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sexta-feira, 21 de março de 2014

Parem de escalar brancos pra personagens de cor


Cinema é considerado a sétima arte, mas será que nos dias de hoje Hollywood (na maior parte do tempo) ainda dá pra ser considerado arte?  Ainda mais em tempos em que os atores se sobressaem aos filmes em si. O fato é que a abrangência e, quem sabe, influência destes filmes ditam culturas, modos e sabe-se lá o que mais. Foi nessa linha de pensamento que a Sociedade de Nativos Americanos resolveu mostrar sua indignação pela escalação da atriz (branca) Rooney Mara ("Os Homens Que não Amavam as Mulheres", "Rede Social") pra viver a Princesa índia Tigrinha na nova adaptação live action de Peter Pan aos cinemas, intitulado apenas de "Pan", como os chocolates.

Rooney Mara
Nada contra a ótima e abastada Rooney Mara, nem contra o ótimo Joe Wright ("Orgulho e Preconceito", "Desejo e Reparação", "Anna Karerina"), diretor dessa nova adaptação, mas a Warner realmente deu um tiro no pé ao afirmar pra revista "Variety" sobre a nova escalação que "O mundo (Terra-do-Nunca) está sendo criado como multi-racial/internacional - e um muito diferente personagem do que antes previamente imaginado". Nem dá pra dizer que eles estejam mais focados na nacionalidade dos atores, já que Hugh Jackman, branco e contratado pra viver o Barba Negra, é um dos poucos estrangeiros por ser australiano. Garrett Hedlund, branco que viverá Gancho (antes de ser capitão) é estadunidense. A coisa só melhora com o nome de Adeel Akhtar, ator britânico de origem indiana que viverá Smee, o capacho de Gancho.

Tonto e o Cavaleiro Solitário na série original
Mesmo que o posicionamento da Warner de dizer uma coisa, e agir de outra não seja oficial, mas apenas fruto de um artigo, o problema não é recente. A Sociedade também já havia manifestado preocupação com Johnny Depp vivendo um dos personagens nativo americano mais icônicos da cultura pop, o Tonto de "O Cavaleiro Solitário", mesmo que o ator já tenha desde 2002 dito que acredita ser . Segundo a Sociedade, através da petição, "esta escalação é particularmente vergonhosa pra um filme para crianças, ao dizer para elas que seus exemplos de modelo são todos brancos é inaceitável". 

Se você compartilha do mesmo sentimento da Sociedade dos Nativos Americanos, e acha que não apenas a Warner, mas todos os estúdios devam pensar em todas as cores e raças, pode acessar a petição aqui, mesmo que o número de assinaturas já esteja quase alcançado.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

ROBOCOP - o futuro de 1987


A onda de remakes tem possibilitado um outro fenômeno interessante: a vontade dos cinéfilos em revisitar obras antigas que, à primeira vista, não necessitariam de uma nova roupagem. Guardava bem claro em minha lembrança a imagem do policial, parte máquina parte humano, que guardava a sua arma dentro da coxa metálica, mas assistir a Robocop - O Policial do Futuro (Robocop, 1987) mostrou-se uma experiência muito interessante. Posso afirmar que passei a gostar ainda mais do filme do estiloso e talentoso Paul Verhoeven.

Logo de início o filme já se estabelece em um futuro sem muitos floreios: nada de carros voadores, roupas extravagantes ou prédios com design futuristas. A cidade do futuro de Verhoeven é nua e crua, sem cor e sem alma. Dominada pelos malfeitores e as grandes corporações, não há espaço para rodeios. A polícia sofre para controlar a situação e os seus rendimentos não são satisfatórios. Nesse contexto, com as mortes de policiais se tornando algo frequente, conhecemos Murphy, recém transferido e rapidamente colocado nas ruas, ao lado de sua nova parceira Lewis. Em uma malfadada diligência o novato é executado (de uma forma tão gráfica que só Verhoeven poderia conceber) e um oportunista da OCP (conglomerado ciber-futurista) se apossa dos restos do mesmo e temos o surgimento do policial do futuro: Robocop!



O diretor se apropria de uma obra de ação para satirizar a sociedade sem piedade. A utilização de programas de TV diretamente nas cenas só nos mostra o nível do conteúdo difundido, contribuinte assíduo para a sociedade covarde e inerte que encontramos. Ponto para o roteiro que, dessa forma, contextualiza o expectador através de propagandas banais e risíveis. Em dado momento um diálogo entre um policial e um terrorista/político é tão bizarro que causa risadas involuntárias na primeira situação tensa do herói.

A violência e o sadismo com que Verhoeven escolhe mostrar muitas sequências conferem ao longa um DNA próprio, algo que chocou na época por ser muito mais extremado do que o que era comum a Hollywood, e (acredite) choca ainda hoje. Ainda assim, as cenas são tão orgânicas que fica difícil imaginar as mesmas de outra forma.

Algo que impressiona muito são os movimentos de Robocop. Sinceramente, não sei como conseguiram movimentos tão robóticos. A coreografia impressiona, com a cabeça se movendo um pouco antes do resto do corpo. Murphy é um personagem muito interessante, mesmo que só tenhamos acesso a sua vida através das lembranças que passam a assombrar o robô. Mais uma vez, méritos para os roteiristas!


Robocop é ação mas fala de tantas coisas juntas que essa nova visita me fez refletir muito mais, como dito no começo do post. Grandes corporações, privatizações, manipulação televisiva, apatia social, todos assuntos que tornam mais densa a discussão sobre a dualidade de Murphy. Qual a diretriz a seguir? Como salvar o mundo? Esse é um serviço para Robocop!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

R.I.P. Philip Seymour Hoffmann

O multifacetado ator Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto, aos 46 anos, em seu apartamento em Nova Iorque no dia 2 de fevereiro. As circunstâncias preliminares apontam pra overdose, mas seu estilo de vida privado nunca foi relevante comparado ao seu potencial como artista.

o ator bem antes da fama
O ator já tinha feito participações pequenas em diversos filmes como "Perfume de Mulher" e "Twister", mas foi apenas na parceria com o diretor Paul Thomas Anderson em "Boogie Nights: Prazer Sem Limites" de 1997 que ele mostrou que tinha muito mais versatilidade do que aparentava. A partir dali, não parou mais. Se tornou um queridinho do cinema cult com "Próxima Parada Wonderland", "O Grande Lebowski" dos Irmãos Coen, no badalado indie "Felicidade" de Todd Solondz, e vivendo uma drag queen que ajuda Robert DeNiro em "Ninguém é Perfeito".

em "O Mestre"
A partir daí começou a ser um ator disputado em produções de todos os tipos, das quais ele sempre experimentou aquelas que mais o desafiassem. Para isso, ele também pôde trabalhar com grandes diretores. Foi assim na constante parceria com Paul Thomas Anderson como o enfermeiro de "Magnólia", em "Embriagado de Amor" e mais recentemente no polêmico "O Mestre", onde ele brilhantemente vive uma caricatura over de L.Ron Hubbard, criador da religião Cientologia. Ou seus trabalhos com Spike Lee em "A Última Noite", Anthony Minghella em "O Talentoso Ripley" e "Cold Mountain", o naquele-momento-promissor Brett Ratner em "Dragão Vermelho", J.J. Abrams em "Missão: Impossível 3", Mike Nichols em "Jogos do Poder" ao lado de Julia Roberts e Tom Hanks, Charlie Kaufman em seu experimental "Sinedóque, Nova Iorque", e George Clooney no brilhante "Tudo pelo Poder".

no filme que lhe rendeu um Oscar
Foi na obra-prima de Cameron Crowe "Quase Famosos" de 2000, que começou a temporada de prêmios, e o carinho do grande público.  A partir dali ele ganharia 73 prêmios, incluindo o Oscar de melhor ator em 2006 por sua detalhada representação do escritor Truman Capote em "Capote". E outras 54 indicações, como as 3 indicações ao Oscar de ator coadjuvante por "Jogos do Poder", o tenso "Dúvida" e mais recentemente "O Mestre".

Seus últimos trabalhos incluíam o piloto da série de comédia
Em "Jogos Vorazes: Em Chamas"
"Happysh" (ex-"Trending Down") do canal Showtime, o blockbuster "Jogos Vorazes: Em Chamas" e os ainda inéditos "O Homem Mais Procurado" baseado no livro de John le Carré (mesmo autor de, entre outros, "O Jardineiro Fiel") e as duas partes de "Jogos Vorazes: A Esperança". Deste último vale notar que o ator havia filmado toda a primeira parte, e faltava apenas poucas cenas para a segunda, não prejudicando muito sua finalização. Há, ao menos, uma cena importante que ele não havia gravado, e esta deve ser filmada usando truques de câmera e até efeitos visuais.

sábado, 25 de janeiro de 2014

50 Tons do Cavaleiro das Trevas

Após muita arte falsa, finalmente a Focus Features revelou o primeiro pôster da adaptação do bestseller erótico "Cinquenta Tons de Cinza", que está sendo dirigindo por Sam Taylor-Johnson com Jamie Dornan (da série "Once Upon a Time") e Dakota Johnson ("Rede Social") como os protagonistas Christian Grey e Anastasia Steele.

A arte é claramente um convite, portanto apenas um teaser, que mostra Christian de costas com Seattle ao fundo. O tal convite vai fazer parte de uma turnê de outdoors por 5 cidades dos EUA fazendo uma contagem regressiva pro dia dos namorados americano de 2015 (13 de fevereiro), que é quando o filme estréia lá.

O curioso é comparar o protagonista milionário e sadomasoquista Christian Grey com outro milionário famoso da ficção, talvez tão sadomasoquista quanto, Bruce Wayne, o Batman. O pôster faz clara alusão ao pôster de "O Cavaleiro das Trevas", que mostra Batman de costas olhando pra Gotham City. Esperamos que tamanha ousadia de não divulgar o filme como um romance erótico do Nicholas Sparks seja um bom sinal.

Por outro lado temos novos tons na novela Superman vs. Batman vs. Toda a Liga da Justiça. Adiado de julho de 2015 pra maio de 2016, a sequência de "Man of Steel" com o Cavaleiro das Trevas não terá suas gravações igualmente adiadas, o que pode indicar que a provável terceira parte, que traria a formação da Liga da Justiça, vai ser gravada ao longo de 2015. Tal manobra daria aos produtores e diretor (ou seriam diretores com Ben Affleck assumindo dois cargos no terceiro filme?) tempo de montar tudo. Por isso, o premiado diretor e nem-tão festejado ator "The Middle Man" da Fox, que ele produz.

Ben Affleck, que assume o papel de Batman, teve de abrir mão de dirigir o episódio-piloto da série "

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Y e Torre Negra em atualização

Há cerca de 10 anos em desenvolvimento para ganhar uma versão cinematográfica, a HQ "Y - O Ultimo Homem" ganhou uma atualização que pode vir tanto para o bem quanto para o mal. Brian K. Vaughan, roteirista e autor da HQ ao lado de Pia Guerra, revelou que se a New Line, atual detentora dos direitos de adaptação, não produzir o filme nos próximos meses, perderá os direitos.

Anos atrás o filme esteve nas mãos frágeis de D.J.Caruso, aproveitando o sucesso de "Paranóia" e "Controle Absoluto", e com Shia Labeouf, astro dos dois filmes do diretor, como o jovem protagonista que é o ultimo homem da Terra, após uma inexplicável catástrofe que mata todos os machos, e muda completamente as regras na sociedade. Atualmente o filme foi colocado sob a direção do desconhecido curta-metragista e nerd Daniel Trachtenberg, sob a usualmente pouco criativa produção de David Goyer.

Se isso fará a New Line acelerar a produção, só o tempo dirá, já que tivemos há pouco tempo o exemplo da Fox, que em cima do prazo fez novo acordo com a Marvel pra continuar com os direitos do "Quarteto Fantástico", ganhando mais tempo pra iniciar sua produção, ao devolver os personagens do "Demolidor". É notório entre os fãs de "Y" que a já finalizada HQ ficaria muito melhor no formato televisivo (talvez em no máximo 5 temporadas?), que em filmes que mutilarão a obra.

Outro projeto travado ganhou nova atualização esta semana. A serie de romances de Stephen King "A Torre Negra", igualmente há anos esperando pra ser adaptada está nas mãos do irregular Ron Howard ("Apollo 13", "Uma Mente Brilhante", "O Código DaVinci") e seu produtor favorito Brian Grazer ("24"), num projeto que envolveria três filmes e uma serie de TV. O romance já foi em parte adaptado com sucesso nas HQs, e a serie televisiva poderia cobrir este trecho da história.

Javier Bardem já teve seu nome amplamente atrelado aos filmes, mas estúdios estariam se negando a bancar o projeto que mistura muita fantasia e velho-oeste (num universo tão grande que cobre até mesmo o do filme "O Nevoeiro"). Mas o festejado Aaron Paul (da serie "Breaking Bad") revelou durante o Festival de Cinema de Sundance que teve diversas conversas com o diretor sobre o projeto, e estaria disposto a viver o complexo protagonista.

Assim como "Y", ainda não se sabe se o envolvimento de Aaron Paul, que vai testar sua popularidade em março na adaptação dos videogames "Need For Speed", seja algo que vá atrair investidores e tirar o projeto da gaveta. Mas estamos torcendo pra que todos façam jus ao material fonte.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Marvel Studios vs. Warner/DC Comics

Enquanto a Warner estava indo com a farinha em relação a sua poderosa gama de super-heróis do catálogo DC Comics, a Marvel, antes mesmo de se tornar Marvel Pictures, já estava com a festa toda preparada de surpresa.
Nos últimos meses a Marvel fez questão de explicar que está construindo um universo, e o expandindo, por fases. A primeira fase foi a apresentação de personagens (e podemos considerar "O Incrível Hulk" da Universal parte indireta desta fase), a segunda fase de expansão começou em 2013 com o polêmico "Homem de Ferro 3" e deve ser finalizada em "Homem- Formiga" em Julho de 2013.

Em meados de dezembro, sem tanta polêmica quanto se esperava, a Marvel oficializou o ator de comédias Paul Rudd como o protagonista de "Homem- Formiga", e ontem 13 de janeiro oficializou o veterano Michael Douglas também como o super-herói. Expliquemos: Douglas foi escalado pra viver o herói original Hank Pym, que descobre um soro capaz de deixá-lo gigante ou do tamanho de uma formiga, que anos mais tarde tem seu traje roubado pelo desesperado pai de família Scott Lang, papel que será de Rudd, e que então assumirá a identidade do Homem-Formiga. Boatos dão conta de que um outro ator deva viver Hank Pym jovem, e que o longa terá o formato de um grande filme de assalto. Mas não podemos negar que já há muita informação.

Enquanto isso a Warner/DC prepara a continuação do sucesso "Homem de Aço", que deve brigar com o outro grande super-herói da casa Batman, que terá o irregular Ben Affleck como intérprete. Se já não fosse o bastante ter que fazer uma continuação digna pro filme do Superman e ainda reinventar Batman no mesmo universo, o estúdio garantiu a atriz/modelo israelense Gal Gadot como Mulher-Maravilha. E se já não fosse muita informação, boatos falam que o estúdio procura atores pra viver ao menos Lanterna Verde e Aquaman, além dos vilões Lex Luthor e Apocalipse.
Outros boatos falam da falta de título ao filme. Seria "Homem de Aço 2", "Homem de Aço vs. Batman", "Homem de Aço - A Hora Mais Escura" e segundo as últimas apurações pode assumir de uma vez o título de "Liga da Justiça". Isso porque, também segundo boatos, os produtores agora brigam pra gravar dois filmes de uma única vez, sendo o segundo assumidamente uma aventura da Liga da Justiça.
Concluímos que tão poucas informações confiáveis mais assustam do que ajudam o filme a se promover, e a Warner parece se esquecer da expectativa que acontece fora de seus muros.

Ainda seria cedo, mas enquanto a Warner não divulga detalhes ou se apressa numa super produção que estréia em julho de 2015, a Marvel conversa com Johnny Depp pra viver o mago Doutor Estranho na terceira fase dos heróis da Marvel em 2016, que já conta também com várias séries de TV e streaming via Netflix.
Quem está mais causando mais interesse? Marvel ou Warner/DC?

domingo, 12 de janeiro de 2014

"...nada se cria, tudo se copia" e o que isso tem a ver com a aposentadoria pública de Shia LaBeouf


Uma vez disse o pai da química moderna Antoine Lavoisier "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", mais tarde transformada por Abelardo "Chacrinha" Barbosa em "na televisão nada se cria, tudo se copia" pra explicar porque todos os programas acabavam sendo parecidos partindo sempre do mesmo formato. O ator americano Shia Labeouf, de 27 anos, está sem dúvida com o espírito do Chacrinha, que também falou que "não vim para explicar, mas para confundir" em relação a direitos autorais, e além.

Revelado na série do canal Disney "Mano a Mana" em 2000, e tendo protagonizado seu primeiro filme "O Mistério dos Escavadores" ao lado de veteranos como Jon Voight, Sigourney Weaver e Tim Blake Nelson, o ator teve ascensão rápida ao coadjuvar em blockbusters como "As Panteras", "Eu, Robô" e "Constantine", logo veio os protagonistas de "O Melhor Jogo da História", "Paranóia", a animação "Tá Dando Onda" e a franquia que mudou sua vida "Transformers". Mudou sua vida no bom ($$) e no mal sentido (deixou de ser um ator em ascensão, pra ser uma celebridade). Em 2011, após o enorme fracasso de crítica de "Transformers 3 - O Lado Oculto da Lua" deu declarações contrárias a produções como esta, e disse que iria fugir de blockbusters pra fazer filmes que o desafiassem como ator.Desde então Shia trabalhou com diretores badalados (John Hillcoat, Robert Redford e Lars Von Trier) e até fez nu frontal num videoclipe de Sigur Rós, mas também resolveu se dedicar a outras artes. Em 2012 lançou algumas HQs independentes sob o selo de sua editora The Campaing Book, e anunciou a HQ "Hotah" como um projeto mais ambicioso em parceria com a (mais conceituada) editora Boom!Studios. Além disso, desde 2004 o ator tem dirigido curtas-metragens cada vez mais ambiciosos, e foi aí que o ator foi pego.
O ator em cena de seu último trabalho: "Ninfomaníaca" de Lars Von Trier
Seu último curta-metragem "Howard Cantour.com", estreou em 2012 no Festival de Cannes e foi disponibilizado online no último mês de dezembro, mas guarda numerosas semelhanças (diálogos, acontecimentos, e até aparência dos personagens) com a HQ "Justin M. Damiano" de Daniel Clowes. O ator reconheceu o fato, que o levou a ser chamado de "ladrão sem vergonha" pelo produtor do cartunista, num tweet dizendo que "na minha empolgação e ingenuidade de cineasta amador, me perdi no processo criativo e fui negligente na hora de dar os devidos créditos" e "eu ferrei com tudo". O problema talvez seja que, ao ser pego, o ator resolveu usar toda a história como manifestação, numa maneira de não ficar tão queimado. E resolveu pedir desculpas, usando desculpas de outras pessoas, como uma garota no Yahoo! Respostas ("copiar não integra parte do processo criativo. Se inspirar na idéia de outra pessoa para produzir algo novo e diferente É processo criativo.").
cena de seu polêmico curta
de história plagiada "Howard Cantour.com"
As coisas pioraram quando uma nova leva de denúncias de plágio apareceu. Suas HQs "Lets Fucking Party" e "Stale N Mate" copiam trechos de, respectivamente, poemas de Bukowski e do romance "The Little Girl and The Cigarette" do francês Benoit Duteurtre, além da seção 'sobre' no site de sua editora copiar palavra por palavra o mesmo texto do site da editora PictureBox. Para se desculpar, o ator copiou desculpas de Tiger Woods no calor de seu escândalo de adultério, e do secretário de defesa americano Robert McNamara sobre suas ações na Guerra do Vietnã.
Serial-plagiador sim, mas com orgulho!
No último dia 10 de janeiro o ator anunciou sua aposentadoria "de toda a vida pública" no tweet "na luz dos recentes ataques contra minha integridade artística, eu estou me retirando de toda a vida pública", o site de sua editora apresenta apenas o logo, um link pro seu twitter com a #stopcreating (pare de criar), e um dos últimos tweets lança um manifesto meta-modernista (!!) com alguns conceitos revoltosos. Para finalizar o ator deu uma entrevista ao site Bleeding Cool dizendo que "autoria é censura... Simples - Deveria a criação ser checada com um advogado?".E o que você acha? O ator está dando uma de joão-sem-braço e se promovendo no próprio escândalo, ou está querendo levantar verdadeiras discussões sobre o que é arte hoje?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Não se deixar emocionar pode ser o ponto cego da vida


Filmes como UM SONHO POSSÍVEL (The Blind Side, 2009) são muitas vezes subvalorizados. Entretanto, roteiros como o desse belo filme atingem um outro aspecto cinematográfico: a emoção.


A decoradora e ex-cheerleader Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock), já na abertura, explica o título original do longa, derivado de um termo do futebol americano: o atacante esquerdo do time deve proteger o lado cego do quarteback (armador das jogadas do time), o blind side. Esse termo servirá de premissa e reverberará por toda a história, metáfora da trama inspirada na história real do então problemático adolescente Michael Oher (Quinton Aaron, cativante).

Sua qualidades (altura e força) extremadas tornam a vida do jovem em uma escola para ricos possível, sob a aposta de que ele possa ser um bom jogador de futebol americano. Mas 'Big Mike', apelido de que não gosta, mal tem o que vestir e enfrenta inúmeras dificuldades para estudar. Ele é muito introspectivo, mas guarda em si um espírito protetor para com aqueles que o inspiram, sua família. Com poucos minutos de filme já sabemos para onde o mesmo aponta, quando Leigh Anne conhece Michael e resolve ajudar o jovem rapaz. Caricaturalmente engraçada e extremamente amorosa, a decoradora é o tipo de mulher que esconde sob a futilidade do dia a dia muita bondade. A família adota Mike e quer dar a ele as oportunidades que a vida lhe negou.

Mesmo sendo mais um daqueles típicos filmes americanos de superação, buscando vencer na vida, UM SONHO POSSÍVEL tem como principal mérito o esforço enorme que a direção e o roteiro de John Lee Hancok (adaptando o livro The Blind Side: Evolution of a Game), fazem para que o longa não seja piegas. Tem sim os seus clichês, mas ele são coerentes com o desenrolar dos acontecimentos. O casting foi perfeito, desde a boa química entre Sandra Bullock e Quinton Aron, passando pelos singelos novos "irmãos" de Big Mike e Kathy Bates como a tutora de estudos do rapaz, que agora tem um sonho e um futuro em ser jogador de futebol americano.



Por que lembrei desse filme e resolvi escrever sobre ele hoje? Ontem à noite, o Baltimore Ravens venceu o Super Bowl XLVII. Michael Oher é jogador do Baltimore Ravens. Ele venceu. A vida imita a arte ou vice-versa...
Sim, o cinema é maravilhoso, mas a vida é tão emocionante!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

FILMES: O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA

Desde que o primeiro filme dos X-men, ainda em 2000, foi recebido tanto pela crítica quanto pelo público de forma positiva, cinema e quadrinhos tem caminhado lado a lado. HQs são criadas já pensando na transposição para as telonas e quase todo o panteão de heróis desenvolvidos tanto pela MARVEL quanto pela DC Comics acabam sendo aventados para uma possível nova adaptação. Homem-aranha foi um dos primeiros a fazer tamanho sucesso que conseguiu uma trilogia e agora, em 2012, teve um recomeço com O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA (The Amazing Spider-Man, 2012).



Muito se falou a respeito da necessidade ou não de um reinício, mas o fato é que ele aconteceu: a) por um motivo financeiro, pois a Sony Pictures nunca perderia um dos seus grandes produtos e b) por que o final da trilogia anterior deixou desgastado o diretor Sam Raimi, a ponto de este não retornar para a franquia. Dessa forma, vou me ater ao filme em si, deixando essa discussão para a mesa de bar.

A escolha de Marc Webb, do ótimo 500 Dias Com Ela, desde o seu anúncio pareceu acertada. A ideia do projeto era um enfoque mais voltado para a linha Ultimate, em que Peter ainda frequenta a escola e sua vida privada colide de forma constante com sua vida de vigilante, uma das coisas mais interessantes do aracnídeo. Além disso, a decisão de abandonar Mary Jane (pelo menos no início) e trazer Gwen Stacy como interesse amoroso do herói agradou a muitos, que preferem a loira à ruiva também nos quadrinhos (sem falar que ela é muito importante na linha Ultimate).

Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone) tem em suas interações na escola um dos pontos altos do filme. Seja num elogio envergonhado ou em um convite sem jeito, os dois mostram seus lados nerds e frágeis e o real interesse de um pelo outro fica crível, desde a primeira vez em que aparecem. Gosto muito do trabalho de Tobey Maguire nos filmes de Raimi, mas acredito mais em Garfield como Peter, mesmo que o roteiro o traga um pouco mais amargurado do que de costume, reflexo (talvez) do sucesso da trilogia Batman, de Nolan, nos cinemas. Outros personagens, como Flash, foram melhor trabalhados, culminando em uma bela cena quando este conforta Peter após a morte de Tio Ben (sendo seguido na atitude por Gwen).

Mas espera aí: o tio Ben morre? Sim, ele morre... novamente. Talvez aqui resida um grande prolema (para mim) no roteiro: não há necessidade para mostrar essa passagem na vida de Peter. O outro filme ainda é muito recente. Talvez se ele já inicia-se o filme como Aranha ninguém reclamaria. A cena ficou bonita e, talvez, melhor do que no filme de Raimi, mas ainda assim soa repetitiva. Falando em roteiro, James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves são responsáveis pelo texto e, muitas vezes, quanto mais mãos retocam a história essa acaba sem uma identidade própria. Percebe-se claramente um roteiro que tem a dinâmica de uma HQ, com resoluções fáceis que, no papel, tem a suspensão de descrença favorecida. Mas estamos falando de cinema, e em tela, certas decisões soam imprecisas, como Gwen sendo uma estagiária com acesso a tudo na Oscorp ou a forma como Peter vai invadindo o local sem nenhuma segurança ou mesmo o fato de Gwen achar normal um garoto subir 20 andares (!) pela escada de incêndio para bater em sua janela... São vários pequenos detalhes que, no final das contas incomodam um pouco.

Os sucessos desse tipo de filme já evidenciaram que um grande vilão é muito importante no processo e, infelizmente, não é o caso dessa produção. O Lagarto é pouco desenvolvido. Não entendemos sua motivações e seu plano só não é pior do queo de Lex Luthor tentando lotear uma ilha de kriptonita. Além disso, seu design ficou desinteressante e em nenhum momento ele parece ser uma ameaça real ao cabeça de teia. A história de sua família, importante nas HQs, sequer é mencionada.

Falando em família, o roteiro aproveita bem o Capitão Stacy, policial e pai de Gwen, no enredo. Em determinado momento uma discussão entre ele e Peter mostra a ousadia do jovem contra o ceticismo do pai, tentando ensinar algo. Isso só acentua o impacto do sumiço dos pais de Peter quando este ainda era criança.

As cenas de ação são interessantes, em especial quando Peter vai procurar o vilão nas galerias subterrâneas de esgoto, entretanto não ousam. O primeiro trailer prometia cenas em primeira pessoa, algo que acontece em poucos segundos. O design do herói me agradou mais no que nos outros filmes. O perfil franzino do ator favoreceu para que os traços lembrassem os de Todd McFarlane, inclusive na elasticidade e nas poses que o herói adota. O fato de retomarem o lado cientista de Peter, com a invenção dos lançadores de teia, foi outro acerto da produção.



Enfim, é um filme irregular mas divertido, como uma boa sessão da tarde, que é capaz de te apresentar cenas inspiradas como quando Peter salva um garoto e observa a alegria do pai (rima narrativa com a falta que ele sente do seu) e outras despropositadas, como os guardas que são infectados para não mais aparecerem no filme. Assista e veja quais te cativam mais! Ah, quase me esqueci: esse filme possui a melhor participação de Stan Lee até agora!!!


O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man - EUA , 2012 - 136 min. - Ação / Aventura)
Direção: Marc Webb
Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen, Sally Field, Irrfan Khan, Campbell Scott, Embeth Davidtz, Chris Zylka, Max Charles

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

FILMES: ARGO

Um movimento de revolução no Irã chega a seu auge em novembro de 1979. Os manifestantes alcançam a embaixada americana em Teerã e fazem 52 reféns. Seis estadunidenses, em meio ao caos, encontram uma maneira de fugir e se refugiam na casa do embaixador canadense. A CIA percebe que é apenas uma questão de tempo até que os seis sejam encontrados e assassinados e bola um plano arriscado para tira-los do país.



É esse, basicamente, o mote de ARGO (Argo, 2012), último longa metragem dirigido pelo eficiente Ben Affleck. Diferentemente dos dois primeiros, Affleck sai de sua vizinhança (Boston), e busca algo mais nesse filme ancorado em fatos reais. O plano arriscado de que fala a sinopse soa tão incrível e irreal que a forma como o diretor e os roteiristas Chris Terrio e Joshuah Bearman desenvolvem a história é digno de muitos elogios.

Tony Mendez (Affleck) decide usar do poderio de Hollywood e sugere a infiltração como uma produção de ficção de nome Argo. Os fugitivos se passariam pela equipe de produção, em visita ao país para conhecer possíveis locações. Mas, para que o plano dê certo, todo o processo de produção de um filme deve ser seguido: criação de produtora, storyboards, festas para o elenco e leitura do roteiro, etc. E é nessa hora que Affleck mostra sua eficiência, ao saber contrabalancear muito bem o aumento da tensão no Irã e o meticuloso planejamento em Los Angeles.

Quando o plano finalmente entra em execução, sabemos de cada passo e, dessa forma, cada contratempo é palpável para o público. A atuação corporal dos atores e atrizes, nesse ponto, torna-se crucial, já que nem tudo pode ser dito, e mais uma vez somos brindados com uma direção excepcional. Um escorregar de óculos pelo nariz, um olhar pela janela, um suspiro reprimido, tudo transcorre de forma orgânica e contribui em muito para a imersão no filme. Em determinado momento, em que um dos foragidos tem ressalvas quanto a ação, um simples abraço por parte de sua companheira já diz tudo: é nossa única chance!

O trabalho de fotografia (Rodrigo Prieto) é impecável, usando cores frias em tudo que ocorre com os personagens exilados na embaixada canadense (onde também ressalto o brilhante trabalho de figurino e caracterização do elenco) em oposição às cores quentes do oeste dos EUA. Affleck parece reconhecer sua limitação enquanto ator e em nenhum momento abandona a premissa de seu personagem, sério e analítico, mesmo ao evitar aprofundar-se no problema do mesmo com o álcool ou em sua relação conturbada com a mulher, algo abordado de forma rasa. A direção segura confere credibilidade ao filme, que não descamba para o ufanismo que muitas vezes assistimos em produções dos EUA e chega a mostrar um mea culpa da CIA com relação aos incidentes ocasionados por suas ações no Irã.

O elenco é ótimo, com muitos atores dessa nova safra da TV americana (Bryan Cranston, Kyle Chandler e Tate Donovan) e figuras carimbadas, como John Goodman e Aaron Sorkin. Aliás, esses dois últimos, vivendo o maquiador e o produtor que foram co-conspiradores na ação da inteligência americana, surgem como o alívio cômico, que em algumas vezes quebra a tensão, mas que, ainda assim, diverte. O filme é tão bem condizido que em seu clímax, único momento em que a equipe decidiu exagerar um pouco os fatos para gerar uma cena de impacto, o público já foi cativado e nada mais soa problemático: acreditamos que isso aconteceu realmente dessa forma!

ARGO é um dos grandes filmes de 2012. Merece ser conferido e aproveito para recomendar toda a filmografia, enquanto diretor, de Affleck (Medo da Verdade, 2007 e Atração Perigosa, 2010). É um bom diretor, que vem sendo cogitado para várias produções, dentre elas o aguardado (dado o sucesso de Os Vingadores) Liga da Justiça.


Argo (Argo - EUA , 2012 - 120 min. - Drama / Suspense)
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman
Elenco: Ben Affleck, Alan Arkin, John Goodman, Bryan Cranston, Tate Donovan, Taylor Schilling, Nelson Franklin, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Rory Cochrane, Christopher Denham, Clea DuVall, Victor Garber, Zeljko Ivanek, Richard Kind

sábado, 29 de outubro de 2011

BATMAN, o multimídia!


Não há nenhuma novidade em afirmar que Batman intriga e inspira a muitos leitores de HQs. Entretanto, desde a sua criação em 1939, em uma parceria de Bob Kane e Bill Finger, o personagem estendeu sua capa e capuz por quase todas as mídias existentes. Filmes, desenhos, videogames, em tudo podemos encontrar uma incursão do homem-morcego.

A nova safra de filmes, sob a batuta de Chris Nolan, trouxeram uma leitura mais "realista" para o herói, tendo a coragem de abordá-lo com uma visão mais adulta, com seus fantasmas e sua dualidade claramente definida na tela. A pergunta fica evidente: estamos diante de um milionário que brinca de vigilante ou um vigilante que se disfarça de playboy? Além disso, a galeria de vilões do detetive foi melhor explorada, trazendo um Espantalho (que remete aos pesadelos do passado de Bruce) e um Coringa insano (mas consciente de que ele e Batman são os dois lados de uma mesma moeda). A transformação de Harvey "Duas-Caras" Dent traz, novamente, a dualidade à tona. "Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão".

Nos games, na esteira de Arkham Asylum, acaba de ser lançado Arkham City. É o tipo de jogo que dá gosto de jogar. Como Heavy Rain, Uncharted e God of War (entre outros), uma equipe criativa, preocupada em, antes de mais nada, contar uma boa história, se envolve no projeto, criando algo digno do capuz com orelhas de morcego. Ainda não terminei o jogo, mas é uma experiência fantástica. Tudo que o primeiro já tinha de bom foi amplificado. Diversão garantida (e possibilidade de jogar com a Mulher-Gato).

Também lançada recentemente, temos a animação Batman: Ano Um, elogiadíssima. Baseada em uma das mais célebres HQs do homem-morcego, é o conto com uma visão revolucionária de Frank Miller sobre a origem de Batman. Vale a pena conferir.

E tudo isso só faz aumentar a expectativa para THE DARK KNIGHT RISES, parte final da trilogia de Nolan. Desta vez, Mulher-Gato e Bane cruzam o caminho do herói. O diretor e sua equipe parecem entender bem a importância de Gotham City, como berço propício para o surgimento de tantos personagens extraordinários e incomuns. Espero muito desse filme. O teaser cumpriu o seu dever: fui fisgado!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

É para ver melhor!!!!


O que acontece quando uma menina, trajada com um belo capuz vermelho, decide visitar sua vovó, que vive em uma casa afastada, no meio de uma floresta?

É, eu imagino no que você está pensando: eu conheço essa história.

Sim, estou falando da Chapeuzinho Vermelho, que pretende levar doces para a vovozinha e acaba se colocando à merce do Lobo Mau, personagem corriqueiro nos contos de fadas clássicos, seja querendo devorar a velhinha ou assoprar até derrubar as casas de certos porquinhos.

Os contos de fadas existem desde sempre, povoando a infância de todos nós. São pequenas estórias que sofrem pequenas modificações com o passar dos anos e que buscam não só entreter, mas também ensinar algo às criancinhas. Em uma época povoada por releituras modernas do que já é conhecido há tempo, não seria esse conto que fugiria à nova regra.

Sarah Blakey-Cartwright foi a responsável por escrever essa visão moderna do conto da Chapeuzinho Vermelho. Intitulado A GAROTA DA CAPA VERMELHA (RED RIDING HOOD no original), o livro pinta com novas cores a estória, mostrando Valerie, que vive em uma vila assolada por um Lobisomem há décadas. Quando a irmã da garota é atacada, começa um jogo de gato e rato onde todos possuem seus segredos e são suspeitos.


A adapatação para o cinema, homônima, acaba de chegar às telas tupiniquins. Dirigido por Catherine Hardwicke (diretora do primeiro filme da série CREPÚSCULO), o filme surpreendeu-me positivamente. Como não li o livro, a trama conseguiu me capturar, perdurando a dúvida de quem era o Lobisomem.

É bem verdade que o filme bebe muito na série Crepúsculo, não faltando o seu triângulo amoroso (apesar deste ser muito fraco e não emplacar como tal). As panorâmicas também estão presentes à exaustão, insistindo sempre em querer nos envolver pelo ambiente. São belas imagens, mas que em certos momentos cansam.

Amanda Seyfried triunfa ao passar a imagem de alguém inocente e, ao mesmo tempo, lascivo. Parece sem sentido dizer isso, mas ela realmente consegue isso, como já fez em Big Love. Além disso, o belo contraste da neve, dos olhos da atriz e da capa vermelha dão um tom interessante à diversas cenas. Já as outras duas pontas do triângulo não estão à altura. Ou melhor, Shiloh Fernandez (Peter) tem uma atuação sincera e competente, enquanto Max Irons (Henry) parece assustado em todas as suas cenas, impossibilitando o real surgimento do enlace romântico.


A trilha sonora também merece um elogio. Os arranjos, muitas vezes pontuados por guitarras, empolgam e assustam na hora certa. O Lobo digital desse filme perde um pouco para os da série Crepúsculo, mas cumpre bem o seu papel. Mas há um certo elefante em cena que, na minha opinião, fica meio deslocado...

Enfim, o filme diverte e pode ser encarado como uma boa sessão da tarde. Ou de final de domingo, como foi o meu caso. Bom entretenimento. Afinal, como a própria Chapeuzinho pergunta para a sua Vovó, "Para que esses olhos tão grandes?".

Acesse o site oficial para saber mais informações sobre o filme e assistir ao trailer.

E bom filme!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Retrospectiva cinema 2010 - Terceira parte e final

Pra terminar os posts que fazem a retrospectiva dos filmes que marcaram o ano de 2010, o ano da biodiversidade (!), começamos com a excelente continuação do filme nacional que deixou todo mundo de boca aberta ao levar o Urso de Ouro em Berlin no ano de 2008, e mais 29 prêmios mundo afora.
Outubro foi o grande mês de Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro, que conquistou crítica e público com diversão, uma certa violência e principalmente muita discussão política de qualidade, às vésperas das eleições.
Também foi a estréia de RED - Aposentados e Perigosos, baseado na graphic novel de Warren Ellis sobre um grupo de mercenários aposentados que começam a ser caçados por seus substitutos. O filme com Bruce Willis, John Malkovich, Helen Mirren e Mary-Louise Parker recebeu uma indicação ao Globo de Ouro 2011 como melhor filme musical ou comédia. Também houve a continuação Atividade Paranormal 2, que continua com cara de pegadinha do Faustão, mas agora produzido por um grande estúdio, custando pouco e lucrando muito.
Mas a grande estréia de outubro foi A Rede Social de David Fincher, baseado no livro Bilionários por acaso que conta como o Facebook virou a maior rede social da internet mundial. O filme já foi lançado com algumas exibições prévias que deixaram a crítica o chamando de "filme do ano", e com garantias de algumas indicações ao Oscar. O filme infelizmente só chegou ao Brasil no começo de dezembro, mas é considerado também um sucesso de bilheteria. No blog já comentamos sobre o livro, leia clicando aqui e sobre o filme também neste link.
Novembro começou com a estréia de Um Parto de Viagem, que repetiu de certa forma o sucesso de Se beber, não case, inclusive com Zach Galifianakis praticamente no mesmo papel e Robert Downey Jr.
Também teve a segunda animação da Dreamworks no ano, Megamente, e também postamos sobre ele. Leia clicando aqui. O filme só estreou no Brasil no começo de dezembro, mas sem perder o gás.


O improvável último filme da série, Jogos Mortais - O final, que apesar de impregar o 3D não fez sucesso em lugar algum; O terceiro pseudo-documentário de palhaçadas Jackass 3D fez mais de 100 milhões de dólares nos EUA; e dentre os brasileiros tivemos a comédia Muita calma nessa hora com roteiro de Bruno Mazzeo, que também está no elenco, e fez mais de 1 milhão de expectadores, e o documentário Senna, que mostra bastidores interessantes até então desconhecidos do grande público sobre o piloto de fórmula 1.
Neste mês também estreou no Brasil o filme independente Minhas mães e meu pai, da diretora Lisa Cholodenko. Um delicado filme independente sobre um casal lésbico que precisa lidar com o pai biológico de seus filhos, com Anette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, e os jovens em ascensão Mia Wasikowska (a Alice no país das maravilhas) e Josh Hutcherson. O filme recebeu diversas indicações a prêmios importantes.
Mas novembro foi mesmo o mês de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1, que fez  até agora 832 milhões de dólares no mundo todo, e recebeu elogios de todos os lados ao começar o término da saga de forma artística e comercial ao mesmo tempo.
O último mês do ano começou com a estréia da última parte da trilogia As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, que mudou da Disney pra Fox, mas apesar de manter a mesma equipe, ganhou um filme ligeiramente diferente dos anteriores, mas podemos dizer que terminou bem, causando certa discussão (até mesmo religiosa). Você pode ler a expectativa sobre este filme, vindo de quem leu o livro, neste post. Também tivemos a estréia um tanto tardia, mas comum neste gênero, de Machete de Robert Rodriguez, e você pode ler o quanto nosso blogueiro Juliano gostou clicando aqui. E o mezzo brasileiro, mezzo estadounidense Amor por Acaso dirigido pelo ator Márcio Garcia, com Juliana Paes e o 'Clark Kent' Dean Cain também conquistou nosso blogueiro Sérgio Minduim, clicando aqui. Ainda no âmbito nacional, também estreou Aparecida, a tentativa da diretora Tizuka Yamazaki de repetir o sucesso dos filmes espíritas com um filme católico, mas até então fez pouco mais de 120 mil expectadores.
E pra fechar o ano tivemos a estréia de 72 Horas, o novo filme de Russell Crowe do mesmo diretor de Crash - No limite, mas felizmente se trata de um filme sem grandes pretensões, o que ameniza o gigantesco fracasso de Robin Hood que o ator estrelou sob a batuta de Ridley Scott em maio;  a comédia nacional estrelada por Ingrid Guimaraes De pernas pro ar; e a tardia estreia do independente filme de humor negro Trabalho Sujo estrelado por Emily Blunt e Amy Adams.
E então o mês de dezembro ficou pra decepcionante expectativa por Tron - O Legado, que custou aproximadamente 300 milhões de dólares, mas tá longe de agradar público e crítica pra valer o investimento. Você pode ler aqui no blog sobre o filme original de 1982 neste link, e a crítica completa sobre este presente de Natal tecnológico aqui.
Mas ficou claro que tivemos um ano meio que na ressaca de Avatar com muitos filmes experimentando o 3D, Em 2011 o número de tridimensionais aumenta, e esperamos que a qualidade também. E como percebemos, o meio deste ano foi mais recheado, devido a temporada de verão americano, que é pra quando as distribuidoras marcam os lançamentos a fim de aproveitar as férias e o sol deles. 2011 parece que seguirá a mesma rotina. Continue ligado na Liga da Poltrona que iremos fazer um preview pro ano que começa, e falaremos mais sobre como o 3D vai continuar evoluindo ou não nos cinemas. Contamos com vocês!