sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Direto da Telona: NOITE DE ANO NOVO


A experiência de ir ao cinema é algo muito particular. Da mesma forma que tenho minhas preferências, sei que cada pessoa recorre a sétima arte por motivos e com intenções diferentes. Informar-se sobre o que se pretende assistir é uma forma de não se frustrar. NOITE DE ANO NOVO (New Year's Eve, EUA, 2011) não é o filme do ano, mas diverte naquilo que se propõe.

Gary Marshall (diretor) repete a parceria com Katherine Fugate (roteirista) e volta a contar uma história que envolve várias pequenas tramas. Como em IDAS E VINDAS DO AMOR, temos um emaranhado de personagens vivendo suas vidas no contexto de uma data comemorativa: antes era o dia dos namorados; agora, a virada de 2011 para 2012.

Repetesse a fórmula: temos um grande elenco, contando com Hilary Swank, Halle Berry, Jessica Biel, Abigail Breslin, Lea Michele, Ludacris, Robert De Niro, Sofía Vergara, Josh Duhamel, Zac Efron, Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer e até Jon Bon Jovi. Em meio a músicas, elevadores, hospitais e bolas de natal, temos uma mulher em crise, querendo cumprir suas resoluções do ano passado; um doente terminal querendo revisitar uma tradição familiar; a organizadora de um evento fazendo de tudo para que o mesmo aconteça; a tentativa de volta a um velho romance, enquanto outro se esforça para surgir; e até a simplicidade de um beijo adolescente no momento da virada.

São histórias simples, talvez bobas, que por vezes perdem sua carga, dramática ou cômica, por algumas escolhas do roteiro; mas ainda assim, você sai da sala de cinema com uma sensação calorosa, acolhedora, própria dessa época do ano. É fato que o tempo em cena ou mesmo a superficialidade das personagens acabam podando o trabalho de grandes atores, mas alguns momentos bem construídos valem o ingresso para essa "Sessão da Tarde" de final de ano.

Comova-se com o belo arco de Halle Berry ou deseje junto a Abigail Breslin; Sofra as dores do parto com Jessica Biel ou cante com Lea Michele e Bon Jovi; visite Bali com Michelle Pfeiffer ou procure por alguém em Times Square com Sarah Jessica Parker; e, caso essas cenas não funcionem para você, há sempre espaço para boas risadas com a bela Sofia Vergara.

Boas Festas!!!!

sábado, 29 de outubro de 2011

BATMAN, o multimídia!


Não há nenhuma novidade em afirmar que Batman intriga e inspira a muitos leitores de HQs. Entretanto, desde a sua criação em 1939, em uma parceria de Bob Kane e Bill Finger, o personagem estendeu sua capa e capuz por quase todas as mídias existentes. Filmes, desenhos, videogames, em tudo podemos encontrar uma incursão do homem-morcego.

A nova safra de filmes, sob a batuta de Chris Nolan, trouxeram uma leitura mais "realista" para o herói, tendo a coragem de abordá-lo com uma visão mais adulta, com seus fantasmas e sua dualidade claramente definida na tela. A pergunta fica evidente: estamos diante de um milionário que brinca de vigilante ou um vigilante que se disfarça de playboy? Além disso, a galeria de vilões do detetive foi melhor explorada, trazendo um Espantalho (que remete aos pesadelos do passado de Bruce) e um Coringa insano (mas consciente de que ele e Batman são os dois lados de uma mesma moeda). A transformação de Harvey "Duas-Caras" Dent traz, novamente, a dualidade à tona. "Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão".

Nos games, na esteira de Arkham Asylum, acaba de ser lançado Arkham City. É o tipo de jogo que dá gosto de jogar. Como Heavy Rain, Uncharted e God of War (entre outros), uma equipe criativa, preocupada em, antes de mais nada, contar uma boa história, se envolve no projeto, criando algo digno do capuz com orelhas de morcego. Ainda não terminei o jogo, mas é uma experiência fantástica. Tudo que o primeiro já tinha de bom foi amplificado. Diversão garantida (e possibilidade de jogar com a Mulher-Gato).

Também lançada recentemente, temos a animação Batman: Ano Um, elogiadíssima. Baseada em uma das mais célebres HQs do homem-morcego, é o conto com uma visão revolucionária de Frank Miller sobre a origem de Batman. Vale a pena conferir.

E tudo isso só faz aumentar a expectativa para THE DARK KNIGHT RISES, parte final da trilogia de Nolan. Desta vez, Mulher-Gato e Bane cruzam o caminho do herói. O diretor e sua equipe parecem entender bem a importância de Gotham City, como berço propício para o surgimento de tantos personagens extraordinários e incomuns. Espero muito desse filme. O teaser cumpriu o seu dever: fui fisgado!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Direto da Telona: CONTÁGIO


DIA 2.

É assim que começa o filme CONTÁGIO (Contagion - EUA, 2011). Seguem-se alguns minutos de puro cinema: sem fazer uso de diálogos, somente com belos enquadramentos e uma longa sequência de imagens, tomamos contato com a evolução de uma doença, evidenciando aqui a forma como esta se propaga. Uma verdadeira aula para alguns diretores/roteiristas que acham que precisam "mastigar" cada aspecto da película, esquecendo-se de que cinema é imagem.

O roteiro de Scott Z. Burns nos apresenta o avanço de uma epidemia que toma amplitude global. Sim, mais um filme que enfoca catástrofes, mas diferentemente da maioria dos filmes, busca elucidar a reação das pessoas ante o possível "fim dos tempos". Em close-ups muito espirituosos e bem sacados (como a utilização de um retrovisor para mostrar os olhos de determinado personagem frente a uma multidão enfurecida/desesperada) são captadas as emoções, levando-nos a uma experiência extremamente real, algo ressaltado pelo caratér documental de alguns momentos e pela fotografia quente, passando uma sensação abafada e desagradável.

O diretor Steven Soderbergh, aliado a uma ótima montagem (Stephen Mirrione) e uma bela trilha sonora (Cliff Martinez), cria um ritmo de urgência, conseguindo unir bem todas as linhas narrativas, muito bem representadas por um elenco de primeira (Matt Damon, Marion Coitllard, Lawrence Fishburne, Kate Winslet, entre outros). Não são necessárias muitas explicações sobre as vidas de cada um, mas sim o que os une nesse momento. Novamente, sem necessitar de muitos diálogos, o uso de imagens transporta para a telona quem são cada um dos personagens.

CONTÁGIO também traz à tona algumas discussões interessantes, como o uso da internet como fonte disseminadora de informação e a ética envolvida nisso. Ética também é lembrada quando se faz necessário decidir o momento certo de divulgar informações para a população. Enfim, vemos mais uma vez como as situações podem modificar as pessoas. E aí, as emoções começam efetivamente a aflorar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Direto da Telona: Melancolia

Segundo a Wikipedia, a melancolia é um estado psíquico de depressão sem causa específica, que se caracteriza pela falta de entusiasmo e predisposição para atividades em geral. Neste último trabalho do polêmico diretor dinamarquês Lars Von Trier também é o nome de um planeta que de uma hora pra outra sai de trás do Sol numa rota de colisão com a Terra. Toda a metáfora do apocalipse é pertinente à trama e relacionamento das irmãs Justine e Claire, respectivamente interpretadas por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg.

O filme é dividido em duas partes, cada parte para cada irmã, ou para um planeta, ou para um tipo de melancolia. Na primeira parte, Justine está indo para sua festa de casamento com Michael (Alexander Skargaard), na enorme casa de campo de sua irmã e seu milionário cunhado John (Kiefer Sutherland, ótimo). Tudo parece perfeito, até que o atraso do casal em chegar à festa revela um certo receio da família em relação ao comportamento de Justine. Logo saberemos que ela finge deprimentemente a felicidade da cerimônia. Seu chefe (Stellan Skargaad), seu pai (John Hurt) e sua mãe (Charlotte Rampling) não ajudam em deixá-la melhor, revelando algum motivo de sua infelicidade. Nada acaba bem neste ato, que mais parecido com os conceitos cinematográficos do diretor durante o manifesto Dogma de 1995 recebeu as principais críticas negativas da impresnsa. Eu gostei de acompanhar essa tragédia de família, onde a câmera parece boba em meio aos convidados, sendo alguns muito caricatos, pois me transmitiu a inquietação de Justine.
melancólica ao extremo

O segundo ato começa com Justine no limite de suas capacidades, e Claire deve administrar a irmã, o marido, o filho, e um possível apocalipse. Muito diferente do primeiro ato, aqui não acompanhamos costumes familiares, e sim um tenso suspense sobre o que pode vir a acontecer: um assassinato? um tapa? a colisão do planeta? É um ato mais interno, com menos tramas, mas sem dúvida cinematograficamente mais rico, onde as coisas acontecem com leveza e sem necessidade de explicações. Mal comparando, me lembrou mais filmes apocaliptícos de Hollywood como "Independence Day", "2012" e até mesmo "Transformers", o que para mim pode soar apelativo. Foge um pouco as regras do diretor, mas demonstra seu talento em outra seara.

O filme deu merecidamente a Kirsten Dunst a Palma de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Cannes, e mostra que a atriz, após uma temporada com o Homem Aranha e alguns escândalos, está disposta a voltar aos velhos tempos em que se mostrou uma atriz madura em Gostosa Loucura. E ainda traz a nova parceria do diretor com a atriz e cantora Charlotte Gainsbourg, depois dela ter ganhado o mesmo prêmio de Kirsten em 2009 pelo polêmico Anticristo.

à espera do fim
Maior que as qualidades do filme foi a bagunça que o diretor fez numa entrevista coletiva em Cannes, quando fez uma brincadeira de mau gosto envolvendo sua família e uma falsa orgulhosa origem nazista. A repercussão foi tão ruim que o diretor foi proibido de pisar no Festival novamente, mesmo que ganhasse o prêmio de melhor diretor. Para se defender, o diretor avisou que estava passando por um período de abstinência alcoólica, mas o circo já estava armado. Provavelmente o diretor se tornou o próprio AntiCristo do cinema (e da imprensa especializada), pois sua filmografia inclui filmes muito experimentais e polêmicos, como Dogville, Dançando no Escuro e Os Idiotas que para o bem ou para o mal fizeram história e escola.