quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Calvin & Haroldo: a magia da imaginação


As personagens criadas por Bill Watterson em 1985, um menino marrento de 6 anos e seu tigre de pelúcia, talvez seja a das mais queridas em todo mundo pelo carisma e simplicidade de visão de mundo. Calvin e seu inseparável amigo Haroldo, que cria vida e interage com o menino quando não há outras pessoas por perto, nos presenteia com o que há de mais interessante e fantástico na vida do ser humano: a imaginação da criança!

As peripécias em que os dois se metem faz qualquer adulto ou criança cair na risada. Enquanto escrevia esse post, revi algumas tirinhas - que foram publicadas em dezenas de jornais pelo mundo até 1995, quando o autor anunciou sua aposentadoria - e dei boas gargalhadas!

O autor é extremamente competente ao mostrar o mundo imaginário que a criança cria para as várias situações que enfrenta durante o período em que tudo "parece" conspirar para uma infância infeliz - a comida que somos obrigados a comer, a foto que não queremos tirar, o medo daquele monstro que vive no armário do quarto, o valentão da escola, a menina que resolvemos infernizar a vida e claro, a babá - talvez não muito próximo da realidade das crianças brasileiras - mas que rende ótimas histórias.



Outro universo explorado por Watterson é a escola. Nela, vemos Calvin geralmente como explorador intergalático, enfrentando um monstro horrível e abominável - a professora. Ele é sempre o herói indefeso que acaba por cair em situações de perigo na luta pela liberdade! Leia-se: não entregou o dever de casa e por isso tem que inventar alguma história mirabolante para se safar!



Outras situações que garantem boas gargalhadas é a constante briga entre Calvin e sua amiga/inimiga Susi. Ela é estudiosa, inteligente e educada e os dois vivem em pé de guerra. Geralmente envolvendo bolas de neve! Outra personagem cruelmente atormentada pela dupla, é a babá Rosalyn. Essa porém, não dá moleza aos dois traquinas, e como disse o autor, "talvez seja a única pessoa que Calvin realmente tenha medo".



Não posso deixar de falar que apesar dos temas do universo infantil, o autor também toca em temas sérios utilizando seus personagens. Uma ótima maneira de expor o ponto de vista e nos levar a reflexão, quer concordemos ou não. Uma dessas tiras "sérias", é de Calvin e Haroldo parados em frente a uma árvore cortada. Impossível não pensar que talvez esse "menino" esteja coberto de razão.





A Editora Conrad vem lançando no Brasil os livros com a coletânea das 3.160 tiras criadas durante os dez anos de atividade da dupla - Calvin & Hobbes no original.. É um deleite para quem curte uma boa história com uma dose de humor requintada. Até o momento foram lançados 7 volumes, com as aventuras dessa dupla divertida! Recomendo e garanto boas risadas.



Títulos lançados:

O mundo é Mágico
E foi assim que tudo começou
Tem alguma coisa babando embaixo da cama
Yukon Ho!
                                                              
Criaturas bizarras de outro planeta
Deu "tilt" no progresso científico
A hora da vingança


    

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Polêmica no Oscar 2011


Engraçado colocar um título como o de cima quando vou falar sobre um filme de que gostei muito. Enterrado Vivo (2010), que já não se encontra mais em cartaz (pelo menos aqui em SP), é uma produção que, na pior das hipóteses, merece um adjetivo: corajosa.

Como o título já diz, temos um personagem que acorda dentro de uma caixa de madeira. Inicialmente só encontra um isqueiro no bolso, para minutos depois descobrir que tem um celular próximo aos seus pés, vibrando. Através do aparelho, ele descobre mais sobre a sua situação: vítima de insurgentes iraquianos, ele foi sequestrado e deve pagar milhões para sair dali com vida.

Ok. Mas saberemos mais sobre a sua vida, certo? Flashbacks são para isso, certo? Personagens secundários, fora do caixão, são para isso, certo? Mas nada disso acontece. Acompanhamos todo o desenrolar da história juntos de Paul Conroy (Ryan Reynolds). É asfixiante. Sofremos com ele para alcançar algo próximo aos pés ou para nos virarmos para termos uma melhor visão de algo.

Tecnicamente o filme merece muitos elogios. Filmado em apenas 17 dias e com 7 caixões diferentes, o diretor espanhol Rodrigo Cortés consegue nos prender junto com Reynolds e tira deste uma atuação convincente e aterrorizada. Ele exala o desespero de alguém que estivesse realmente nessa situação. As movimentações de câmera são perfeitas e a fotografia se esmerou, usando a chama do isqueiro, a luz do visor do celular e o que pudesse para iluminar de forma brilhante a cada cena.

O roteiro também é realmente bom. Chris Sparling parece ter feito uma boa pesquisa, para nos mostrar o mundo de civis americanos contratados por empresas para trabalhar na reconstrução do Iraque e o risco que correm de ser sequestrados. A tensão toda me lembrou muito outro filme, Por Um Fio (2002) com Colin Farrel preso dentro de uma cabine telefônica. Infelizmente, foi exatamente uma atitude do roteirista que inspirou título deste post.

A pouco tempo, o mesmo mandou um e-mail para muitos dos votantes aos indicados para o Oscar 2011. E, apontando as coisas boas de seu roteiro, pedia o voto dos mesmos. Isso é proibido e o filme corre sério risco de ter sua candidatura impugnada. Sinceramente não sei se ele conseguiria essa indicação. Na minha opinião, outros filmes do ano que passou merecem mais a indicação e, como disse, o aspecto técnico me impressionou bem mais do que propriamente o roteiro. Mas essa polêmica é um tanto quanto estranha. Diversos estúdios fazem campanhas por seus filmes. Recentemente, Toy Story 3 criou uma série de posters se comparando com outros ganhadores do prêmio, insinuando que poderia estar entre os indicados. A Origem enviou seu roteiro para vários membros da academia querendo indicações. Qual a diferença? Só porque ele soletrou "quero o seu voto"?

Sei que é ingenuidade não entender a importância comercial de um prêmio como este. Mas cá pra nós, para que tanto barulho? Quer pedir votos, peça. Vai da cabeça de cada um dos membros da academia acatar a esse pedido ou não. O fato é que dificilmente um e-mail vai mudar a cabeça de várias pessoas.

Enterrado Vivo, independente da polêmica, é um bom filme. Melhor no cinema, claro, para emular a escuridão e o caixão de Paul como sendo a sala em que estamos. Mas se não der, assista em casa mesmo. Mas espere anoitecer. E apague a luz. Ahhhhhhhhh, e não se esqueça de deixar o celular recarregado. Nunca se sabe quando iremos precisar dele...

Direto da Telona: Enrolados

Como já mencionei em alguns outros posts, os tempos mudaram. Agora é preciso pensar em todo o contexto social pra levar um produto audiovisual a público, seja pra lucrar, seja pra mudar o mundo. A Disney fez a lição de casa direitinho,e mudou um bocado sua linha de princesas para os novos tempos.
Sim, Cinderelas, Brancas de Neve e Belas Adormecidas continuam fazendo sucesso e vivendo no íntimo de meninas e mulheres, mas elas são imagens de um passado que deveriam funcionar hoje, mas não funcionam mais. Esperar que o príncipe encantado apareça pra resolver todos os problemas só em sonho nos dias de hoje. As mulheres vão à luta!
Enrolados (Tangled, 2010) é um projeto bastante interessante na linha das princesas da Disney e se tornou um filme sensacional para toda a família, e quem mais quiser curtir. Rapunzel era a princesa famosa que faltava no rol da Disney, mas os longas animados baseados em contos de fada caíram em declínio com o advento das animações computadorizadas. Até que John Lasseter, o cara por trás de toda a Pixar (após ser readquirida com mais participações pela Disney) resolveu que os contos de fadas foram e deveriam continuar sendo importantes. Foi aí que ele reabriu os trabalhos de animação tradicional com A Princesa e o Sapo em 2009, e apesar do resultado ter sido um longa estupendo que conquistou a crítica, não foi considerado um grande sucesso nos cinemas. Colocaram a culpa na animação tradicional e no fato do título afastar os meninos dos cinemas.
O título antes da mudança
E antes que o projeto da Rapunzel virasse a continuação do sucesso Encantada, decidiram dar mais uma chance para as princesas, e mudaram algumas coisas. O título não poderia mais afastar os meninos, então Rapunzel virou Enrolados; e o filme precisava ter mais ação que A Princesa e o Sapo, que tinha uma princesa negra que colocava em prática todas as suas ambições e não dependia de um príncipe, colocando assim as princesas nos novos tempos com sucesso e aceitação. E o mais importante é que o filme deveria ser computadorizado e utilizando os recursos do 3D, e aí estava o desafio.
Enrolados criou uma técnica de animação computadorizada que misturada a técnicas tradicionais, se parece com uma pintura. Muitas vezes você sente estar vendo um filme de animação tradicional, e em várias outras tudo parece se misturar harmoniosamente. O interior da torre onde vive Rapunzel é um dos cenários mais incríveis num desenho animado tridimensional.
O filme começa mostrando a lenda dos cabelos mágicos de Rapunzel desde seu nascimento e seu sequestro pela bruxa má. Seus pais, tristes, soltam lanternas voadoras todos os anos por todo o reino no dia de seu aniversário para lembrar da princesa desaparecida, e Rapunzel logo já tem 18 anos e nunca saiu da torre. Mas não espere uma sofredora, a bruxa só não permite que ela saia e se finge de mãe numa boa. E então conhecemos Flynn Rider (que na dublagem nacional ficou com a voz de Luciano Huck por causa de piadas sobre nariz), um ladrão que roubou a coroa da princesa e foi se esconder justamente na torre dela. Domado pela moça dos longos cabelos, ele é chantageado a levá-la até o reino para ver as lanternas que pra ela querem dizer algo, em troca da coroa que ela escondeu (sem saber que lhe pertence), e daí pra frente é muita diversão.
A Disney acertou o tom em todos os aspectos, e fez um filme de princesa clássico, com números musicais excelentes, mas com cara de animação descompromissada. Não por acaso os animadores principais foram responsáveis por Bolt, uma animação descompromissada bem bacana do estúdio.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Direto da Telona: É muito mais que Amor por Contrato

Na maioria das vezes, os responsáveis pelas traduções dos títulos dos filmes estadunidenses cometem grandes gafes e em outras, a essência do filme se perde numa tradução que não tem nada a ver com o título original. Foi assim com o recente comentado aqui no Blog The Happening, que na tradução virou Fim dos Tempos. Podemos afirmar, sem medo, que o mesmo acontece com "Amor por Contrato" (The Joneses, EUA, 96 min, 2009).

O filme teve sua estréia no Festival de Toronto no Canadá em 2009, mas só chegou as telonas em 2010. No Brasil está em cartaz desde o dia 24 de dezembro de 2010.

A história se desenvolve em torno da "Família Jones", tendo como mãe a cinquentona e enxuta Demi Moore e como pai o eterno David "Mulder" Duchovny. Completam essa família Amber Heard (Zumbilândia) e Ben Hollingsworth (do seriado The Beautiful Life) como filha e filho.

Em um primeiro momento, você imagina que está diante de um filme estilo "American Way of Life", principalmente devido a recepção que os " Joneses" dão aos vizinhos que vão se apresentar e oferecer as boas vindas! Uma família bonita, feliz e de sucesso!   Ao longo dos primeiros minutos você se depara com um desfile de gente bonita e endinheirada vivendo da melhor maneira possível em suas mansões, com seus carros luxuosos de último tipo, com toda tecnologia possível e imaginável! Além, é claro, de parecer que a vida é uma constante festa. Só que tem um problema! Os Joneses não são uma família e sim, vendedores! Eles fingem serem uma família rica e bem sucedida, para influenciar a todos em sua volta! A mãe com as roupas e tênis da caminhada matinal, o pai com o carrão os caríssimos tacos de golfe. Os filhos, influenciam os amigos na escola com cosméticos, celulares e demais badulaques de última geração. E na verdade, o que todos querem alí, é aumentar as vendas! Essa é a preocupação dessa "célula": virar um "ícone"!!

Mas como nem tudo sempre é perfeito, os conflitos e necessidades de qualquer pessoa aparecem, e é nesse momento que o filme te prende ainda mais a atenção, pois apesar de todo luxo, toda a grana; todos continuam passando pelas mesmas situações que qualquer mortal enfrenta, sendo que a principal delas é: queremos estar perto de quem gostamos e de quem gosta da gente!!

O filme parece encaminhar para um filme clichê, mas é bem interessante como o desfecho se dá de maneira leve e aberta. E poderiam ter trabalhado até com outros finais, o que não perderia em hipótese alguma, a mensagem original do filme.

Os amigos da "Liga da Poltrona" concordam ainda, que o filme daria um ótimo seriado! Com duas temporadas talvez, mas tocando num assunto que sempre é atual: o mais importante é ser ou ter?

Vale a pena conferir esse filme, que traz ótimas interpretações e fotografia, além de uma trilha sonora bem cuidada; e constatar mais uma vez que a tradução do título acaba, infelizmente, por afastar muita gente do cinema e de curtir um ótimo filme!