terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Direto da Telona: Enrolados

Como já mencionei em alguns outros posts, os tempos mudaram. Agora é preciso pensar em todo o contexto social pra levar um produto audiovisual a público, seja pra lucrar, seja pra mudar o mundo. A Disney fez a lição de casa direitinho,e mudou um bocado sua linha de princesas para os novos tempos.
Sim, Cinderelas, Brancas de Neve e Belas Adormecidas continuam fazendo sucesso e vivendo no íntimo de meninas e mulheres, mas elas são imagens de um passado que deveriam funcionar hoje, mas não funcionam mais. Esperar que o príncipe encantado apareça pra resolver todos os problemas só em sonho nos dias de hoje. As mulheres vão à luta!
Enrolados (Tangled, 2010) é um projeto bastante interessante na linha das princesas da Disney e se tornou um filme sensacional para toda a família, e quem mais quiser curtir. Rapunzel era a princesa famosa que faltava no rol da Disney, mas os longas animados baseados em contos de fada caíram em declínio com o advento das animações computadorizadas. Até que John Lasseter, o cara por trás de toda a Pixar (após ser readquirida com mais participações pela Disney) resolveu que os contos de fadas foram e deveriam continuar sendo importantes. Foi aí que ele reabriu os trabalhos de animação tradicional com A Princesa e o Sapo em 2009, e apesar do resultado ter sido um longa estupendo que conquistou a crítica, não foi considerado um grande sucesso nos cinemas. Colocaram a culpa na animação tradicional e no fato do título afastar os meninos dos cinemas.
O título antes da mudança
E antes que o projeto da Rapunzel virasse a continuação do sucesso Encantada, decidiram dar mais uma chance para as princesas, e mudaram algumas coisas. O título não poderia mais afastar os meninos, então Rapunzel virou Enrolados; e o filme precisava ter mais ação que A Princesa e o Sapo, que tinha uma princesa negra que colocava em prática todas as suas ambições e não dependia de um príncipe, colocando assim as princesas nos novos tempos com sucesso e aceitação. E o mais importante é que o filme deveria ser computadorizado e utilizando os recursos do 3D, e aí estava o desafio.
Enrolados criou uma técnica de animação computadorizada que misturada a técnicas tradicionais, se parece com uma pintura. Muitas vezes você sente estar vendo um filme de animação tradicional, e em várias outras tudo parece se misturar harmoniosamente. O interior da torre onde vive Rapunzel é um dos cenários mais incríveis num desenho animado tridimensional.
O filme começa mostrando a lenda dos cabelos mágicos de Rapunzel desde seu nascimento e seu sequestro pela bruxa má. Seus pais, tristes, soltam lanternas voadoras todos os anos por todo o reino no dia de seu aniversário para lembrar da princesa desaparecida, e Rapunzel logo já tem 18 anos e nunca saiu da torre. Mas não espere uma sofredora, a bruxa só não permite que ela saia e se finge de mãe numa boa. E então conhecemos Flynn Rider (que na dublagem nacional ficou com a voz de Luciano Huck por causa de piadas sobre nariz), um ladrão que roubou a coroa da princesa e foi se esconder justamente na torre dela. Domado pela moça dos longos cabelos, ele é chantageado a levá-la até o reino para ver as lanternas que pra ela querem dizer algo, em troca da coroa que ela escondeu (sem saber que lhe pertence), e daí pra frente é muita diversão.
A Disney acertou o tom em todos os aspectos, e fez um filme de princesa clássico, com números musicais excelentes, mas com cara de animação descompromissada. Não por acaso os animadores principais foram responsáveis por Bolt, uma animação descompromissada bem bacana do estúdio.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Direto da Telona: É muito mais que Amor por Contrato

Na maioria das vezes, os responsáveis pelas traduções dos títulos dos filmes estadunidenses cometem grandes gafes e em outras, a essência do filme se perde numa tradução que não tem nada a ver com o título original. Foi assim com o recente comentado aqui no Blog The Happening, que na tradução virou Fim dos Tempos. Podemos afirmar, sem medo, que o mesmo acontece com "Amor por Contrato" (The Joneses, EUA, 96 min, 2009).

O filme teve sua estréia no Festival de Toronto no Canadá em 2009, mas só chegou as telonas em 2010. No Brasil está em cartaz desde o dia 24 de dezembro de 2010.

A história se desenvolve em torno da "Família Jones", tendo como mãe a cinquentona e enxuta Demi Moore e como pai o eterno David "Mulder" Duchovny. Completam essa família Amber Heard (Zumbilândia) e Ben Hollingsworth (do seriado The Beautiful Life) como filha e filho.

Em um primeiro momento, você imagina que está diante de um filme estilo "American Way of Life", principalmente devido a recepção que os " Joneses" dão aos vizinhos que vão se apresentar e oferecer as boas vindas! Uma família bonita, feliz e de sucesso!   Ao longo dos primeiros minutos você se depara com um desfile de gente bonita e endinheirada vivendo da melhor maneira possível em suas mansões, com seus carros luxuosos de último tipo, com toda tecnologia possível e imaginável! Além, é claro, de parecer que a vida é uma constante festa. Só que tem um problema! Os Joneses não são uma família e sim, vendedores! Eles fingem serem uma família rica e bem sucedida, para influenciar a todos em sua volta! A mãe com as roupas e tênis da caminhada matinal, o pai com o carrão os caríssimos tacos de golfe. Os filhos, influenciam os amigos na escola com cosméticos, celulares e demais badulaques de última geração. E na verdade, o que todos querem alí, é aumentar as vendas! Essa é a preocupação dessa "célula": virar um "ícone"!!

Mas como nem tudo sempre é perfeito, os conflitos e necessidades de qualquer pessoa aparecem, e é nesse momento que o filme te prende ainda mais a atenção, pois apesar de todo luxo, toda a grana; todos continuam passando pelas mesmas situações que qualquer mortal enfrenta, sendo que a principal delas é: queremos estar perto de quem gostamos e de quem gosta da gente!!

O filme parece encaminhar para um filme clichê, mas é bem interessante como o desfecho se dá de maneira leve e aberta. E poderiam ter trabalhado até com outros finais, o que não perderia em hipótese alguma, a mensagem original do filme.

Os amigos da "Liga da Poltrona" concordam ainda, que o filme daria um ótimo seriado! Com duas temporadas talvez, mas tocando num assunto que sempre é atual: o mais importante é ser ou ter?

Vale a pena conferir esse filme, que traz ótimas interpretações e fotografia, além de uma trilha sonora bem cuidada; e constatar mais uma vez que a tradução do título acaba, infelizmente, por afastar muita gente do cinema e de curtir um ótimo filme!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Direto da Telona: INCONTROLÁVEL


O cinema é arte. E a vida imita a arte, certo? Nem sempre. Não quando um filme começa pelas palavras BASEADO EM FATOS REAIS. Essas poucas palavras sinalizam para nossos cérebros que estamos diante de algo que ocorreu. E não interessa se foi parcialmente. O fato é um só: a arte agora nos MOSTRA a vida.

INCONTROLÁVEL (2010) acaba de entrar nos trilhos de nossos cinemas. Tony Scott está brincando novamente com a mesma máquina (no último eram metrôs, mas estão no mesmo patamar que trens, certo?) e com o mesmo ator. Denzel Washigton retoma a parceria e, dessa vez, nos traz um bom filme de ação, acima da classificação "Sessão da Tarde" que o último mereceu.

Temos um trem não-tripulado e acelerado, carregando materiais inflamáveis que, nas palavras de Connie (Rosario Dawson), é um "míssil do tamanho do edifício Chrysler" e vai em direção a áreas populadas.

O filme, Unstoppable no original, realmente não para. Para quem tem uma noção do que o espera, a angústia não tarda a aparecer, com o trem desgovernado. O roteiro acelera, com o perdão do trocadilho, para não mais frear. O clímax me prendeu à poltrona. Só voltei a respirar quando os créditos finais começaram.

Denzel Washigton (O Livro de Eli) nos brinda com mais uma atuação segura, seguido de perto por Chris Pine (Star Trek), talvez alvo de excessivos closes faciais. Rosario Dawson (belíssima como sempre) transmite bem o vigor de sua personagem. A fotografia e a direção também vão bem e alguns movimentos de câmera denotam boa inspiração. Os efeitos também são bons, com pequenos incômodos no uso do CGI em algumas cenas.

Ótima diversão de verão, merece ser conferido. Mas corra, porque esse trêm não está afim de esperar por ninguém. Todos a bordo!

TRAILER:


NOTÍCIA DO FATO REAL:

Direto da Telona: Pernas pro ar, humor pra baixo.

Quando assistimos a um trailer de comédia, a maioria das pessoas, ou pelo menos aqueles com um pouco mais de visão crítica, sempre perguntam-se “essas são as melhores piadas?” Pode-se dizer que “De Pernas pro Ar” (Brasil, 2010) com Ingrid Guimarães e Maria Paula responde quase na totalidade essa pergunta, se não fosse por duas ou três outras piadas que foram deixadas para o filme.
Histórias de pessoas que são viciadas em trabalho ou tenham qualquer outra obsessão e deixam a família e a própria felicidade para segundo plano, tem aos montes no cinema. Nessa comédia, o interessante é que depois de ser demitida de uma empresa de brinquedos – numa cena aliás, clichê ao extremo – a personagem Alice (Ingrid Guimarães) acaba indo trabalhar numa Sex Shop, ambiente oposto ao anterior e de certo modo um tabu entre os brasileiros - até aí sem problemas, pois isso é revelado no trailer. Ela transforma uma loja “xexelenta” em um negócio lucrativo e acaba por obter o tão sonhado sucesso profissional. Entretanto, o filme chega ao final tentando dar uma lição de moral (lição de moral em comédia é sempre ótimo!) mas na última cena, perde totalmente o sentido. “De pernas pro ar” é um filme de comédia que “tenta” divertir e dar uma lição de moral mas mal consegue fazer uma coisa e nem chega perto de fazer outra! Culpa de um roteiro confuso que não diz exatamente a que veio.
As atuações de Ingrid Guimarães e Maria Paula são preguiçosas. Isso mesmo. Parece o tempo todo que elas estão com preguiça de atuar. Ingrid não convence que está triste quando a personagem precisa passar essa idéia e as piadas em geral saem muito técnicas. Maria Paula parecesse mais com uma travesti mal intencionada que com uma mulher sensual que almeja ganhar dinheiro com seus dotes.
O filme no geral perde a oportunidade de transformar um assunto que poderia além de render boas piadas problematizar a questão da sexualidade de maneira divertida, mas acaba por se transformar em um monte de banalidades ao expor que para a mulher ter sucesso, ela "ainda" precisa pensar na relação que tem em casa. Isso fica muito claro ao final do filme quando vem à tona ao mostrar que aquilo que se pensava estar resolvido, na verdade, está longe de se tornar realidade na vida da personagem e de milhares de mulheres.
"De pernas pro ar" é um caça-níquel de verão prometendo piadas com um assunto manjado. Pra rir, só com cócegas! E olhe lá...