Mostrando postagens com marcador HQ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HQ. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A DC segundo Stan Lee

Entre 2001 e 2003 o mundo dos quadrinhos apreciou um projeto que chamou muito a atenção. Marvel e DC sempre foram as duas maiores fábricas de HQs e se o Superman e o Batman remetem à segunda, no caso da primeira não lembramos de seres ficcionais, mas de um homem de carne e osso: o grande Stan Lee.



Dessa forma, a ideia de lançar HQs em que o maior criador da Marvel reimaginava as maiores criações da DC foi tratada de forma quase sobrenatural. Poder ver como seriam Batman, Superman, Mulher Maravilha, Flash, Lanterna Verde (,etc.) se Stan Lee (o co-criador de X-Men e Homem-Aranha entre outros) tivesse sido a mente criativa por trás desses era algo para explodir as cabeças dos fãs da nona arte. Para tornar a situação ainda mais épica, por que não convidar os grande artistas da época? Pois foi o que a DC fez e assim surgiu Just Imagine Stan Lee Series (2001-2003), composta de treze edições de luxo.

Fizeram parte desse 'balaio de gato' Mulher-gato, Lanterna Verde, Shazam, Liga da Justiça, Mulher Maravilha, Batman, Super-homem, Robin, Flash, Aquaman e até Sandman, além de um número intitulado Crise e outro sobre arquivos secretos e origens. Chamo de 'balaio de gato' porque, mesmo sabendo de toda a importância do autor na Casa das Idéias, esse projeto tem um resultado insosso e sem maior significado. Vale a leitura, a título de curiosidade, mas é um material facilmente esquecível.



O estilo verborrágico das HQs reflete um outro tempo, em que pensamentos precisavam necessariamente aparecer descritos. Os desenhos eram menos expressivos e, dessa forma, explicações (do tipo "Nossa, se o bandido atirar agora o caos poderá se instalar!", rs) eram constantes, poluindo os quadrinhos e, consequentemente, o trabalho dos artistas. Aliás, a arte está ótima! Algumas reimaginações de uniformes ficaram um pouco exageradas e estranhas, mas os trabalhos de artistas como Jim Lee, John Buscema e Dave Gibbons tornam-se o maior atrativo do projeto.

É engraçado perceber semelhanças (não sei se intencionais) entre essas criações e as obras de Stan Lee. A Mulher Maravilha, agora uma entidade do panteão Inca, é assumida por uma peruana, que quando vai a Los Angeles decide trabalhar em um jornal para poder aproveitar o fato de ter acesso direto à deusa... olá, Peter Parker! E o Aranha também é referenciado na releitura do Batman, quando o personagem decide ganhar dinheiro através da luta livre. E isso para ficar em apenas dois exemplos.

Pois bem, uma releitura efetivamente envolve reconstruir um personagem e não posso dizer que Stan Lee não tenha cumprido o que lhe foi pedido. Ainda assim, fica um gosto amargo ao finalizar as leituras. Talvez a expectativa seja o grande vilão desse projeto. Ainda bem que X-men e Homem-aranha nos trazem de volta ao brilhantismo de Lee. E isso é suficiente.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O homem das cavernas brasileiro



O projeto de graphic novels baseadas nas historinhas de Maurício de Sousa nos brindou no final de 2013 com um trabalho formidável: PITECO – INGÁ. Reencontramos (se você também foi uma criança nos anos 80 e lia avidamente tudo da Turma da Mônica, ;-) Piteco, Tuga, Ogra e Beleléu, agora mais maduros. Eles terão que enfrentar uma jornada de desafios quando a reserva de água da Aldeia de Lem seca. Eles precisarão se mudar. Mas Tuga acaba sequestrada e nosso herói decide ir atrás dela, tendo Beleléu por companheiro.  Do artista Shiko, com um roteiro inteligente, arte e cores também executados pelo mesmo, essa é uma obra que ganha vida de forma brilhante! 

O projeto não tem medo de ousar, criando toda uma mitologia em torno desses personagens de Mauricio de Sousa, que nunca foram os mais queridos, mas sempre tinham seu espaço nos almanaques de férias. Na minha opinião, junto de Astronauta - Magnetar, essa HQ trouxe a profundidade que Mauricio incutiu nesses personagens e que as jovens crianças que os liam talvez não captassem.



Shiko faz uso de seu conhecimento do folclore nacional e insere Piteco como mais um estandarte nacional. Adepto dos detalhes, o artista situa Lem no nordeste brasileiro, usando a pedra de Ingá (do título) para deixar isso claro. Além disso, personagens das histórias que nossas avós contavam antes de nos colocar para dormir fazem aparições, de forma orgânica e extremamente interessante (Curupira, Boitatá...).

A identidade visual de cada tribo também deixa claro o quão meticuloso é o artista. Apoiado em um roteiro direto, temos espaço para cenas lindamente retratadas e ações que convencem e surpreendem. A arte tem tamanho poder que me fez, por vezes, gastar mais alguns segundos antes de virar a página, observando a riqueza de detalhes e o preciosismo das cores (os desenhos foram coloridos com aquarela). Impressionante!



Que venham, agora em 2014, as novas obras desse projeto maravilhoso! Penadinho, Bidu, mais Turma da Mônica, a Turma da Mata, todos em releituras que devem alegrar em muito o criador desse universo de aventuras. Grande Mauricio! Grande Shiko!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, com seu osso roído e com o rabo entre as patas!


Conheci o trabalho de Vitor Cafaggi quando este, junto de sua irmã Lu Cafaggi, participaram do projeto Graphic MSP em que artistas prestam a sua homenagem à Maurício de Sousa através de interpretações das criações do célebre autor nacional. Coube aos irmãos Cafaggi a tarefa de uma releitura sensível e empolgante da Turma da Mônica na HQ Turma da Mônica: Laços, recomendação obrigatória para todos que cresceram com a companhia da turminha.

Um tempo depois de ter lido a gibi acima citado, em uma de minhas idas a uma livraria geek de São Paulo, vi uma coletânea de uma tirinha publicada aos domingos no jornal O Globo. E qual não foi a minha surpresa ao constatar que era mais um trabalho desse brilhante quadrinista mineiro: Valente Para Sempre (2013, Panini Comics).

Primeiro volume dessa coletânea (já existem mais dois disponíveis), a tirinha nos conta a história de um cãozinho de nome Valente e o seu cotidiano tentando interagir com os outros e, mais do que isso, tentando entender a lógica dos relacionamentos. Ansioso e tímido, Valente busca o grande amor de sua vida, com a entrega e a ingenuidade que todos já vivenciamos em algum grau quando éramos mais jovens.

Li em uma entrevista do autor que a obra é autobiográfica, o que a torna ainda mais interessante pois os traços infantis e delicados de Cafaggi trazem à tona lembranças dos primeiros passos amorosos (que são praticamente universais, rs), com a sua pureza e seu lado platônico. Impossível não se identificar com alguma das situações vividas pelo cãozinho.


Com um toque de Bill Watterson e seu Calvin e Haroldo e uma simplicidade que lembra A Turma do Charlie Brown, sentimos as emoções e as inseguranças, rimos e sofremos, em uma leitura leve e aparentemente descompromissada. Digo 'aparentemente' porque depois de algumas páginas você já se sentirá mais um amigo de Valente. E aí, é página atrás de página, até chegar ao fim e pensar 'cadê o próximo?'

Com citações espertas (John Hughes, Rocky Balboa e até mesmo big mac - essa última, simplesmente genial!), é um gibi que merece ser conferido. Li o primeiro em uma tacada e vou procurar pelo próximo ainda hoje. Não deixe de conferir também o blog de Cafaggi, onde é possível ler outro trabalho do autor que os fãs do Cabeça de Teia vão adorar!

E termino com uma citação da contracapa da obra, que diz muito do espírito de Valente:

"Eu já disse isso uma vez. Vou dizer novamente: A vida passa muito rápido; se você não parar e olhar ao redor, você pode perdê-la."
(Ferris Bueller)


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Marvel Studios vs. Warner/DC Comics

Enquanto a Warner estava indo com a farinha em relação a sua poderosa gama de super-heróis do catálogo DC Comics, a Marvel, antes mesmo de se tornar Marvel Pictures, já estava com a festa toda preparada de surpresa.
Nos últimos meses a Marvel fez questão de explicar que está construindo um universo, e o expandindo, por fases. A primeira fase foi a apresentação de personagens (e podemos considerar "O Incrível Hulk" da Universal parte indireta desta fase), a segunda fase de expansão começou em 2013 com o polêmico "Homem de Ferro 3" e deve ser finalizada em "Homem- Formiga" em Julho de 2013.

Em meados de dezembro, sem tanta polêmica quanto se esperava, a Marvel oficializou o ator de comédias Paul Rudd como o protagonista de "Homem- Formiga", e ontem 13 de janeiro oficializou o veterano Michael Douglas também como o super-herói. Expliquemos: Douglas foi escalado pra viver o herói original Hank Pym, que descobre um soro capaz de deixá-lo gigante ou do tamanho de uma formiga, que anos mais tarde tem seu traje roubado pelo desesperado pai de família Scott Lang, papel que será de Rudd, e que então assumirá a identidade do Homem-Formiga. Boatos dão conta de que um outro ator deva viver Hank Pym jovem, e que o longa terá o formato de um grande filme de assalto. Mas não podemos negar que já há muita informação.

Enquanto isso a Warner/DC prepara a continuação do sucesso "Homem de Aço", que deve brigar com o outro grande super-herói da casa Batman, que terá o irregular Ben Affleck como intérprete. Se já não fosse o bastante ter que fazer uma continuação digna pro filme do Superman e ainda reinventar Batman no mesmo universo, o estúdio garantiu a atriz/modelo israelense Gal Gadot como Mulher-Maravilha. E se já não fosse muita informação, boatos falam que o estúdio procura atores pra viver ao menos Lanterna Verde e Aquaman, além dos vilões Lex Luthor e Apocalipse.
Outros boatos falam da falta de título ao filme. Seria "Homem de Aço 2", "Homem de Aço vs. Batman", "Homem de Aço - A Hora Mais Escura" e segundo as últimas apurações pode assumir de uma vez o título de "Liga da Justiça". Isso porque, também segundo boatos, os produtores agora brigam pra gravar dois filmes de uma única vez, sendo o segundo assumidamente uma aventura da Liga da Justiça.
Concluímos que tão poucas informações confiáveis mais assustam do que ajudam o filme a se promover, e a Warner parece se esquecer da expectativa que acontece fora de seus muros.

Ainda seria cedo, mas enquanto a Warner não divulga detalhes ou se apressa numa super produção que estréia em julho de 2015, a Marvel conversa com Johnny Depp pra viver o mago Doutor Estranho na terceira fase dos heróis da Marvel em 2016, que já conta também com várias séries de TV e streaming via Netflix.
Quem está mais causando mais interesse? Marvel ou Warner/DC?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A nova Detective Comics #27!


A editora de quadrinhos DC não tem esse nome por acaso!

Em 1937, a revista DETECTIVE COMICS foi pela primeira vez publicada. Originalmente uma antologia para contos de detetive, a revista tornou-se uma das principais publicações da então National Allied Publications, que mais tarde se tornaria a DC Comics.

Em maio de 1939, um dos maiores heróis (senão o maior) do panteão da DC (quiçá de todos os tempos) fez a sua estréia, na Detective Comics de número 27: BATMAN!



E agora, em 2014, graças ao advento dos Novos 52 (2011) que zerou todas as séries da DC, uma nova Detective Comics #27 foi lançada! Agora exclusiva do Homem-morcego, a HQ foi planejada para festejar o herói e traz uma bela reunião de bat-criadores, incluindo Neal Adams, Frank Miller, Scott Snyder, Brad Meltzer, entre outros. São 7 estórias, com capas próprias e times diversos, que captam bem a psiquê de Batman.

Um trabalho de primeiríssima qualidade nos oferece a oportunidade de viajar por várias abordagens do herói mais taciturno da quadrinhosfera: o didatismo de Brad Meltzer, o tom old-school de Neal Adams, o espírito explosivo de Francesco Francavilla e a coerência carregada de criatividade e ousadia de Scott Snyder.

Quase todos os personagens mais importantes de Gotham aparecem, tantos os aliados quando os inimigos. Os ilustradores, cada um com o seu traço, prestam homenagem atrás de homenagem a todos esses anos de uniformes diferentes, cintos de utilidade, e bat-apetrechos! Destaque para as capas de Frank Miller e Jock, duas obras de arte. O trabalho de Iam Bertram remete a CAVALEIRO DAS TREVAS, mesmo não tendo sido ele o artista da famosa HQ.

As duas últimas peças são fenomenais e, com respeito, brincam com as possibilidades de Batman, um personagem impossível na realidade, mas que se torna real no turbilhão de possibilidades que o lápis e o papel permitem. 

Infelizmente, ainda existe um certo distanciamento das pessoas com relação aos quadrinhos, mesmo com a crescente influência que esses exercem sobre as demais mídias ultimamente. Dar uma chance a esse universo é mergulhar em uma experiência divertida (lembre da Mônica) e densa (lembre da trilogia de Nolan). E Batman é um grande ponto de partida!



Enfim, é uma HQ recomendadíssima, leitura obrigatória para fãs do Homem-morcego!

Já disponível no ComiXology, deve chegar logo logo às bancas tupiniquins!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Direto da Telona (e do Canadá): Lanterna Verde

UAU! Isso é muito legal! Esse é meu primeiro post aqui para a "Liga da Poltrona" direto do Canadá. Como no Brasil Lanterna Verde só será lançado em Agosto, posso afirmar que esse post tem uma certa "exclusividade"! Bem, vamos deixar assim ok? Ah! Vou tentar não colocar muitos spoilers, combinado?

Embora não seja versado em HQs e muito menos no Lanterna Verde (mesmo tendo a coleção completa de "A noite mais Densa" esperando em casa para ser lida!), isso não é problema para novatos como eu, pois o filme possui uma satisfatória (e chata) introdução sobre a história dos Lanternas Verdes!

Antes de continuar, lembro aos leitores que nosso amigo e um dos editores Juliano, conhecido na "Liga" como Cylon Thirteen, escreveu dois posts sobre "A Noite Mais Densa" - Que as Luzes do Espectro Iluminem o Lanterna Verde e  E a Noite Mais Densa Terminou...

Após um início com muitos efeitos especiais e um tanto confuso, encontramos nosso protagonista, Ryan Reynolds (hal Jordan), iniciando uma série de gracinhas e piadinhas que não causaram muitas risadas do público. Descobrimos que nosso herói - como todo herói - tem um ponto fraco: o medo! Medo que atrapalha a "eficiência" de um Lanterna Verde em combate. Esse medo está diretamente ligado ao passado do Hal Jordan e não falo mais nada sobre isso.

Como não poderia ser diferente, temos nossa mocinha da vez - a linda Blake Lively (Gossip Girl, Três Amigas e um Jeans Viajante), mas sinceramente - com uma atuação longe de ser boa.

Após nosso amigo Ryan/Hal ser escolhido pelo anel para ser o novo Lanterna Verde, a história se desenrola num ritmo arrastado, quase parando. Embora as cenas de treinamento tenham sido feitas para impressionar, devido ao "excesso" de computação gráfica, são apenas clichês. Confesso que o uniforme dos Lanternas ficou muito bacana!!

A história continua explicando por quê nosso vilão é mal, por quê nosso herói é bonzinho, os motivos do por quê o vilão quer destruir o mundo e como nosso herói vai salvá-lo. Desculpe-me os fãs... Tudo muito previsível... O filme não prende a atenção, as cenas de batalhas chegam ao ponto da completa inocência e o 3D é totalmente inócuo (não gaste alguns reais a mais para ver em 3D!).

"Nossa cara, o filme então é uma completa droga?" A resposta é não. Funciona como um bom entretenimento, ou como dizemos por aí, uma "boa sessão da tarde". Você poderá rir em alguns momentos e até achar interessante todos os efeitos especiais envolvidos. Mas a história, do jeito que está no video, não convence. Já vimos em outros ótimos filmes o quanto o medo interfere e ao mesmo tempo pode ser utilizado como um fator motivador para que o herói se revele com toda a força e poder que são esperados do herói, e apesar de gostar muito do Ryan Reynolds em comédias, fico a pensar que a escolha dele como protagonista não tenha sido correta, justamente por ele não transmitir toda a seriedade que uma Lanterna Verde deve repassar.

Vá ao cinema para curtir, aproveite para limpar a mente dos problemas do cotidiano e tenha duas boas horas de diversão. Mas tente levar um pouquinho de humor com você.

PS: Fica o pedido para nosso amigo Cylon Thirteen escrever seu parecer quando o filme sair no Brasil. É isso aí!


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Último Homem

Em 2002, o roteirista Brian K. Vaughan já trabalhava com quadrinhos desde os anos 90, mas foi neste ano que ele chamou a atenção por um trabalho somente seu, Y - O Último Homem, lançado pelo selo adulto Vertigo, geralmente de independentes e experimentais. A originalidade e qualidade da história e dos desenhos de Pia Guerra chamou a atenção e fez com que o trabalho ganhasse alguns prêmios Eisner, o Oscar dos quadrinhos. Mais do que isso, por se tratar da história de um personagem que não tem super poderes, o criador avisou que a obra teria um final, em seu número 60.

A inquietante série instiga uma fantasia que é masculina e feminina ao mesmo tempo, ao ficcionalizar como seria a sociedade atual sem indivíduos masculinos. Na trama, algo (chamado de "praga") mata simultaneamente todos os mamíferos vivos que possuam o cromossomo Y (inclusive embriões, óvulos fertilizados, e até mesmo esperma). As únicas excessões são Yorick Brown, um jovem artista amador da fuga (ou alguém sem muita noção de futuro e trabalho) e seu macaco-prego macho nomeado Ampersand. A sociedade está jogada ao caos do colapso da infraestrutura, e as mulheres sobreviventes tentam lidar com a perda de seus homens (e seus cadáveres), a culpa, a espera pela extinção da humanidade, e a esperança. Yorick, em sua busca pela noiva que estava na Austrália no momento da praga, acaba recebendo a proteção da misteriosa agente 355, enviada pela mãe de Yorick, uma congressista do governo oficial. Mas o conflitante destino e plano dos dois sofrerá várias reviravoltas, pois no caminho há gangues de mulheres fanáticas e exércitos estrangeiros e revolucionários. Além de encontrar a Dra. Mann (um nome irônico, por sinal), uma geneticista que tentou gerar um clone à época da praga, e que persuade os dois a ir até seu segundo laboratório (já que o primeiro é destruído) na Califórnia para estudar o rapaz e encontrar a cura. O trajeto dos três leva muitos meses, encontram muitos obstáculos, estradas fechadas, tiroteios, conspirações, análises psicológicas, discussões políticas e morais, e algumas histórias curtas e outras que não parecem ter nada a ver com os protagonistas.

A idéia de analisar como seria uma situação desta não é inédita. A clássica escritora de Frankestein, Mary Shelley escreveu em 1826 O Último Homem, que era um longo romance que falava de uma praga que dizimava a população mundial, mas o último homem em questão só se tornava último ao final da história, e o escritor Richard Matheson escreveu em 1954 o livro Eu Sou a Lenda, que conta a história de um homem que sobreviveu a um vírus que transformou toda a população em vampiros, e virou filme com Will Smith. E o próprio Y pode ter sido inspirado por um romance em quadrinhos dos anos 50 chamado Yorick - The Last Man on Earth. 
A obra terminou de ser publicada nos EUA em março de 2008, ganhando várias coletâneas em seguida. No Brasil começou a ser publicada individualmente pela Opera Graphica, ganhou coletâneas similares as estadounidenses, mas migrou para a Editora Panini, onde ganhou por enquanto quatro coletâneas, chegando até o número 23 (de 60), mas os lançamentos irregulares da editora prejudicam um bocado os leitores, que nunca entendem a periodicidade.

O sucesso desses quadrinhos abriram para o autor Brian K.Vaughan as portas para lançar em seguida os igualmente sucessos Runaways, Deus Ex Machina (que nosso colega Cylon Thirteen irá escrever brevemente) e a obra única Leões de Bagdá, além de colocar o autor nas trilhas do audiovisual. Ele foi convidado para fazer parte da equipe de roteiristas do seriado Lost durante duas temporadas, logo depois escreveu um primeiro rascunho para um filme baseado em Y. O filme se mantém na gaveta, já que o estúdio New Line que detém os direitos quer apenas um filme, e o primeiro diretor interessado, D.J. Caruso (de Paranóia, Controle Absoluto e o vindouro Eu Sou Número 4) acha que só é possível contar a história numa trilogia. O ator cotada para o papel de Yorick na época era Shia Labeouf (Transformers). Mas o fraquíssimo diretor Louis Leterrier (O Incrível Hulk, Fúria de Titãs) sugeriu ao estúdio transformar a obra numa série, que na minha opinião seria o ideal, mas bateria de frente com os conceitos de The Walking Dead de alguma forma (não que mulheres sejam necessariamente zumbis).

O tom de aventura cinematográfica, com um texto sensacional fazem de Y: O Último Homem uma obra obrigatória, por seu realismo e sua oportunidade única de traçar as possibilidades para o engajamento dos leitores com situações traumáticas em específicos espaços e tempos, além de toda uma discussão política e sexista. A obra fala sobre um homem sozinho num mundo de mulheres, mas poderia falar sobre uma mulher num mundo de homens que teria as mesmas discussões, portanto, como seria se você fosse o último homem/mulher do mundo?