segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Direto da Telona: BRUNA SURFISTINHA


Que lugar melhor do que a praia para assistir ao filme Bruna Surfistinha (2011)? Pois bem, aproveitando um final de semana com minha namorada no litoral, fomos assistir ao novo filme de Deborah Secco. E, a cada vez que lembro do filme, gosto menos do mesmo...

Não li o livro de Raquel Pacheco, O Doce Veneno do Escorpião, e portanto não sei o quanto de história existe no que me parece ser um livro de memórias. Mas o fato é que o roteiro gerado a partir do mesmo não diz a que veio. Na verdade, o que nos perguntamos ao final da projeção foi exatamente se existia uma história a ser contada por traz de Bruna Surfistinha. E chegamos a irremediável resposta negativa.

Efetivamente não existe uma aproximação real com a personagem. O roteiro é muito superficial quando nos apresenta a adolescência da menina que se tornaria garota de programa. Seus problemas com os pais não são bem elaborados e, quando esta foge, não conseguimos ver um motivo real. Sei que ele deve ter existido e, talvez, se isso fosse melhor explorado, a sensação ao final do filme fosse melhor.

Deborah Secco defende a personagem com unhas e dentes. É interessante ver o quanto que essa atriz evoluiu ao longo de sua carreira. Como ela sabe entregar aos telespectadores as sensações/mudanças que acontecem com sua personagem ao longo do filme. Sua atitude se sobressai em um filme que o elenco, em geral, está muito bem. Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Fabiula Nascimento, todos muito bem, na medida certa. Méritos, portanto, ao diretor Marcus Baldini que soube conduzí-los de forma orgânica em seu primeiro filme.

A verdade é que o filme não poderia ter saído em outro momento. Com toda essa conversa em torno de redes sociais, twitter, as pessoas se expressando e dizendo o que pensam, uma prostituta que fez sucesso através de um blog é algo que deve ser tratado. Tratar sexo de uma forma mais aberta, sem colocá-lo como tabu, também é interessante (apesar de ter sentido que algumas cenas do filme são gratuitas, mas tudo bem). Hoje as pessoas dizem o que pensam, muitas vezes sem se preocupar com algum contexto, uma história por trás.

Sinto, no cinema, essa necessidade de uma boa história a ser contada. E não senti isso nesse filme. Tecnicamente muito bom, faltou algo essencial: um bom roteiro.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Direto da Telona: CAÇA ÀS BRUXAS


Behmen (Nicolas Cage) é um ex-cruzado, que desertou após perceber a quantidade de sangue que tinha derramado "em nome de Deus". Seu companheiro (vivido pelo divertido Ron Pearlman) teve o mesmo momento de epifania e abandona os serviços da igreja e os dois, foragidos, acabam presos e condenados a uma masmorra a não ser que aceitem cumprir com mais um serviço: levar a causa da Peste Negra, uma bruxa, para ser julgada em um mosteiro no fim do mundo, com direito a florestas do mal pelo caminho.

Caça às Bruxas (Season of The Witch, 2010) é assim, raso e descompromissado. Toda essa premissa nos é apresentada em um começo até que interessante, onde o diretor Dominc Sena (que já trabalhou com Cage em 60 Segundos, um filme de que gosto) rapidamente nos coloca a par do que precisamos saber antes de começarmos a caminhada rumo a "Mordor". Pois é, nada de novo: herói quer exorcizar marcas do passado e se entrega a uma aventura para salvar o mundo, onde provavelmente morrerá. É o tipo de filme em que o espectador pode montar sua listinha, tentando descobrir a ordem das mortes dentro da "irmandade" que carrega o item a ser entregue.

A premissa interessante não se desenvolve, e ficamos diantes de um filme montado em capítulos. Qual será o próximo desafio? Pontes, lobos, tudo se transforma em obras do sobrenatural. A fotografia até que é bacaninha e a trilha sonora combina com o filme. Mas só. As cenas de ação, pontuadas por muitos cortes, impossibilitam um pleno entedimento do que está acontecendo. E os efeitos especiais caberiam bem em um clipe musical dos anos 80, mas não nos dias de hoje.

As falas de Ron Pearlman, muitas vezes hilárias e ditas no tom de ironia certos, e a bela atriz que interpreta a bruxa merecem um elogio. O ator Robert Shehaan, da ótima série britânica Misfits, acaba subutilizado, mas nos brinda com uma atuação razoável. Já Cage, infelizmente, traz todos os seus cacoetes e atua em ponto morto.

Enfim, um filme pipoca, totalmente de época de férias, que se comparado com as outras possibilidades, pode esperar até sair em DVD / Blu-Ray. Ou, quem sabe, Tela Quente ou Sessão da Tarde.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Direto da Telona: Santuário

É inegável que devemos a moda dos filmes em 3D a fim de conter a pirataria à James Cameron e seu barulhento Avatar, e também são inegáveis as virtudes de sua busca por uma boa tecnologia em 3D. As câmeras e o sistema que ele ajudou a desenvolver já foi visto satisfatoriamente em Resident Evil: Recomeço, e neste ano teremos muitos outros usando esta tecnologia. Como uma espécie de vitrine sobre as possibilidades do uso deste 3D, James Cameron produziu o filme Santuário, dirigido por Alister Grierson, que só tem experiência com um longa metragem desconhecido de 2006. Talvez Cameron devesse ter investido em alguém com mais experiência.

O fato é que James Cameron queria atingir um público muito maior com um filme nos moldes dos documentários que produziu entre Titanic e Avatar, mas que não fosse necessariamente um documentário, e se passasse facilmente por uma ficção. Santuário é baseado na experiência real do co-roteirista Andrew Wight, que produziu muitos documentários com Cameron e a Discovery, que ao ficar preso numa caverna com mais 14 pessoas por dois dias, teve de procurar uma outra saída.

O filme conta a história de Frank (Richard Roxburgh de Moulin Rouge  e Van Helsing), um experiente e marrento mergulhador e espeleólogo que lidera uma equipe que explora um gigantesco sistema de cavernas ainda inexplorados pelo homem na Nova Guiné. A empreitada é bancada pelo fanfarrão aventureiro Carl (Ioan Gruffudd, o Reed Richards de Quarteto Fantástico), que resolve levar sua nova namorada Victoria (Alice Parkinson) para um passeio na caverna. O passeio também coincide com o retorno do jovem e birrento Josh (Rhys Wakefield), filho de Frank, que está tendo muitos atritos com o pai pela paixão por cavernas e nenhuma pelo filho. A divertida excursão já começa em morte, e uma tempestade os deixarão presos e os farão procurar por uma ainda desconhecida saída lutando contra a cruel natureza da gigantesca rede de cavernas.

O filme em si é uma sucessão de mortes ao estilo Premonição, com um pires de roteiro para narrar tudo, e fica evidente a falta de talento do diretor com atores, já que o único que se salva é Richard Roxburgh como Frank, o que podemos atribuir a experiência do ator. Há cenas bastante tensas e claustrofóbicas, mas todas são geradas pelo óbvio bom uso do 3D, pela trilha sonora que emula Avatar e a fotografia criativa que emula  programas documentais como À Prova de Tudo da Discovery Channel. Parece certo, mas como muito do que acontece na trama parece desnecessário, fica uma sensação de vazio ao clichê e forçado final.

Uma curiosidade é que num certo momento do filme, que me lembrou o jogo de videogame Uncharted, há uma menção inútil sobre a 2ª Guerra Mundial envolvendo japoneses e tanque de guerra. O primeiro filme que ninguém assistiu do diretor se chama Kokoda, e fala sobre o conflito de soldados australianos e japoneses durante a Segunda Guerra numa trilha na Nova Guiné. Apesar de não ter assistido este Kokoda, acredito que o diretor tenha tido a intenção de cruzar informações de seus filmes, mas como ninguém percebeu, ficou mais uma informação desnecessária.

Santuário é então um thriller com pouca história, personagens mal desenvolvidos, conflitos que já vimos irritantemente muitas vezes em filmes melhores, mas belíssimas imagens. Chega a ser extravagante iluminar uma caverna com a luz de um relógio, mas fica tão bonito em 3D que você nem se importa. Mas da próxima vez James Cameron deve se concentrar também naquilo em que é bom: contar histórias. Avatar uniu tecnologia e uma história batida de maneira que este Santuário não chega nem perto.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mutantes polêmicos...


O que é ser diferente? É bom? Ruim? Como as pessoas lidam com aquilo que é diferente?

Quando, em 1963, Stan Lee e Jack Kirby criaram os X-Men, para o selo de HQs MARVEL, levantaram esse debate dentro do mundo dos super-heróis. Determinadas mutações, que normalmente se manifestavam na puberdade (ótima metáfora para as mudanças por que todos passamos nessa época), determinavam características (ou poderes, se preferir) únicos. Duas leituras surgem: serão eles a evolução ou monstros, incapazes de viver em sociedade? E essa premissa rendeu (e rende até hoje) ótimos arcos de história para a equipe de mutantes de Charles Xavier, que defende a coexistência pacífica entre as duas "raças". A característica multicultural da HQ, com personagens de todas as partes do mundo (inclusive Brasil) foi decisivo para angariar uma multidão de fãs.

Toda essa popularidade levou ao inevitável: expansão para TV e cinema. Primeiro com desenhos que fizeram muito sucesso nos idos de 1990, com uma das aberturas/música mais lembrada de todos os tempos...


Em 2000, o cinema assiste ao retumbante sucesso da adaptação de Bryan Singer para as telonas. X-MEN colocou a MARVEL efetivamente nos cinemas (algo que somente a DC conseguira antes) e criou a febre das adaptações de HQ que temos testemunhado nos últimos anos. X2: X-MEN UNITED veio em 2003, e Singer melhorou o que já havia feito no primeiro. Uma ótima história muito bem desenvolvida; personagens vibrantes, que pareciam ter saltado dos quadrinhos para a tela, com profundidade e atitude, e um final que comoveu até aqueles que não conheciam a história da Jean Grey. Em 2006, a controvérsia. Brett Ratner dirigiu X-MEN: THE LAST STAND, depois de a DC ter convencido Bryan Singer a fazer o reboot de Superman. Muitos fãs não gostaram do filme, mas eu, particularmente, acho muito bom. Tem a velocidade e a intensidade das melhores histórias dos mutantes na minha opinião. Enfim, uma grande franquia cinematográfica, que depois deste puxou o freio de mão... até agora!

Na semana que passou, foi divulgado o primeiro trailer de X-MEN: FIRST CLASS. A história usa o panorama dos anos 60 para nos (re)apresentar a Charles Xavier e Erik Lehnsherr e suas diferentes visões de como o mundo deve entender os mutantes. Diversos personagens dão as caras no trailer, como Moira, Mística, Fera, Emma Frost. Até o Clube do Inferno e Sebastian Shaw estão lá. Li muitos comentários sobre o trailer. Uns pediam mais ação. Outros reclamaram do clima do filme, uma espécie de X-men encontra 007. Eu gostei bastante. Achei tenso e denso, com uma premissa muito interessante de usar a crise dos mísseis em Cuba como pano de fundo. Além disso, os últimos trabalhos do diretor Matthew Vaughn (Stardust, Kick-Ass) o credenciam, tornando-o merecedor de um voto de confiança.

O filme será lançado em 3 de junho de 2011. Sei que estarei na fila, para assisti-lo. E você? O que acha do diferente? Como o trataria? Comente o trailer, o post. Deixe suas impressões!