu triângulo amoroso (apesar deste ser muito fraco e não emplacar como tal). As panorâmicas também estão presentes à exaustão, insistindo sempre em querer nos envolver pelo ambiente. São belas imagens, mas que em certos momentos cansam.

Amanda Seyfried triunfa ao passar a imagem de alguém inocente e, ao mesmo tempo, lascivo. Parece sem sentido dizer isso, mas ela realmente consegue isso, como já fez em Big Love. Além disso, o belo contraste da neve, dos olhos da atriz e da capa vermelha dão um tom interessante à diversas cenas. Já as outras duas pontas do triângulo não estão à altura. Ou melhor, Shiloh Fernandez (Peter) tem uma atuação sincera e competente, enquanto Max Irons (Henry) parece assustado em todas as suas cenas, impossibilitando o real surgimento do enlace romântico.


A trilha sonora também merece um elogio. Os arranjos, muitas vezes pontuados por guitarras, empolgam e assustam na hora certa. O Lobo digital desse filme perde um pouco para os da série Crepúsculo, mas cumpre bem o seu papel. Mas há um certo elefante em cena que, na minha opinião, fica meio deslocado...

Enfim, o filme diverte e pode ser encarado como uma boa sessão da tarde. Ou de final de domingo, como foi o meu caso. Bom entretenimento. Afinal, como a própria Chapeuzinho pergunta para a sua Vovó, "Para que esses olhos tão grandes?".

Acesse o site oficial para saber mais informações sobre o filme e assistir ao trailer.

E bom filme!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

As Fronteiras do Universo Cinematográfico

Adaptação Cinematográfica.

Considerada por alguns “falta de criatividade”, essa modalidade tem ocupado a produção Hollywoodiana nos últimos anos. Alguns projetos com grande êxito (O Senhor dos Anéis), outros, nem tanto. Mas o que determina esse êxito? Pergunta difícil de responder, um fator é, talvez, o mais importante na equação: uma boa história precisa ser bem contada. E acho que isso foi o que fez A Bússola De Ouro (2007) derrapar.

Baseado na coleção Fronteiras do Universo (His Dark Materials no original), de Philip Pullman, a história é centrada em Lyra, 11 anos, que vive na Universidade Jordan acompanhada de seu daemon, personificação animal de sua alma. A menina se envolve em um turbilhão de eventos envolvendo universos paralelos, bruxas, ursos polares guerreiros e instrumentos mágicos.

Tendo lido toda a coleção antes do filme, posso dizer que o mesmo funcionou para mim, já que eu tinha material para preencher as lacunas. O esmero da produção foi reconhecido quando o filme abocanhou o Oscar de Efeitos visuais (realmente muito bons, em especial os daemons e os ursos polares) e foi indicado por sua Direção de Arte. Mas não é só isso que faz um bom filme. Faltou um pouco mais de coragem na hora de tratar do tema controverso que envolve a coleção de livros: colocar a Igreja (Magistério) como uma organização brutal e mostrar uma “guerra” contra Deus (a Autoridade).

O livro foi abertamente criticado por diversos religiosos e gerou muitos protestos, principalmente nos EUA. Nas palavras do próprio autor, a Autoridade pode ser definida como qualquer entidade arbitrária, seja ela política, religiosa, totalitária, fundamentalista, comunista, ou seja, o que for que impeça a liberdade do indivíduo. É uma crítica válida e interessante para os dias atuais. A decisão da New Line, produtora do filme, de não se aprofundar nessas referências despersonifica o caráter mais legal da obra, tirando, no meu ponto de vista, algo que poderia atrair mais pessoas aos cinemas, possibilitando que toda a história pudesse ser contada na telona.

Houve rumores de que já haviam contratado um roteirista para escrever o segundo antes mesmo do lançamento do primeiro. Mas a julgar pela movimentação atual, esse projeto foi abandonado. Uma pena. Gostaria de ver o grande elenco do primeiro filme, encabeçado por Daniel Craig, Nicole Kidman e Eva Green, retornar a esse universo... Ou seriam esses universos? Recomendo a leitura dos livros. Não se esqueçam de que, às vezes, a melhor forma de confirmar seus conceitos é colocá-los a prova.